Quando
Numa noite ele a encontra ao luar
Trocam-se olhares
- Sua mão busca a dela
- Sua mão busca a dele
Trocam-se beijos
Nem vêem o tempo passar
Com a promessa de um pra o outro ligar
Eles têm que partir
- O sorriso acompanha a lembrança
Nenhum sabe pra onde o outro vai
Mas levam esperança
...
O telefone pulsava ocupado
- Ela também tentava ligar
De tanto insistir desistiu
- E ele deixou pra outro dia
Um disco ela pôs pra tocar
Ele ao violão recorreu
- Demorou, mas nos sonhos perderam-se
...outros dias tentaram falar:
um dia o telefone tocava e ninguém pra atender
outro dia o telefone ocupado...
Até que abandonaram os pulsos
(a esperança já havia morrido)
Mas há de se entender:
a esperança só morre depois que a lembrança esquece o sorriso
sorrindo sozinho.
Fortaleza
Quando a onda se quebra na pedra
O coração bate mais forte
Mas não se rende às pressões...
E mantém trancadas na fortaleza que é
as lágrimas contidas, além do medo da morte.
Insistentemente outra onda se aproxima
Ignorando o peito que grita
- Não tem pena nem de si própria,
que no arrebate explode-se as veias,
que dirá do poeta que lhe observa da areia?
...
Mas se nada a faz parar,
o coração resistirá.
e a poesia a sucumbir no mar...
Para aprender a amar
Há certas palavras que,
por serem palavras,
perdem-se no tempo,
voam nos ventos.
Para compreende-las,
precisamos tirar do peito o coração,
contra os ventos,
colocá-lo na mesa -
Implantar o amor a dentro.
...
Existe uma vida passageira,
que é a última,
por ser primeira.
Se fosse a segunda - ou terceira -,
talvez vivêssemos mais,
teríamos mais tempo...
para aprender a amar.
A dor e a pedra
A dor é pedra com pedra batendo
Presas aos cordões do tempo
Mas quem move o tempo?
As ilusões
Que são extensas
Do tamanho da distância de coração a coração
- Eles batem; movem e são movidos
A pedra parece ter o sabor da dor
Mas é a dor que tem o sabor da pedra
Porque não são necessárias lágrimas para saber que
não se mastiga a pedra
Mas são preciso lágrimas para saber que não se mastiga
a dor.