A Garganta da Serpente
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Ninfa
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Qualquer Dia…

Ando aqui ás voltas,
sem saber o que fazer,
estou farta desta rotina,
só me apetece esquecer.
Não posso renegar os dias,
sugam-me contra vontade,
sinto falta de uma mão,
sinto saudades da saudade.
Não me importam os olhares,
nem as palavras maldosas,
importam-me somente as tuas,
das recordações que são nossas.
Qualquer dia, perco a cabeça,
isto já me anda a chatear,
se não faço qualquer coisa,
ao hospicío vou parar,
perdida ando eu,
louca já sou também,
e isto está uma seca,
quem é que me detém.
Ando aqui ás voltas,
sem saber o que fazer,
estou farta desta rotina,
só me apetece esquecer.

 

 

O Fogo da Maldade

Tudo se apagou por breves instantes,
as lacunas que inspiraram as mentiras,
já choram de arrependimento,
porque deturparam a verdade, como se ela fosse a pureza,
clara e transparente.
E nada tem de ser assim…
Intencionalmente maldoso,
com a intenção de ferir,
nada sobrevive na maldade,
não se esquece, não se apaga, como o sopro
que mata, a chama de uma vela.
Esse sopro, poderá ser o sentimento negro,
que corre nas veias, e desvanece a luz que alumia.
Tudo fica na escuridão,
tropeça-se em pequenas pedras,
que nos fazem cair, dolorosamente erguemo-nos,
proucurando uma nova saída, uma derradeira pista,
para que o mistério de tanta injustiça, seja revelado.
Temo, que as labaredas da inveja,
continuem a pegar fogo e a alastrar
no íntimo do ser humano,
roendo e queimando as paredes
feitas de esponjas frágeis.
Temo que ninguém se arrependa e não chore.

 

 

Nesta Noite

Nesta noite tudo se calou,
só se ouve o vento a uivar,
sente-se a chuva no rosto,
e o frio que faz arrepiar.
Nesta noite, o tempo parou,
as horas deixaram de existir,
não hà nada para fazer, não hà nada para desistir.
E no breu da escuridão,
surge alguém que esmoreceu,
não conhece ninguém,
nem os que já conheceu.
Numa melodia escalabrosa,
o vento parece cantar,
na rua deserta de nada,
as árvores balançam no ar.
Esta noite, tudo se perdeu,
e nada se pode recuperar,
encheu-se de solidão,
quando o vento começou a soprar.

 

 

Teu Ser

Serei a tua eterna companheira,
da tua alma que se esconde de mim,
do teu Ser que não quer ser meu.
Serei a eterna peregrina
que te acompanhará, nas horas ternas da tua felicidade,
nas horas horrendas das trevas,
que consomem o teu corpo e o meu.
E se a felicidade não for nossa
como seres unidos num só,
então, seremos felizes nas horas efémeras
de comunhão, entre dois seres unidos
pela felicidade de estarem juntos.
E nesses momentos a minha alma será tua,
e terás dela o que quiseres,
a compreensão, a ternura e a paixão,
Como ser que te quer,
que te tem sem te ter,
que te deseja sem poder,
à tua alma, teu corpo, teu ser.

 

 

A TELA

Na tela pincelada de cores múltiplas,
reproduzia-se a sensação atroz,
da decadência, e da ausência
de cumplicidade entre os seres.
Assim, exposta na parede,
imaculadamente branca, parecia
ser a crosta de uma ferida
acabada de sarar, mas que é a lembrança,
do acidente sofrido.
A amargura presente nas cores tristes,
recriavam um ambiente de extrema solidão
e desilusão.
Do fundo da tela, sobressaía o apelo,
do que parecia ser, alguém a estender
a sua mão. Um pedido de ajuda.
No entanto, o grito inaudível,
não ultrapassava a barreira da multidão,
que a cada risco de côr,
deambulava sonâmbula.

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última atualização: 01.12.08
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