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AGONIA
Voz morta que
Sobe em escorpião
Pela fresta do suor.
Estrela de carvão,
O quotidiano de maldade
Num corpo suado...
Banaliza-se um
Relâmpago de aço
No tugúrio das almas.
Ossadas peganhentas
De desespero e contra-luz
Flutuam, as miríades obscenas.
Solitárias e secretas,
Como viúvas negras
Comendo maridos.
TARDE
Ainda hoje vagueia
O louco pela turba de luxúria,
Estendendo os dedos na barriga
Do anjo violado.
Na chama soturna,
Um caracol de osso rebenta
Como uma manhã fuzilada...
O anjo deitado no sonho
Da morte e do destino
Ignora o chamamento
De uns olhos castanhos
Muito abertos, sua cabeça
Imóvel eterna
apoia-se num espasmo
de excrementos.
Lentamente e muito baixo,
Um choro passa na sombra dos homens...
E o anjo louco procura em vão
Asas no cimo de dinamite.
CAMPA
No quarto do coveiro
A mulher suja rouba
Os mortos do vinho.
Uma pétala de leite
Destrói as velas e
Confirma lápides
De encontro ao deserto.
Solitária odalisca,
traduzindo os
Punhais secos na
Vereda de lágrimas...
O coveiro ébrio
Com a frieza estranha
de um animal ferido
ao pé de uma vagina
Meio escavada.
REFLEXO
Cães de vidro
Atam nós de tristeza
Num róseo altar,
Onde as borboletas
Quedam secas.
Na parede brilhante
Um suspiro rodeia-se
A tiros de pistola,
prostitutas velhas treinam
o novo esgar.
Nunca conseguiremos
Desfazer o nó entre
Terra e desespero,
Porque deus selou
veneno ás nossas bocas...
Embora isso,
Prenhes de Cristo
Os loucos tentam
Sair da negridão e do corpo.
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