A Garganta da Serpente
ajuda
 
 
  versão para impressãorecomende esta página
Flávio Bertola da Fonseca
fale com o autor


IDIOSSINCRASIA

Amargura, paladar
suor de mágoa
pele fria
um réptil se aquecendo
ao sol das sete horas
 
 
 
 

NOITE

Lá vem minha namorada
sem corpo e sem calor
trazendo a pontualidade do destino
na substância do silêncio
 
 
 
 

NOITE II

Noite belo-horizontina
rogo meu lamento à tuas meninas
graciosas em malícia juvenil

O sabiá-laranjeira te chama
encimando a palmeira anciã
enquanto espia flores de ipê-rosado

Penetro displicente em tuas entranhas
sorvo em ti os fragmentos de um futuro retorno
e agora, teu desprezo já não incomoda
 
 
 
 

TENTATIVA

Ontem eu cheguei sozinho da rua
olhei ao redor da noite
colhi a tristeza em flor
e não vi ninguém por perto

Ontem eu calei a mágoa
diante dos fantasmas de sempre
já não havia pessoas no mundo
e a noite morrera em meu corpo

Ontem... eu cheguei limpo da rua
 
 
 
 

LIMITE

Tenho um demônio pálido no sangue
toxinas febris, ralos vapores de éter

o corpo não suporta amor

chumbo derretido nas pálpebras
tosca cena de fuzilamento

a morte é coisa delicada

o corpo não suporta amor

 

 

(Poemas do livro "Vida?")

427 visitas desde 8/07/2005
  menu   novidades nossos números ajuda
  a b c d e f g
h i j k l m n
  o p q r s t u
    v w   x y z

Legenda dos ícones:
  novo autor / novo poema
  autor atualizado
  autor em domínio público
  autor falecido
  trabalho premiado

última atualização: 14.11.08
1908 poetas hospedados

Esta seção está sofrendo ajustes para ampliar o espaço de poemas por autor. Por isto, você encontrará páginas no novo formato e páginas modelo antigo. Contamos com sua compreensão e pedimos desculpas pelos transtornos.

Copyright © 1999-2008 A Garganta da Serpente
Direitos reservados aos autores  •  Termos e condições  •  Fale Conosco www.gargantadaserpente.com