|
Carta ao Leitor
Teu coração já não vê
O que tua fé não sente,
ciente, presente.
Tua veia escorre pelas veias
serpentes que teu coração já ritimado
repulsa, matemático.
Se tua alquimia já não funciona, que tal transformar ossos em
fungos?
Se é que fungo é cientificoausente, que seja
o que for; quem se importa se o nome não for claro
e improvável como Adào e eva no paraíso?
INSAUDOSA
Milésimo de segundo em que tudo deixa de ser saudade. Pequeno intervalo
de tempo em que há o primeiro pedaço de toque. Suspiro entre o agora
e os anseios. Singelo início de um profano beijo. Suor gelado brotando
de mãos descabidamente trêmulas. Vontade de dizer e calar. Calor
vindo de um algo além. Felicidade explicitada por uma feição
disforme. Espanto. Espasmo: eis nosso reencontro.
ABRAÇO
Palpitam meus cotovelos sobre seus ombros e minhas mãos se entrelaçam
na vontade de nunca mais ser um par, porém uma só acariciando tuas
costas. Estremecem minha carne e alma com os anseios de meus lábios pelo
teu cheiro. Fundem-se os sentidos. Os pelos- que tolos!- arrepiam-se em felicidade
sedenta por beijos. A língua estala no céu da boca as batidas do
meu coração, que em explosão sussurra: "eu te amo "
|