A Garganta da Serpente
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Leandro Ilek
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LEMBRANÇAS DA MINHA TERRA

Minha terra não tinha nada,
Somente um monte de sujeira.
Minha terra era grande, porém, suja,
Onde os urubus se aglomeravam.
Minha casa era de papelão,
Presa com tiras de nylon, tiras firmes
para que o vento não as levasse.
Nada era bonito, mas era minha terra.
Minha terra era uma terra escura,
Minha terra não era só terra, era lama,
Como óleo queimado dos carros novos.
Minha terra tinha óleo de carro.
Ai... minha terra, como eras minha,
Nunca tive dinheiro para te comprar,
Então soterraram, fizeram lojas,
E nunca mais pude passar.
 
 
 
 

LÂMINAS

Eu vi os anjos brincando na minha varanda,
Eles tinham asas de seda e cantavam músicas celestes.
Anjos, tragam minha vontade de viver.

Lua de sangue, Lua sangrenta,
Dê-me a escuridão da noite sombria,
Onde não penso, somente durmo,
E os relâmpagos cortam o céu como flechas errantes.

Eu sou um garoto, meus pés doem,
Eu sou uma garota, meus vestidos se rasgam.
Era tão bonito sonhar, eu acreditava em sonhos,
Acreditava que um dia seria feliz.

Sinto em minha pele, o vento sopra sobre as feridas,
Elas sangram, eu lamento minha vida doentia,
Numa cama eu perco minha virgindade,
No mundo perco minha pureza e minha alma.

Pai, já vi uma arma na sua mão,
Mas pensei que era um brinquedo,
O barulho assusta.
Mãe, se pudesse me amar...
Como meu presente teria sentido.
Deus, eu pensei que seria livre,
Mas para tudo eu precisava de dinheiro
que perdi a vontade de ser livre,
Perdi meu jeito livre de pensar.

Eu, um dia vi anjos na minha varanda,
Eles tinham asas de seda e punhais na mão,
Eles se cortavam em brincadeiras maduras mas sangravam como crianças.
 
 
 
 

LINK-VIDA
 
Naqueles mesmos quereres,
Pensares, fazeres ou algo do tipo,
Qualuqer coisa para se lembrar deste seu amor
é a solução para lembrar de si mesmo.
 
Nada é difícil quando se quer,
Fazer é fácil quando esperado retorno,
Mesmo que este não venha, e você saiba,
Compreende que nada passa desapercebido.
 
Lutar se trona lei, regra inalterável,
Ou simplismente um motivo para se viver,
Pois atualmente existe tão pouca coisa boa
que devemos inventar.
 
Devemos nos afastar da falsa alegria,
Do vício atordoante, abalável, destrutivo,
Algo semelhante a uma bomba
que só explode psicologicamente.
 
O hoje é hoje, amanhã, ontem,
Simplesmente pelo fato de já sido vivido
ou com possibilidades remotas de seu acontecimento
fatal, anormal ou ressentido.
 
Não haverá mais imposição, só democracia,
Falar poderá ser possível, sem exageros,
E quem sabe neste Link-vida haja rede,
E esta rede passe por todas as mentes do mundo.
 
 
 
 

SEM ARREPENDIMENTOS

Por que lhe ouviria?
Por que lhe ajudaria?
Apenas lhe digo que não mais serei teu então.

Você com suas manias,
Perguntas desprovidas do bem,
Mas tudo bem, eu acho ao certo,
Tão certo que nascem de irracionalidade.

Na cama, meu amor,
Ao teus pés, escravo.
Estou tão farto do seu fardo de ordens.

Nunca mais me sentirá,
Nem em sua nuca sensível onde busquei teus desejos,
E os encontrei.

Não lhe ajudarei,
Mas lhe direi um sim,
Sim...plesmente estou indo enquanto você adoece.

Podre, incurável, imperdoável,
Impossível lhe escutar.
Tenho como honra me virar e partir,
Sem me arrepender.

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última atualização: 14.11.08
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