A Garganta da Serpente
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Pablo Fernando
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Sentido do olhar

Será que poderia noite essa
Ser mais linda que as outras ?
Ou será o meu olhar
Notando o amanhecer da escuridão ?
Antes rodeando-me, nuvens penetrantes
Levadas pelas mãos da decisão
E esquecidas pelo sopro da razão
Será que poderia noite essa
Ter tanto sentido quanto antes ?
Ou será apenas imaginação
Do meu pobre e pequenino coração ?
Somos nós quem criamos as nuvens
E deixo-me levar então
Por palavras que ninguém me disse
Sempre soube me convencer
De que tudo começa pelo olhar
O olhar convence a mente
Que convence o corpo
Que concorda com o coração
E descubro então ...
O coração sempre teve razão
O coração sempre teve razão

 

 

O livro da vida

Olha o luar desse céu tão lindo
São coisas difíceis de se acreditar
Quando estamos sozinhos ...
Veja a vida querendo pulsar
Apesar de tudo temos que lutar
Você só vê aquilo que é escrito para você
Só vê aquilo que você quer ver
Nada é tão mágico nem tão ruim
Não lembre da pior saudade
Quando poderia fazer do sonho, realidade
Sonhar já vale a pena
Mas para bastar tem que acreditar
O que será da esperança senão aceitar ?
É você quem escreve o seu livro
Escreva com as mais belas palavras
Para que sejam sempre relembradas
O que você faria sem esperança ?
E o que seria da tempestade sem a bonança ?

 

 

Nas nuvens de Ravar

Sinto tudo o que posso querer
Mas às vezes penso em não poder
Tantas coisas sem explicação
Tantos detalhes em contradição
Eu já entendi que não posso entender
Mas quem vai me fazer crer ?
Eu não quero ser como você
Eu não quero ser como você
Que diz ... "não consigo enxergar"
Mas teima em não escutar
Você também tem defeitos
E tem seus acertos ...
Eu não posso mais esconder
O manto negro que me sufoca
Como uma folha ao vento
Vejo minhas andanças inacabadas agora
Ninguém tem certeza
Da própria predestinação
Mas a vida é uma vitória diária
E vitória diária é a sabedoria inebriada
Meu olhar instável traz desconfiança
Mas entenda ... às vezes só há lembranças
E nem tudo é tão simples
Nem tudo é tão simples ...
Ás vezes o inimigo afaga
Às vezes o amigo mata ...

 

 

Os homens

Eu sonhei com um mundo tão lindo
Que talvez nunca poderia existir ...
Com pássaros, árvores e o paraíso
Nos mostrando a natureza do juízo
Baby, às vezes é difícil acreditar
Que essas coisas podem acontecer
Pessoas se amando com todo coração
Vivendo o infinito da imaginação
Não entendo como podem renunciar o viver
Não entendo como não se perguntam o porquê
A vida vai muito além da compreensão
Mas quem me garante essa benção ?
Eu ainda vejo árvores se reerguendo das cinzas
Eu ainda vejo pessoas voltando da morte
Eu ainda vejo todo o amor em um coração
Eu ainda vejo a emoção tomar conta da razão
Você está nos incentivando
E nem está sentindo
Eu vi meu horror
E não consegui acreditar
Eu vi meu começo
E nem consegui imitar

 

 

Passado de máscaras

Lamento o olhar do seu rosto distorcido
Lamento pensar ter te ferido
Lamento todas as coisas que possa imaginar
Eu só não consigo mesmo te perdoar
Lamento teu choro fingido
Lamento ter ficado contigo
Lamento ter que te consolar
Mas o que faria mesmo era te perdoar
Já está tarde e nada está mais comigo
Já está tarde para pensar que estou vivo
Às vezes o olhar não vale o tentar
Às vezes o pensar não vale o acreditar
Mas por enquanto quero acordar, lutar
E quem sabe um dia possa até ressuscitar
Daquela morte de beirada de sorte
Só que ainda posso me lamentar
Posso te enxergar e te ver chorar
Pelo acaso mal feito do passado
Só que não quero te ajudar
Acho que tenho algo a quem amar
Algo que não pôde me dar
Você só me ofereceu um golpe
E agora só lamento ter me enganado
E pensado um dia ter te amado

 

 

(Poemas do livro "Tempo de novos dias")

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última atualização: 09.10.08
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