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AMOR INSANO
Ah, Quando um Lobo caminha
Sobre abismos sinuosos de uma Loba
Na noite enluarada de ousadas lambidas, mordidas...
Grunhidos e uivos de Macho e Fêmea sob o cobertor de estrelas
Seus sons são a música que os mesmos dançam
Música feita de sons, cheiros, fricção de pele contra pele,
Hálitos quentes de um prazer animal na noite fria
Toda energia de um amor insano cheio de instinto e intensidade
Ah, quanta loucura na noite enluarada
Hálitos densos viajam na madrugada
Voláteis como a insanidade dos dois
Desaparecem no pensamento
Ah. Quando um Lobo caminha
No deserto de dunas ondulantes de uma Loba
Na noite fria e seca de calor e fogo, lambidas, mordidas...
Grunhidos e uivos de Macho e Fêmea sobre o pó do deserto
Suas securas e suas sedes exalam de suas peles
Como se fossem nascentes de um oásis de prazer e loucura,
Matando a sede dos dois e relaxando seus corpos afoitos
Quanta energia de um amor insano cheio de calor e vontade
Ah, quanta loucura na noite enluarada
Hálitos densos viajam na madrugada
Voláteis como a insanidade dos dois
Desaparecem no pensamento
(09/04/2001)
DE TANTO AMAR
De tanto Amar
Minha Vida se fez Mar
De Tanto Amar
E minha vida carregar
Que minha vida se fez Mar
De tanto Mar
Minha vida se fez Amar
De tanto Mar
E minha vida inundar
Que minha Vida se fez Amar
Ah... de quanto Mar
Que a Vida não se fez Amar
De Tanto Amar
Minha Vida se fez
Um Mar
(22/08/2001)
DUALIDADES
A noite é Sombria
E os ventos da mudança sopram
Em agonia
A noite é Sombria
E o desespero paira no ar
Em anemia
Mas a luz voltará
E na mistura da sombra e da luz
O Todo se completará
Por que
nada é feito só de sombra
nada é feito só de luz
quem vive só da Sombra não é completo
quem vive só da Luz não é completo
Por que
O Dia e a Noite
O Frio e o Quente
O Seco e o Úmido
O Macho e a Fêmea
Se completam um no outro
(10/04/2001)
RENASCER VERDE
Vejo a morte caindo sobre meus pensamentos agora
Olho de cima, sem desejos, sem apegos, sem paixões
somente meu espirito... flutuando...
Deitado no berço da Mãe Terra
vejo ossos que a energia da minha alma aglutinou um dia
A carne se desfez , se dilacerou, se esvaiu
como areia que se espalha ao sabor dos ventos no deserto
com ela se foram meus desejos, meus apegos, minhas paixões
agora o que me resta é minha alma, pura e cristalina
viajando no tempo espaço
Tua vida se renova em minha morte
esta é minha passagem
desses ossos... ah desses ossos, minha carne se refaz do verde
verde este que recobre o corpo da minha Grande Mãe
adormecida no cosmos, flutuando, navegando...
meus ossos se recobrem do teu verde
meu sangue se refaz da tua água
eu agora sou o verde que faz parte do teu verde
eu agora sou o sangue que faz parte do teu sangue
eu agora sou o corpo que faz parte do teu corpo
eu agora sou o hálito que faz parte do teu hálito
agora eu estou de regresso ao meu berço, ao meu lar
retomei meu xale, acolhido no ventre da minha Grande Mãe
estou emanado da tua grande dádiva de doação
na tua total entrega de amor incondicional
ungido pelo óleo do teu ventre
eu agora estou acalentado pelas batidas de teu coração
eu agora estou nutrido pelo cordão do teu útero
eu agora estou respirando pelos pulmões das tuas florestas
eu agora estou vivendo do sangue dos teus rios
Minha morte se desfaz em tua vida
oh Grande Mãe
sou teu filho, verde...
(13/04/2001)
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