A Garganta da Serpente
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João Andrade
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Sozinho, em silêncio,
encaro-me.
Encaro o reflexo
da minha nudez.
Resoluto sigo
deixando o espelho
impregnado de talvez.

(Para Alzeneide)

 

 

O que mais me preocupa
ou incomoda
é como manter o equilíbrio
quando já me cortaram a corda,
é como preencher o vazio
quando ele transborda,
é como não se atirar nos abismos
quando se ama a trajetória da
queda e se odeia a borda.

 

 

Abençoados
sejam os bobos!
Enquanto a vovozinha
se diverte com o lobo
diante do espelho,
Chapéuzinho
se espanta
com o vermelho

 

 

Por ser amorfa a forma
adaptei a norma
e transformei em exceção
a lei que me transforma.

 

 

O nosso amor
perdeu a chama,
a luz que me revela.
Restou-me a escuridão
e o desvario,
um cais em silêncio,
adeus sem lenços,
horizontes sem navios
O nosso amor
perdeu a chama
e fiquei a ver pavios.

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