A Garganta da Serpente
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Marina Ráz
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Este lado da verdade

No vácuo entre astros
as luzes surgem, são,
milhares, ares, aves!

Entre os dentes carrego
erro, o ego, um soluço
que no susto esvaziam.

A palavra que é carne
a berne sobre a pele.
Que alimenta o fato
do coração ser um cacto.

 

 

Batráquios terríveis

Como como um bicho faminto
como como homens não minto
canibais sempre deixam vestígios.

 

 

Pálpebra invertida

Sobre meus ombros
semeiam centenas
de tempestades.
Como se o mundo
fosse um campo
crivado de espadas.

Minha alma aplaude
"destruam esse corpo
essa casca inimiga
que me consome
...jaula de muitos metros..."

Que desfrutem, tudo,
e dancem seus rituais
sobre minhas costelas.

 

 

Descoberta, descoberta.

Tórrido o meu dedo
decreta o degredo
de todo segredo.

 

 

Árvores no peito

Que grito nasce aqui
onde habitava o silêncio?
Coleciono muitas culpas
sou sempre inquilina.

Para que guardar selos
de endereços entéricos
se há morte em tudo
e me faltam pretéritos.

A idéia me assoma
"viver não me assombra
morrer é uma sombra."

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última atualização: 09.10.08
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