A Garganta da Serpente
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Liana
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Dentro de mim…

Não sei se ouves os meus pedidos…
Se os ouves sei que nada podes fazer,
A não ser o mesmo que eu: chorar e lamentar
Ou simplesmente continuar a sonhar
Um sonho que não pode acontecer…

Olho em redor, tudo me lembra de ti;
Suspiro profundamente, sinto a tua presença
Mesmo sabendo que já não é possível ter-te aqui…
Sei que um dia lhe chamarão doença…
Por enquanto chamo-lhe um sonho incompleto
Do qual não me consigo libertar;
Um futuro incerto, um longo deserto
Que, sozinha, terei de atravessar…

Na minha praia deixaste pegadas
Que o mar não conseguirá apagar
Na minha lua deixaste estrelas apagadas
Que, cegamente, ainda sonho vir a alcançar…
Ainda procuro uma voz, um rosto
Que me façam sentir perto de ti;
Ainda divaga um eterno desejo
De reencontrar quem, um dia, perdi…

Dizem que não há nada que o tempo não cure;
Que as ondas da vida trarão nas asas do tempo
Outro alguém que ocupará o teu lugar…
Mas acredito que tão sublime sentimento
Jamais alguém poderá igualar…

Não sei se me escutas…se me vês…
Há dias em que penso que sim
Porque te sinto dentro de mim…
E, por mais distante que estejas,
Mesmo que não me vejas,
Mesmo que tenha sido o fim,
Para mim estarás sempre vivo
Porque sei que vives dentro de mim…

(15-07-03)

 

 

COM PALAVRAS...

Com palavras me deixaste para seguir o teu caminho;
Com palavras me tiraste o que nunca foi meu...
O que eu vi crescer e cuidei com tanto carinho,
Dando a minha vida a quem não me entendeu...

Com palavras doces me ajudaste a erguer,
Me levantaste do chão e me levaste ao céu
E, também, com palavras me ensinaste a te perder
E, me devolveste ao chão que, outrora, me pertenceu.

Por fim fechei os olhos para lá da muralha
Que construíste com parte da minha dor,
Com cada beijo que me roubaste sem amor...

Uma lágrima no meu rosto agora se espalha;
Desaparece o teu abraço que a alma me agasalha,
Por entre a minha Lua nua, agora, sem cor...

(20-02-04)

 

 

A ti, Flávio...

Depois de voltas ao pensamento, imergi minha alma no papel;
Procurei, sem cessar, as palavras submissas e caladas
Mas como por feitiço, estas pareciam evadir-se, apavoradas,
Esgueirando-se por ruas estreitas, como que fugindo de algo cruel...

Com toda a amargurada alma e o cortês coração me tentei esmerar,
Tentando realçar a desígnio do acto! Se o resultado não se tornou distinto,
Profundamente lamento não ser apta de expressar tudo o que sinto,
Mesmo sendo tão desmedido o significado da palavra amar...

Fica, ainda, sempre muito por dizer, por sentir e por mostrar
Quando com tuas rebeldes palavras, tocas minha alma desnudada,
Sempre pensativa e aluada, perdida e achada numa encruzilhada...

Afagando, à distância, meu corpo invisível deixas sempre a desejar
Tua forte presença, no intuito de, sem mais perda de tempo, dilapidar
A dor de enfrentar sem ti um futuro incerto e uma álgida madrugada...

(14-02-03)

 

 

Hoje...desisto!

Hoje não estou, não me sinto! Não me existo!
Fechei-me na concha, bem no fundo do mar,
Apenas olho em redor e me limito a odiar,
Já que amar não me é possível...desisto...!

Desisto de procurar o que sei que não vou encontrar;
Desisto de tentar acabar o que nunca começei,
O que apenas sonhei e, sem sequer ter, tanto amei,
Tanto desejei, como a lua que deseja o mar...

Hoje não penso, apenas relembro o que já passou!
Não choro, apenas me escorrem lágrimas de dor
repletas de sonhos dilacerados e feridas de amor!
Hoje não sou eu, sou ninguém que em mim estagnou...

Hoje é como um ontem, como um amanhã
já tão vivido, sentido, tão perdido e esquecido;
Hoje é uma página branca no meu livro entorpecido
onde guardava as minhas mágoas pela fria manhã...

Hoje sou o nada, sinto o nada!E o nada é tudo isto
que vejo, que sinto..que futuramente verei e sentirei
na vida vazia que levei e forçosamente levarei...
Ontem tentei, joguei e perdi!...Hoje...Desisto!...

(28-02-2004)

 

 

Cérebro Ruim

Por vezes posso jurar que acredito que o teu cérebro ruim
Tenha sido mesmo reduzido ao tamanho de uma ervilha,
Que a tua mente tenha ficado presa, sozinha, numa ilha
E, que só resta o teu patético corpo aqui a vaguear sem um fim!

Poderá também surgir a hipótese de teres sido possuido
Por uma força maligna vinda do teu próprio inconsciente
Débil, esquartejado pela estúpidez a que te tornaste dependente,
E a quem juras fidelidade eterna como um oprimido...

Aos meus olhos és um coitado com pena de ti próprio,um galdério!
Afogado no teu exorbitante orgulho que não consegues engolir
Dilacerado pelas tuas palavras ocas que muito me fazem rir!

Julgaste rei, nobre, fidalgo, soberano do teu próprio império;
Capaz de decifrar e entender tudo o que seja considerado mistério,
Menos, pois claro, o mistério da tua sanidade que se parece extinguir!

(28-02-2004)

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