NOTA ECONÔMICA
Revólver acionário
abaixa a bolsa
do empresário
e dispara a cotação
do 38 no coração
do otário
PRISIONEIROS
O que resta de Dante?
A Divina Comédia
E os restos de Homero?
Não passam de Odisséia
As palavras de Sartre
Não são Diálogos para Platão
E se melhoram a arte
Pouco servem à revolução
Os clássicos da literatura
Uma armadilha universal
Aprisionou na ditadura
Da indústria cultural
Dialética do beijo
O beijo que me liberta
Prende-me na oferta
O beijo que me procura
Esgota-me na usura
O beijo que me cala
Rouba sua fala
O beijo que me treme
Ajoelha quem me teme
O beijo que jogo fora
Tem valor na mesma hora
O beijo que tanto guardo
Não tem valor no mercado
O beijo que você despreza
Tem quem queira com reza
O beijo que você evita
Alguém espera com boca aflita
O beijo que você rejeita
Outra aguarda na espreita
O beijo que você recusa
Eu guardo, outra usa
O beijo que você espera
Não tem serventia
No mercado da quimera
É a sua mais valia
Palhaço Sorriso
Hoje, acordei inspirado:
- Vou fazer circo na praça.
Saí todo fantasiado,
gritando: - entrada de graça.
Meu nome: - palhaço Sorriso
e o meu picadeiro:
o jardim onde piso.
Minha graça: muito piada
e o meu público
adulto: molecada.
Fiz papel de idiota,
Surpresa prá mim:
Colocaram grade em volta,
Prenderam o jardim!
VITORIOSO
Sanguinário... Marche!
Cale o verso
E obedeça:
Esquerda! Direita!
Não olhe para trás!
Esqueça
Cada assassinato ou desfeita
O dever é a batalha
Sem direito à mortalha
Seja herói por um segundo
Morto como um vagabundo
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