A Garganta da Serpente
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NOVAS DESCOBERTAS

Mantém-se a constância nas refeições
Se matutinas ou vespertinas o cardápio é ímpar
Constante também é o lugar alojado
E inconstantes são as novas descobertas.
Na calma para observar ao redor
Descobre-se a tradução da paisagem local
Reforma-se e constrói embarcações
Para antigos e recentes navegantes.
Os esqueletos de navios esquecidos confessam
A cooperativa de pescadores que abriga
Novas almas impressionadas que pasmam
Cargueiros, petroleiros e passageiros que passam.
Chegam e saem com suas sirenes malucas
Impressionam pela beleza e dimensão
E navegam sonhos aventureiros em Guaiúba
Atrás da montanha da ilha do farol
Cercada de pedras a praia de areia branca
Mar calmo e de fracas vagas sem espumas
Ambienta um refúgio familiar
De idosas senhoras e mulheres de canga.
Das alturas do azul, o sol escaldante
E a beleza mágica desse cenário
Se fundem num rosto pintado e olhar franco
Que a dor da saudade na areia branca espalha.

 

 

POESIA AO MAR

Enfim nas plácidas ondas da diva
Os olhos festivos pousam
Enquanto os homens sonham
Esperanças mantêm-se vivas.
As pedras que a rua cobrem
A desolação do vazio do lugar
Os joelhos à lua se dobram
Os pobres poetas ousam sonhar.
De tudo que a vista vislumbra
Retém-se na cor do olhar
Vultos se dando à penumbra
Poesias devotas ao mar.
Reparte-se em grãos de areia
Certos que vão aos castelos
Desposados de lindas sereias
Ao mar deslumbrante e belo.

 

 

NA PRAIA DO TOMBO

Ao lombo da bicicleta
Os anseios da madrugada
Arrastam os pés no salão
No embalo de uma noitada.
As casas a beira do mar
Na orla da Praia do Tombo
Enquanto faz versos ao luar
Que abafa o brilho do farol
Vislumbra as vagas noturnas
Na madrugada regada de vinho
O reflexo da lua nas águas
Elegante apontando o caminho.
Para que não se percam os navegantes
Que rolam nas vagas do novo dia
Aliciando casais ao mergulho
A um brinde de água salgada e fria.
O poeta rabisca ressentido
À distância e a saudade da amada
Suspirando paixões doloridas
Espalha lembranças nos seios da fria vaga.

 

 

COISAS DE MIM MESMO

De cabeça baixa eu passei
E nem cumprimentei o porteiro,
Alguns metros adiante
Dei-me conta disso,
Voltei e me desculpei.
A escala, os reencontros,
Os apertos de mão,
Os como vai... Feliz ano novo...
E de volta à rotina
Cá estou eu numa mesa do refeitório
Rabiscando a esmo
Coisas de mim mesmo
Para minha posteridade.
Trabalho ao anoitecer
Logo no final da tarde!

 

 

NO REFEITÓRIO

O que se passa na mente
Desses bravos combatentes,
Enquanto mastigam as horas
Remoendo os minutos,
Que degustam os segundos distantes,
Para que à distância que os separa do lar
Seja breve como um gole de refrigerante?
Talvez passa a lembrança azul
Da mesma obscura oscilação das vagas,
Quando não há banhistas ou embarcações
Para embalar e acalantar,
Talvez passa a saudade num barco à vela
De onde acenam os pais... Os filhos...
Os amigos... Os amores...

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última atualização: 26.08.08
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