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O PUTO QUE TENTAVA
Tentas-te mudar o mundo, mas quem acabou por mudar, foste tu,
Tentas-te criar um novo sistema e acabaste encarcerado, e enquanto tudo isso era feito, um puto dançava em cima da corda que divide o bem do mal, acabou por cair, mesmo ao meio da divisão, tornou-se mais um demónio de carnaval.
Tentas-te ser livre de pensamento, e inventaram uma máquina para te controlar...hipnotizado, acabaste a dançar ao luar, com uma matilha de lobos a aplaudir, com as estrelas a observar, e com a neve a arrefecer o teu espirito cansado...
Tentas-te ter fé nos teus ideais, e acabaste por cair nos mesmos erros dos outros, não foi o sistema que se adaptou a ti, mas sim o contrário...e os lobos continuaram a aplaudir, e as estrelas a observar, e a neve
continuava fria, enquanto o puto que tentava morria...sem nunca ter conseguido alcançar os seus objectivos.
PENSAMENTOS E REFLEXÕES !
Queria construir algo...um império, um mundo em que pudesse viver e governar.
Queria viver um mistério, que só eu pudesse desvendar, mas apenas fiquei aqui parado a olhar para o meu reflexo estúpido no espelho...tu estás aí pasmado, a olhar para as estrelas, o sol e a lua...nunca conseguirás perceber qual a minha causa, ou a tua, serás sempre aquele idiota ignorante, que nunca sabe quando levar a sua ideia avante, e eu estou para aqui a falar, mas devia estar calado, pois estou a ficar farto de interrogar o meu reflexo no espelho, há quem fale para as paredes, eu falo comigo próprio, nunca descobri porquê, acho que é para nunca me sentir só.
Nunca ninguém teve dó desta alma que veio do pó e que para o pó irá um dia, e quando esse dia chegar, eu quero que seja rápido, a morte que não espere pelo jantar, que eu não estou para a aturar...e se ela for lenta, posso sempre aprassá-la, nunca amá-la, nem ignorá-la...mas apressá-la com uma bala na cabeça, para não sofrer mais.
Afinal, para quê nascer, se nós nascemos para morrer...e sofrer pelo caminho, não é preciso ser bruxo nem adivinho, para saber essa lei que não partiu de nenhum rei, mas sim da rainha natureza, que manda em todos nós com toda uma certeza...a nossa morte.
Apetece-me espancar o meu reflexo no espelho, que irá sempre lá estar, mesmo depois dele se partir, mesmo depois de eu morrer...o reflexo de um puto, que ficou sentado á espera da morte.
QUAL COMPLEXO DE LOUCURA ?
Criação e destruição...anjos e demónios a dançarem na minha cabeça, Deuses sem fieis e infernos sem fogos, tanta confusão e alucinação, estou a começar a cambalear com esta avalanche de pensamentos, coisas sem nexo, qual complexo de loucura, qual nação sem rei ?
Desafio qualquer lei com as minhas palavras que são feitas de tinta em papel. Descrevo a cruel situação em que a minha, nossa nação está a viver, todos temos que morrer, todos temos que sofrer, que amar e odiar, estou-me nas tintas para a tua fé, a minha está aqui a ser descrita.
Se me dessem uma nação para governar, eu não ia cair na ilusão e não vos ia enganar, pois sei que não fazia melhor que os que estão no poder, sem vos querer ofender, ou até mesmo a querer, posso aqui afirmar que tudo o que vem de cima é mentira.
Que é que estás a fazer? Não vires a página, ou então vira, se estiveres farto de ler toda esta mentira que estou para aqui a escrever, mas entende, é mesmo isto que eu quero, escrever coisas sem nexo, deixar-te pasmado, escrever cenas alucinantes, coisas que te fizessem pensar, que te fizessem chorar, rir ou dormir, não me importa a tua reacção.
Ainda falam em complexos de loucura, então e eu? Qual é o meu complexo?
Sente a secura na tua boca, morre e vive e mata e faz o que quiseres, já estou farto de escrever.
Ainda acreditas em tudo o que lês?
Qual complexo de loucura?
O meu.
Qual complexo de loucura?
O teu.
SÊ BEM VINDO !
Raios de escuridão penetram pelo meu mundo colorido, as trevas começam a engolir toda a luz, tento fechar os olhos frente a tanta destruição, mas não consigo, porque a destruição fascina-me...E então fico aqui parado a observar a morte do meu mundo, não posso deixar de observar isto...a morte fasciname...Não anseio morrer, mas sou capaz de me meter frenta a frente com a morte, apenas para lhe poder olhar nos olhos, apenas para ver qual é a sua silhueta.
E enquanto penso em morte e destruição, o meu mundo continua a ser engolido pela escuridão...pelas trevas, e eu continuo fascinado a olhar, e a adorar...sei que não é decente adorar a destruição do nosso mundo, mas eu
gosto de observar, pois o mundo foi-se com um erro, e é com os nossos erros que aprendemos...só assim eu posso compreender qual foi o meu erro.
Finalmente ficou tudo negro...como eu gosto, e aí eu voltei para o meu mundo...antes colorido...agora negro...antes vivo...agora morto.
Procuro, tacteando, uma parede onde me possa encostar...encontrei-a, encostei-me a ela calmamente, como é o meu estilo, puxei de um cigarro e acendio.
Solitário posso pensar!
Sê bem vindo ao meu mundo negro...sê bem vindo ao Inferno...
QUEM ME DERA...
Quem me dera ter a merda de um dicionário para escrever, assim talvez soubesse o que estou a dizer.
Quem me dera saber o que raios estou aqui a fazer, tento apenas viver...sobreviver, tento apenas existir, ser...tento apenas dormir descansado...mas estou ganzado...fodasse!
Quem me dera ter asas e voar, desaparecer na escuridão, gritar ao luar, uivar como um lobo...sou um bobo de corte, mas não me importo...empresta-me uma faca, que eu próprio me corto!
Quem me dera explodir...sentir um enorme calor dentro de mim...cheirar a jasmim, em vez de a tabaco...meu Deus, sou mesmo fraco, não faz mal, cheiro ao que sou, um demónio de carnaval!
Quem me dera descobrir outro mundo, lá bem ao fundo, um mundo onde pudesse nascer de novo, porque já estou farto de ser quem sou, sou uma peça, não uma pessoa, desvia-me essa luz, ou vais parar á cruz.
Quem me dera morrer, porque estou demasiado esgotado de tentar sobreviver, estou farto de lutar contra mim e...fodasse, estou a perder, quero desaparecer, estou esgotado...
Quem me dera apenas alguma coisa, apenas por querer, apenas para embirrar, apenas para não me calar...
Quem me dera...
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