A Garganta da Serpente
ajuda
 
 
  versão para impressãorecomende esta página
Noé Filimão Massango
saiba mais sobre o autor


FORAM 7 ANOS

Foram milhas de percurso
Limbo a limbo
Verso a verso
Na carestia com que se busca tal ousadia,
Foram 7 anos,
Milhas de percurso,
Verso a verso
Em Cada texto um rosto

Perdulários do nada mesmo
Viemos do nada
Do Ocidente não podemos...
Só de Matanato nossa terra natal
Em 7 anos!
Endividamos a nossa própria desgraça
E morreremos assim mesmo
Caiporas do além e do confim
Nossos barcos de papel,
Ainda temos de volta
Não aportamos em limbos
Porque sabemos onde vamos
Aqui, ali e acolá
Buscamos o retiro
Para mais um suspiro
Uuff!...
Foram 7 anos!

Em 7 anos
Quantas vezes depomos as faces irmão,
ante miragem com que desfaleciam nossos sonhos?
Quantas vezes cruzava em seus olhos
Aquele sorriso fingido meu irmão?
Quantas vezes cruzava em seus olhos
Uma lágrima que desfalecia num arco íris?
Quantas vezes irmão? Em 7 anos!... quantas vezes?
Foram 10 anos caramba!

Em 10 anos
Quantas vezes vergamos nossas pupilas meu irmão
ante o brilho candente das nossas estrelas?
Quantas vezes enterramos nossos passos
Só porque construíam um mundo a lodo?
Quantas vezes irmão?... quantas vezes?
Na ironia dos nossos versos!
Foram 7 anos!
9 anos?
Afinal quantos anos foram irmão?

7 anos
Encarnando em nós mesmos
A sinfonia das cigarras em cada solidão sofrida
O cantarolar húmido dos galos em cada amanhecer sentido
O grito inoportuno do nosso vizinho espinhado
Na nossa cidade extremamente violenta!
Foram 7 anos!

Em 7 anos,
Quantos espelhos deixaram de reflectir nas nossas faces?
Quanto brilho não vislumbrou na cor dos nossos cabelos?
Quantas bolsas não encaixaram nas bocas das nossas axilas
E quantas algas semeamos no jardim das nossas flores?
Quantos anos foram 7+7?

Na antítese dos nossos versos
Foram 7 anos irmão!
7 anos
Ao silêncio cru da luz que está por vir
Aos passos erráticos num ermo extremamente enfermo
Foram 7 anos
Ao paraíso onde o caipora nos trouxe o consolo
Mas 7 anos
Do sabor acre das palavras anatomopatológicas
Do doce da esperança que ainda está aí por vir

Mas 7 anos,
Do punho que já nos ergue irmão

Foram 7 anos
Mastigados pedra e cal
Ao sabor acre das nossas palavras sem sal
7 anos
E em cada sulco da vida que se abre irmão
Arrumaram-se os anos devagar,
Foram-se os versos irmão!
Foi se a nossa idade na ânsia

E hoje,
Estamos aqui
Do olhar já se juntam as cores
Na sombra da noite sobre as flores
Nenhuma pétala murcha nos mostram irmão
Nenhuma alga murcha nos mostram irmão
Quem não colherá de nós uma rosa?
Quem não colherá de nós uma esperança?
Foram 7 anos irmão!
7 anos!

(15 de outubro de 2004)

 

 

Nuas feiticeiras

Do verão estão completamente escaldadas
Nuas feiticeiras,
Constam das trevas do etéreo
Suas faces já não brilham mais
Seus olhos já não sonham mais
Seus corpos bamboleiam e logo se desfazem
Nuas feiticeiras,
Fazem por enquanto da faça a sua graça
Já conhecemos!
São elas mesmas... nuas feiticeiras!
São mesmo desgraças.

Nossas feiticeiras,
Constam das bíblias recentes inominadas
Fazem parte dos enigmas do presente encomendado
Oram sempre
Enjeitando se curvam de crentes
Em orações de versos torpes
São elas mesmas... nuas feiticeiras!
Já conhecemos,
São mesmo desgraças!

(24 de setembro de 2004)

791 visitas desde 8/07/2005
  menu   novidades nossos números ajuda
  a b c d e f g
h i j k l m n
  o p q r s t u
    v w   x y z

Legenda dos ícones:
  novo autor / novo poema
  autor atualizado
  autor em domínio público
  autor falecido
  trabalho premiado

última atualização: 01.12.08
1924 poetas hospedados

Esta seção está sofrendo ajustes para ampliar o espaço de poemas por autor. Por isto, você encontrará páginas no novo formato e páginas modelo antigo. Contamos com sua compreensão e pedimos desculpas pelos transtornos.

Copyright © 1999-2008 A Garganta da Serpente
Direitos reservados aos autores  •  Termos e condições  •  Fale Conosco www.gargantadaserpente.com