O IPÊ ESTÁ EM FLOR
O ipê está em flor.
Nos galhos vicejam cores.
É primavera: coração a pulsar.
Amar, em pensamentos absorto.
Morto, simplesmente não.
Oscilo, mas não vacilo.
Vejo edifícios que são,
No vão, mera coisa inerte.
Solerte, minha mente aporta
À porta da exaltação.
O ipê está em flor.
No broto fragrante e lascivo
Reavivo o pulsar do universo.
O verso deságua na doçura
Da jura de um verão.
(27.09.2002)
ABERTO, NO CÉU...
Aberto, no céu,
O teu longínquo olhar...
De amores e abraços,
A vagar e vasculhar
Nos etéreos espaços.
Aberto, no céu,
O teu caminho na vida...
De desenlaces a fio,
Por essa terra prometida:
A alma assim no cio.
Aberto, no céu,
O teu inefável desaperto
Sorvendo esse universo...
E no coração um aperto
Urge o AMOR no verso.
(05.09.2002)
HÁ EM MIM
Há em mim
A fragilidade do Universo
Presente e irrefutável
De exíguos espaços
Entre o Não e o Sim
Há em mim
A sensação de Entrega
Alentadora e inalienável
De veludos raros e rosas
Que ainda não senti
Então
Esboço um sorriso
Vendo o sol a deslizar
Mais uma vez
Na quietude da noite
Milenar
Onde afogo
Apago todo
Apego
E por fim afago
O novo sonho
Que há em ti
(25.07.2002)
SEDUÇÃO
Sedução
Vi nos teus olhos
Os abrolhos da paixão
Sedução
Senti nas tuas mãos
Os vãos da emoção
Sedução
Sorvi os teus vinhos
Nos desalinhos da doce visão
Sedução
Respirei na tua tez
A nudez do teu coração
Sedução
Lembrei-me Amor de ti
Assim sem mais explicação
(05.07.2002)
ANTES
Antes,
Bem antes de virar a página,
Preciso dizer que amei...
Amei sem reservas, a todos,
Nas minhas presenças e
Nos meus êxodos no desvão:
Antes, sempre aqui, todos estarão...
Antes,
Bem antes de ir-me no porvir,
Preciso dizer que sonhei...
Sonhei desmedidamente, tudo,
Desde oásis até veredas,
Labaredas nos lábios e no olhar:
Poentes apreendidos no além-mar...
Antes,
Bem antes de saber quem sou,
Preciso dizer que nada fui...
Nada fui para encher-me, ávido,
De todas as emoções da vida,
Que puderam caber em mim:
Antes, em ti, ser o SEMPRE sem FIM...
(14.05.2002)