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IDIOSSINCRASIA
Amargura, paladar
suor de mágoa
pele fria
um réptil se aquecendo
ao sol das sete horas
NOITE
Lá vem minha namorada
sem corpo e sem calor
trazendo a pontualidade do destino
na substância do silêncio
NOITE II
Noite belo-horizontina
rogo meu lamento à tuas meninas
graciosas em malícia juvenil
O sabiá-laranjeira te chama
encimando a palmeira anciã
enquanto espia flores de ipê-rosado
Penetro displicente em tuas entranhas
sorvo em ti os fragmentos de um futuro retorno
e agora, teu desprezo já não incomoda
TENTATIVA
Ontem eu cheguei sozinho da rua
olhei ao redor da noite
colhi a tristeza em flor
e não vi ninguém por perto
Ontem eu calei a mágoa
diante dos fantasmas de sempre
já não havia pessoas no mundo
e a noite morrera em meu corpo
Ontem... eu cheguei limpo da rua
LIMITE
Tenho um demônio pálido no sangue
toxinas febris, ralos vapores de éter
o corpo não suporta amor
chumbo derretido nas pálpebras
tosca cena de fuzilamento
a morte é coisa delicada
o corpo não suporta amor
(Poemas do livro "Vida?")
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