A Garganta da Serpente
ajuda
 
 
  versão para impressãorecomende esta página
Francisco Córdula
saiba mais sobre o autor


TALVEZ UM DIA

Marca, que fica no destino, sem futuro
Obscuro murmúrio, do medo intacto
Tácito cálice de veneno mortífero
Esperando que mais sangue, seja derramado.

Marca, força reprimida, estopim do latifúndio
Vidas exauridas sem dor, nem prantos
Na carnificina que se tornou o campo
Quantas Margaridas serão necessárias?
Para acabar as sucessivas batalhas?

Marca, facultada, na ponta da navalha e nos tiros da doze.
Grilhões da covardia descambada
Quantos Chico Mendes, serão necessários?
Para dar um basta a estas Chacinas?

 

 

PEDAÇOS DE MIM

Quero chegar ao infinito!
Driblar os aflitos,
Tropeçar nos obstáculos
Cair, me levantar
E tentar tudo de novo.
Equilibrar-me como um trapezista
No picadeiro da vida.

Desfrutar da energia
Que sempre carrego comigo, em algum lugar de mim
Encontrar meu espaço no universo
Sempre sendo eclético
Para não definhar e morrer...

 

 

OS LADOS DA VIDA

Que elevem a mentira ao quadrado!
E deixem, a vida se tornar um teatro
Teatro mascarado e mentiroso em cada ato
Usando maquiagem exagerada e sem graça
Para uma platéia, com expectativa de gargalhada
Mas será uma comédia ou tragédia?

Nem o autor sabe, vai escrevendo de improviso
Um roteiro patético e cínico
Levando ao ódio e ao riso
Mas sempre na falsidade, sem medo
Ou receio de atropelar alguns atos
Nem receber nenhum ultimato
Que o faça parar, em seu triste espetáculo.

O que o encheria de orgulho?
As palmas ou as vaias?
Isto ninguém sabe.
Constatado apenas o mergulho no delírio
Onde a mentira se torna fato aceitável
E ainda que após, baixada a cortina.
Sem estrelato, ou brilho em cada ato
A realidade se mistura ao teatro
Fazendo de fatos, um grande espetáculo
Sem separação do teatro ou do real
Tudo surrealista, entre sonho e abismo.

Mas num repente cai o pano
Mostrando a nua e crua realidade
Sem volta para lugar algum
Com apenas um caminho a ser seguido
Sempre em frente, sem volta, pra sempre
Entre a loucura e a morte.

 

 

O AVESSO

Por trás de cada gesto
Se apresenta uma intenção
Gesto que pode ser leve ou brusco.

Por trás de cada intenção
Existe um dilema
Intenção que pode ser boa ou má.

Por trás de todo dilema
Existe uma sombra
Dilema que pode ter muitas faces.

Por trás de toda sombra
Existe possibilidade de dor
Sombra produzida por pequenos fragmentos.

Por trás de toda dor
Existe a esperança
Dor que se dilui com o tempo.

Por trás de toda esperança
Existe uma vida
Esperança, que nunca deve se esvair.

Por trás de toda vida
Existe um espírito.
Vida, significado maior de todo ser!

 

 

NOUTROS TEMPOS

Horizonte revelado, elevando a existência
Do ser, que deplorável, sobreviveu a sua sina
No inexorável final dos tempos
Sem mais lembrar, a profundidade da vida.

Quais não serão as descobertas de tal época
Ou revelações, alarmantes no futuro
Num furo de reportagem de um matutino
Levando o desespero, ao que resta do mundo.

O eclipse ocular, a cegar visões, menos realistas
E as previsões, assim se confirmando
Como num filme, velho e mofado
Passado em um projetor de igual teor e valor.

Restarão, filósofos e visionários
Num sofrimento vislumbrando, o que restou do mundo
Como se tudo acabasse na véspera
Deixando a surpresa e a perplexidade...

422 visitas desde 1/07/2005
  menu   novidades nossos números ajuda
  a b c d e f g
h i j k l m n
  o p q r s t u
    v w   x y z

Legenda dos ícones:
  novo autor / novo poema
  autor atualizado
  autor em domínio público
  autor falecido
  trabalho premiado

última atualização: 01.12.08
1924 poetas hospedados

Esta seção está sofrendo ajustes para ampliar o espaço de poemas por autor. Por isto, você encontrará páginas no novo formato e páginas modelo antigo. Contamos com sua compreensão e pedimos desculpas pelos transtornos.

Copyright © 1999-2008 A Garganta da Serpente
Direitos reservados aos autores  •  Termos e condições  •  Fale Conosco www.gargantadaserpente.com