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O Ibope é ouro
A burrice em coro
E o pobre mata
Na TV bom moço:
O ancora é farsa
Ninguem percebe
E nem dislumbra
Cadê a puta?
Cadê a bunda?
Aí neguinho
Chama a vovó
Que lá na Grobo
Tem Chororó
Aí tiozinho
Chama o Zé
Que lá no quatro
Tem tiro até
Mas que alívio
Alguém me chama
Já lá no morro
Tá tendo samba!
Prazeres que aqui começam
Oh Lua, imortal
Vai sem pressa
Que te amo
No Bem
No Mal
Do dia que me apareceu
À noite que ainda mais
Assim
Jamais.
Minha Lua,
Continuo aqui a te dizer
E tu a me escutar
E eu a perguntar
E tu a responder.
Triste noite das paredes
Por esconder-me a Luz...
Reinando nos campos
Vivendo na embriaguez das festas abertas
Morrendo na janela das loucuras desse hospício
Rimando o propício:
Casais nas varandas
Borrachas no asfalto
¿Que me diz da púrpura
Passando sob o concreto?
Lá no alto
As muralhas
São barreiras...
Não vôo
Não chego
Hoje
Lua
Ao teu amor.
Lua cheia
duma noite chuvosa...
Mas que péssima situação!
Mais uma vez
escorrem lágrimas
que descem as escadas
e morrem no porão.
Mas que bela paisagem!
diz a dama da chuva,
Ra Dix Ra
envoca-me o Eu
Aqui jaz mais um aquário
movido de chamas
alimentado de gotas flamejantes
por outro louco
debaixo de ti
Lua,
dementes aparecem
como peixes que caçam
palavras molhadas
sem o brilho da morte
nem o grito da dor.
Agora a maré se foi.
Calma a noite inicia o alvorecer
pois começa o fim
arrancando-me o entorpecer.
Vão todos se "fudê"!
Lua, sua aura alimenta
Morrendo no pensar!
Tua chama é reflexo contínuo
Vivendo sem parar...
Das perguntas sem respostas
Tu vens para me explicar
Das batalhas sem vitórias
Seu consolo é uma glória.
Me pairando sempre atenta
No relaxo da paisagem
Na doçura da viagem
Nessas garras que sustenta.
Oh Lua, já das muitas que te falo
Vem a mim dois olhos negros
Que pra ti eu desmascaro.
Da clareza que rebate
Teu lado negro ninguém sabe.
"Minha eterna amante, Lua"
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