A Garganta da Serpente
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Hanjo
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Teu amor me completa.

Incompleto esse é o termo exato em minha vida,
Minha estrada incompleta se perdia em caminhos incompletos,
Em caminhos escuros e distorcidos por sonhos incompletos.
Por tantas horas e minutos deixei interminados meus planos. Incompletos.

Agora quando nasce sempre um novo dia,
Completa-me a luz do sol a luz de seus olhos, a luz dos olhos morenos,
Dos olhos amantes que deixou meu incompleto mundo, um mundo repleto.
Um mundo mais cor, mais amor, mais flor, sem dor, sem medo. Completo.

Rainha você, rainha que me olha e me sorri, que me ama. Que me completa.
Regina Claudia, Claudia Regina, rainha dos olhos de luz, sorriso dourado,
Incompleto, esse era o termo exato em minha vida antes de Regina, antes de Claudia.
Antes de nascer em minha alma o amor novo, o amor de novo.
Antes de nascer de novo, antes de eu morrer e nascer em seus braços, abraço novo.
Dizer: amo-te não tem lugar, não tem razão, amo-te é pouco ou quase nada.
Pois tudo é pouco quando tudo já é tudo em você.

Você é tudo que completa aquilo que era vazio, aquilo que era nada.
Você é tudo que antes se perdia e se morria em nada.
Dizer amo-te não se pode, se deve! Se deve dizer completo amor por você.
Se deve amar-te como amar é vida, é Claudia é Regina. Te amo, você me completa.

 

 

Cicatrizes.

Estou doente,
Há rachaduras em meu corpo,
Cicatrizes em minha carne.
Há uma escuridão rastreando minha alma,
Estou doente realmente, hesitante.
Não há força em meus lábios,
Somente o esquecimento
E a lembrança de um outro sorriso.
Estou redesenhando minhas prioridades,
Buscando novas forças,
Novos motivos no curso de minha vida,
Minha estrada.
Estou morrendo, então.
Reconhecendo finalmente
Aquilo que já não se esconde mais.
Há rachaduras em minha alma,
Cicatrizes em meu corpo.
Há uma escuridão rastreando minha estrada
E não há retorno,
Estou morrendo, então. Não há retorno.
Há cicatrizes, cicatrizes em minha alma.

 

 

Desejo de morte.

Estou sofrendo hoje
Overdose de desprezo por tudo que há em mim.
Um frio repetitivo nos ossos reavisando uma fantasia de morte.
Estou sofrendo hoje.

Há muito uma lamina cortou minha alma silenciosa
E retirou dela gotas de sangue púrpuro,
Gotas de veneno de cor púrpura.
Orvalho maestro da noite que se acaba,
Madrugada de um enfermo moribundo.

Inferno, lua no alto da fronte de um deus descabelado
Enciumado por tua beleza duradoura e aterradora. Senhora ultima fantasia.
Diz um poema minha querida em meu ultimo descanso,
Diz uma musica cantada e falada e cheia de amor e pouco conhecida,
Diz uma canção em minha triste hora, diz minha bela e eu serei feliz.

Estou sofrendo hoje o que já sofria ha mil anos,
Vontade de se acabar em prantos e enrolado em mãos silenciosas
E adormecidas, em mãos de noites e despedidas em mãos de morte
E em mãos tão pouco fracas e fortes e soluçantes. Estou perdido hoje, minha amada.
Estou indo na direção oposta daqueles que vão na direção oposta.
Estou sofrendo uma amargura obsessiva e uma morte andante,
Uma morte falante e uma morte em vida contínua.

Diz então uma canção confortante e sem gesto algum,
Sem dor alguma, sem voz alguma e sem medo algum.
Diz minha amada um poema de vida e um beijo de anjo,
Diz com seus olhos que estará aqui e mudara o silencio,
Diz que já não há tormenta e não há desculpas.
Diz uma musica eterna e me imunize das sombras.
Diz um gesto pequeno e me enterre no sal dos fantasmas delirantes.
Diz adeus então e diz que eu fui e não fui pouco, fui em vão.
Estou sofrendo agora um instante qualquer em uma noite qualquer,
O que já sofria há mil anos, desejo de morte.

 

 

__PEDRAS__

CARLOS TEM UMA PEDRA NO CAMINHO,
MUITAS PEDRAS TÊM, CARLOS, NO CAMINHO.
EU NÃO AS VI, NÃO AS SENTI...
E ME FERI, NÃO SÓ COM PEDRAS, CARLOS.
MAS COM O CAMINHO TAMBÉM.
NÃO ESCOLHI A ESTRADA, MAS AS PEDRAS.
ESCOLHI O ERRO E NÃO O ACERTO.
APAIXONEI PELA PEDRA, MEU AMIGO CARLOS.
MAS PREFIRO, AGORA DIGO SEM DUVIDA, A PEDRA.
DO QUE O CAMINHO SEM PEDRAS,
ELA ME CONTENTA, ME CONFORTA.
É CERTO QUE NÃO ME OUVE, NÃO ME VE ESSA PEDRA,
MAS EU NÃO SEI CAMINHAR SOZINHO,
E QUANDO EU SINTO PEDRA, SINTO VIDA.
TEM UMA PEDRA EM MEU CAMINHO,
UMA PEDRA TEM EM MEU CAMINHO.
EU SOU FELIZ POR ESSA PEDRA,
PARECE ESTRANHO, CARLOS,
MAS ELA É MEU CAMINHO.

 

 

metamorfose

Há tantas linhas cruzadas,
Espero que ainda possa existir tempo para mudar.
Te espero em sua casa, em sua sala, dentro de seu quarto de dormir,
No crucifixo de madeira na parede sobre a mesa,
Olhando para o alto, para o chão sob seus pés,
Onde busco suas mãos, crisálida de olhos castanhos.
Borboleta de asas redondas, a regente de meu peito.
A maquina do tempo não funciona, não posso voltar
Ao dia da mudança, não consigo te transformar.
As linhas estão cruzadas e vou me perder no seu tempo,
Esse tempo não foi meu, talvez até o final...
Borboleta em meus olhos, fantasia do meu deus.
Não consigo mais te ver. A areia da ampulheta escorre em minhas mãos,
Entre os dedos se despede sem pedir, não se retém.
Não olhou em meus olhos nem em minha boca se deitou,
Colocou meu retrato pendurado na parede,
No crucifixo em seu dedo uma promessa de retidão,
Areia em meus olhos úmidos. Adeus a uma jóia, adeus, adeus,
A Deus te converti, em um Deus te transformei e como tal me castigou.
Crisálida esse meu amor. Agora, borboleta minha dor.

(não poderias nunca em anjo transformar te. Mesmo porque anjos não existem. Mesmo assim creio que sejas um, embora não acreditais em mim)

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última atualização: 09.10.08
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