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Vicissitudes
Na agonia dos dias
No protocolo das guias
No tédio do cotidiano
No terror do sub-urbano
No pudor das vozes
No temor das preces
Nas trevas das incertezas
Nas alegrias das tristezas
Com preguiça dos deveres
Com ódio dos amores
Torturados pela vida
Afagados pela morte
Assim caminhamos
Do medíocre ao sublime
Atormentados e marcados
Pelas vicissitudes da vida
INCERTEZAS
como um campo minado
assim as incertezas são
nos esfaqueando nas esquinas
estuprando nosso sossego
mas assim deve ser
bem... pelo menos
assim é que tem sido
porém o que são as incertezas
senão uma múltipla escolha
escolha esta que não está
apenas a cargo do destino
mas também de nossas convicções
pena alma triste!
chora no teu leito
e reflete!
de que valeria a vida
se ela fosse tão fácil
jogando um jogo
que não se sentisse
o prazer da vitória
da luta vencida
assim são nossas vidas
uma batalha incessante
com nós mesmos
com nossas incertezas
com nossos medos
Boemia
No limiar dos dias
Ao cair das noites
Fatigados pela agonia
Dos perdidos amores
Monstros repugnantes
De paixões ardidas
Pobres almas torpes
De poucos pudores
Não há mais música boa
O picadeiro arde em chamas
A apoteose é um fracasso
E o vinho é regurgitado
Assim vem a decepção
Do fracasso diário
Da vida não vivida
Da noite mal dormida
Falta Água
No mundo a fome cresce
O suco gástrico entorpece
A cabeça amadurece
Flor de arranjo floresce
No mundo a ambigüidade aumenta
A trivialidade é uma tormenta
Na Bíblia o Eclesiastes comenta
O horizonte cinza aumenta
Ainda se sente fome, ela cresce
A retórica comenta
No estômago...
...o suco gástrico entorpece...
... a fome aumenta...
e você murcha...
Porque como planta, faltou água...
... ó sede de amor.
Finados
Finados é um bom dia
Dia do saudosismo
Dia das velhas bebidas
Dia cinzento e frio
As lembranças afloram
E a saudade toca
O velho amigo, o velho parente
Que em paz descança
Finados é o dia da certeza
Que vamos descançar em paz
Fala-se tanto em paz na morte
Que me pergunto se há paz antes dela
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