A Garganta da Serpente
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Lucas de Meira
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de plantão no ano novo

Que os deuses tenham pena,
ao menos uma vez,
ou meia,

mas que tenham.

Que a vida seja longa,
a morte, breve.

Que o sonho seja grande,
o susto, leve.

Que a sorte seja sua,
mas não esqueça
de ninguém,
principalmente,
dos que não a têm.

Que eu pare de escrever a esmo,
só por ter um teclado à disposição,
sem disposição
para ser mais franco

e preencher este agonizante branco
com coisas menos coisas,
um tanto reais.

Ser obrigado a estar à toa,
enquanto o tempo voa,
pros deuses até que é uma boa.

Pra mim,
já é demais.

Nada na tevê,
nada em você.

Quanta rima não ficou pra trás?


(Lucas de Meira)


voltar última atualização: 03/07/2009
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