A Garganta da Serpente
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Frassino Machado
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FESTAS POPULARES OLISSIPONENSES

I

Manhã quente e abafada, mês de Junho,
p' las ruas e avenidas da cidade
meninas e meninos sem idade
e povo mais que muito como um punho.

É dia treze, tudo em pandemónio,
ninguém pregou o olho toda a noite
que a farra sob o nome de Sto. António
castigou todo o corpo num açoite...

Qual foi a Marcha ontem vencedora,
qual foi a Marcha ontem mais jeitosa,
digam lá, quem as viu, como acabou ?

Mas ninguém recordava ali na hora
pois, p' lo 'feito daquela noite airosa,
em todos, foi o Santo que ganhou !

II

Meu Santo, santantoninho,
não te vás embora já
bebe aqui mais um copinho
até chegar a manhã.

E meu povo foi dançando
p' los passeios com carinho
uns a rir, outros chorando,
meu Santo, santantoninho.

Anda no ar suave aroma
bifana fresca acolá
ó meu Sant' amigo, toma,
não te vás embora já.

Ali, ao fundo, na viela,
na cascata há rosmaninho
não receies a piela
bebe aqui mais um copinho.

Dizem qu' o Santo deitou
o corpo no velho sofá
e com alguém dormitou
até chegar a manhã !

(In AS MINHAS ANDANÇAS)

 

 

HOMENAGEM A CAMÕES

NO
DIA DE PORTUGAL


Camões, ó eterno luso
caído em desuso
por esse país,
não há aí quem chegue
nem nunca consegue
à tua raíz !

De espada na mão
seguiste lutando
como bom guerreiro
de orgulho real,
de pena na mão
seguiste cantando
os feitos grandiosos
do teu Portugal.

Camões, ó eterno luso
caído em desuso
por esse país,
não há aí quem chegue
nem nunca consegue
à tua raíz !

Tuas rimas de oiro
souberam levar
a todos os homens
mensagens de amor,
tuas rimas de oiro
vão continuar
a ser ainda hoje
o que há de melhor.

Camões, ó eterno luso
caído em desuso
por esse país,
não há aí quem chegue
nem nunca consegue
à tua raíz !

(In CANCIONEIRO)

 

 

PALAVRAS SINGELAS

(em homenagem a Eugénio de Andrade)

Quiseste ser este o mês
em manhã fresca de Junho
renasceste uma outra vez
para novo testemunho !

Tua vida foi viagem
por palavras bem singelas
p' ra nós todos a mensagem
por veredas paralelas.

Mãos suaves coloridas
traçando linhas direitas
tudo simples como as vidas
em poéticas perfeitas.

Palavras de água fluente
num olhar da cor do mar
com sonhos feitos de gente
sempre pronto a navegar.

Poeta de vida jucunda
nascido p' la noite dentro
geraste raiz profunda
com brilho forte no centro.

Poeta de alma e sinfonia
batuta solta e coragem
sonoridade e harmonia
na mais afável miragem.

Quem Eugénio não entende
por ter postura suave
vê-se que não compreende
da poesia o milagre !

(In ODISSEIA DA ALMA)

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última atualização: 01.12.08
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