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BARRACUDA
E quando...
Na palidez mórbida daquele vidro fitado na paisagem,
Sentados naqueles bancos eternamente pregados ao chão,
Nos demoramos a incitar uma palavra, esperando,
Que na brisa daquele silêncio, tudo surgisse.
Na mesa sóbria, pousas-te tuas mãos, tímidas
Mostrando a desilusão do mundo, a incompreensão,
Uma dificuldade cipreste de viver dia após dia,
Confrontando visões, mágoas e ilusões.
Mordendo o silêncio, deixei minha alma,
A qual tomaste com garras, apoderando-te.
Uma alma em tudo tua, em tudo minha,
Com todos os dilemas, com todos os sonhos.
Pelo caminho, testemunharam as árvores
Eternamente verticais, eternamente sombrias,
Que como duas linhas, duas almas são:
Eternamente paralelas!
Abracou-nos a noite na despedida,
Que no sabor amargo do teu beijo,
Me soube à eterna partida.
Agora sou o eterno solitário,
Daquela mesa vazia.
OUTONO NOVO
Emergiu o outono,
Distraidamente do passado,
Num silêncio manifesto,
Num olhar desalmado.
Encontrou-me cansado,
Neste presente triste e vago,
Que só de pensar-te,
Tenho perto a morte.
À tua frente coloco um abajur,
Para não me ofuscares a vida,
Tanto, tanto, de não ver,
Que o mundo não és só tu.
DOCE
Trinco teus lábios como doces morangos,
Distraidamente, deixo cair minhas mãos,
Em teus seios, acariciando-os como pêssegos.
Distraído, desço em teu corpo, descobrindo
Uma nova fonte, de onde emerge o mar imenso
E onde eu me perco, entregue ao teu ser.
SE EU FOSSE FELIZ
se eu fosse feliz... tinha uma mulher chamada Maria, a desejada
se eu fosse feliz... tinha um sorriso rasgado de orelha a orelha
se eu fosse feliz... tinha um livro na mesinha de cabeceira
se eu fosse feliz... tinha no sono um bom amigo
se eu fosse feliz!!!
se eu fosse feliz... tinha-te como companheira!
RECORDAÇÕES
Caminho, junto minhas mãos,
Bem juntas e fechadas, mas,
Não consigo reter esta areia
Que se esvai por entre os dedos e
Vai ficando pelo caminho.
E choro... quando...
Olho para trás, e vejo,
Pequenos montinhos de areia.
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