A Garganta da Serpente
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Lúcia Schinzari
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SOMENTE HOJE

Hoje eu amaria você,
sem pensar, sem pecar, sem falar nem calar,
Eu amaria você
A cada minuto, cada segundo do dia,
sem nada dizer, sem temer, sem onde nem porque,
Eu amaria você
No silêncio da noite, nos ruídos do dia,
na minha agonia,
na dor do desejo,
no mel dos seus beijos, ah,
Eu amaria você
Nos lençóis dos amantes
no meu medo constante,
loucamente, docemente, conseqüentemente, como
o amor deve ser,
Eu amaria você
Sem cobrar, sem calar, sem falar,
Apenas me entregar ao seu amor,
seu calor, aos beijos seus, que me levariam
do inferno ao céu, num minuto infinito,
num intenso grito do gozo seu,
Hoje eu amaria você
Sem parar até me fartar em seu amor,
sem ver as horas passar, e
me entregar mais e mais,
sem olhar pra traz,
sem lembrar nem pensar,
Hoje eu amaria você
furtivamente, sem me sentir indecente,
decadente, imprudente, mas,
com todo desejo latente,
sem pensar no depois,
Hoje eu amaria você
e, quando os primeiros raio de sol chegar,
e, a realidade nos tocar, sairia sem te olhar, e,
te diria, que foi apenas um engano,
Pois, já não quero mais te amar,
Mas hoje, somente hoje,
Eu amaria você.

 

 

SHOW DA NATUREZA

Pingos de chuva caindo forte no chão, numa tarde de verão,
Terra molhada,
despertando suave perfume,
Perfume de terra vermelha molhada,
Perfume de mato molhado,
Perfume de capim novo,
Perfume de flores,
Perfume de vida.

Pássaros recolhem-se em seus abrigos,
aguardando a ordem da natureza,
para prosseguirem em seus alegres vôos pelo céu,
em acrobacias graciosas.

O menino corre para a chuva,
peito nu, pés descalços,
braços abertos,
rosto virado para o céu,
pisando nas poças,
numa imensa explosão de alegria e vida,
O que me leva a refletir,
Quem sabe não me juntarei a ele na próxima chuva.

 

 

AMOR QUE NÃO PASSA

Vejo amanhecer pela janela do meu quarto
E a vida passa
Vejo raios de sol dourando o dia
E a vida passa
Vejo flores desabrochar, espalhando seu perfume no ar
E a vida passa
Vejo pássaros cantar, a construir seus ninhos
E a vida passa
Vejo o beija-flor, sugar o néctar da flor
E a vida passa
Vejo a chuva chegando de mansinho, transformando as cores do dia
E a vida passa
Vejo a noite chegar, mudando a energia
E a vida passa
Vejo o sono chegar e outra vez amanhecer
E tudo passa
Só não vejo passar, meu amor por você.

 

 

SERÁ AMOR?
 

Por que acreditas, que vou voltar para ti, falso amor?

Será que pensas, que ao ouvir tua voz doce, vou entregar-me a ti?

Será que pensas, que vou esquecer todas as mágoas que me causasse, falso amor?

Não penses, tu, que ao ouvir a tua voz melodiosa, que faz meu corpo 
estremecer, minhas mãos suarem, minha voz sumir, e que por instantes me 
farão viajar rumo ao teu corpo cheiroso e macio, onde por tantas vezes 
cavalguei, em momentos loucos de paixão alucinante, e me fizeste sentir 
mulher, na mais plenitide dos sentidos, não penses tu, que vou esquecer as 
dores que me causasse, tão pouco as lágrimas que derramei, falso amor,

Não penses tu, que se por ventura, eu fraquejar, e dizer que te amo, 
voltarei para ti, falso amor.

Não falso amor, não te quero mais, aliás não tenho nenhuma dúvida, do quanto 
sentirei a falta que faz o teu corpo no meu. Meu coração, chora a tua 
ausência, minha pele sente a falta da tua, chego até sentir o calor da tua 
boca na minha, das tuas mãos me tocando, do teu cheiro, das trocas de 
carícias, do toque dos teus dedos em meu corpo com a delicadeza de uma 
borboleta, mas com a precisão de uma orquestra, regida pelo mais experiente 
dos maestros. Me tocavas, numa sinfonia perfeita, onde cada acorde da canção 
do meu corpo, respondia na mais perfeita sinfonia do amor que me davas. Não 
penses, falso amor, que por tudo isto, voltarei aos teus braços.

Não sei se saberei viver sem teu amor, falso amor,

Não sei se conseguirei esquecer-te,

Não sei se conseguirei esquecer, nossos momentos de loucura e paixão, onde 
corpo e alma, tornavam-se apenas um, quando nossas bocas, encontravam-se na 
sofreguidão do momento pleno, onde nada mais importava, apenas nós dois, 
unidos num abraço cúmplice e silencioso até que nossas respirações fosse se 
acalmando numa emoção plena do momento sublime.

Não sei se conseguirei esquecer-te, falso amor.

Tenho apenas uma certeza, falso amor,...

Não te quero mais em minha vida. 

 

 

E minha flor murchou, morreu.

 

E, minha flor murchou, pereceu, morreu...

Que pena!

Eu gostava tanto dela, cuidava dela...

Tá certo, não era todos os dias. Mas as vezes eu jogava água, regava e até
adubava, da minha maneira eu cuidava dela legal.

Às vezes, quando a vida me era ingrata, eu ficava brava também com ela

Mas de uma coisa eu tinha certeza, ela estava lá

Bastava esticar as mãos para tocá-la.

É, mas ela morreu, pereceu murchou e sumiu.

E eu que acreditava que seria eterna.

Me enganei, que pena ela não era

E como era linda a minha flor, tão forte, serena, sábia, mas se foi...

Fico me perguntando, o que faço sem ela?

Me sinto perdida, triste, sem referência

Será que eu devia ter jogado mais água?, regado mais, adubado...

Sei lá, só sei que está difícil esta dor, que vem, tranca minha garganta,

E as lágrimas sem me pedir licença, ou respeitar onde estou ,brotam dos meus
olhos

Chegam quentes, incontroláveis e por mais que eu as sequem elas brotam dos
meus olhos sem tréguas

Sem piedade, insistem em banhar meu rosto

É, minha flor morreu

Se foi sem pedir licença, sem me comunicar, sem se despedir, apenas foi
embora, para sempre.

E eu, será que não pensou em mim?, será que não sabia que ia me magoar.

Pois é, o pior de tudo é que não vou encontrar outra igual. Ela era única.

Mas será que se eu fizer um esforço, não vou achar outra?

E me respondo, duvido, existem outras belas, cheirosas e até fortes.

Mas como minha flor.... não, não há, nem haverá outra igual.

Eu olho para todos os lados e não consigo vê-la. Não há vestígios, ela
realmente se foi, pereceu, morreu...

Mas que tola sou eu, de repente me dou conta.

Que burra sou eu! Ela não morreu, não pereceu, não murchou.

Ela está viva, ela sou eu e viverá dentro de mim, em cada gesto, cada
ensinamento, em cada palavra

Viverá em mim para sempre, através de meus filhos, dos filhos dos meus
filhos e assim será.

Que tola sou, não enxerguei as sementes que deixou, todas germinaram e deram
frutos e esses frutos

Darão mais frutos, que darão mais frutos e por tanto jamais perecerá,
acabará ou morrerá

Você Mãe, minha única e mais maravilhosa Flor jamais morrerá

 

De sua filha que sente muito a sua falta

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