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Juventude Manifesta
...O amanhã está ai!
(Mas, e daí?)
Nem por isso eu vou
ceifar meus desejos,
vou remir ideais,
rejeitar sonhos,
rasgar versos...
Não vou deixar que o tempo passe
sem que prove de cada dia
o melhor ou pior
de cada anoitecer.
...Quando o amanhã chegar
eu vou seguir em frente,
sem temer pelo gesto
de assumir a todos os meus atos!
'Vou varrer o pó da nostalgia
e vou encher de realidade
minhas fantasias'
Vou viver sem medos,
sugar o tempo
e morrer feliz...
OverKill
Habita-me a vida
a vida translúcida e fastidiosa
réstias de sol que por vezes me invade
causando erupções em meus dias
dias mornos de inverno
frias noites
(camas vazias, copos vazios, palavras vazias)
dentro da noite, o ócio fugaz da partilha
do beijo sem prazer, do fazer sem prazer
do prazer de partir - alívio
olhares mudos, movimentos surdos
tragi-cidade,
tráfego de corpos sobre as calçadas
de corpos uns dentro d'outros, de bocas com bocas...
.....................................................
Habitam-me sonhos
sonhos que por vezes transbordam
invadem a realidade, raros e velhos
sonhos como roupas desbotadas
esquecidos em algum canto da memória
rápidos lampejos de alegria,
risos embriagados de sentimentos
tolos e insignificantes,
deliciosamente prazeirosos
vagão da memória,
compartimento de loucas razões
em certo tempo, certa saudade,
certo momento, certa vontade,
certo de que nada se apaga
tudo se perde, tudo deve-se perder...
Yid-há
Se mesmo o instante
sendo insensato eu aqui permaneceria
pois mais que de mim eu daria
para viver em tua companhia
se despertas o amor em minh'alma
é porque tu o cativastes
e não queira opor-me restrições
pois ao coração nada se nega ao fim do dia
chegando a noite
corpos cansados
pedem um pouco de paz
e na penumbra do quarto
vou permear minhas fantasias
junto à teu retrato
não permitas meu amor
qu'eu me perca solitário
sem o calor dos lábios teus
se me deixares assim
estarás condenando um homem
estarás cometendo um assassinato...
Um Mea Culpa
O que há mulher
que você já não me liga mais
não pergunta por meus atos
não vigia mais meus passos
você agora é fria
e não me pede mais trocados
acha que pode passar os dias
sem me contar nada de novo
não prefere a minha companhia
do lado esquerdo da cama
nem ao menos dos meus atrasos
você me pergunta mais
e quando eu começo um assunto a toa
você finge não me ouvir
agora virou leitora
e sempre tem um livro
a frente do rosto
para que eu não possa
mais olhar em seus olhos azuis
nos fins de semana
já não me reclama
da televisão e do futebol
me esquece lá no sofá
e nem ao menos
me faz o jantar
onde foi parar seu ciúmes
sua critica aos amigos meus
já não reclama do hálito da bebida
nem do cheiro do cigarro
parece até achar que agora
está fazendo um favor
estando do lado meu
estou preocupado mulher
não quero o fim de nosso caso
mas tampouco posso viver
com alguém que me ignora
que faz com que eu seja nada
dentro de minha própria casa
a persistir esse dilema
terei que tomar uma decisão
ou saio e não volto mais
ou volto e não lhe encontro aqui
agora vou sair
só volto ao anoitecer
quero encontrar quando voltar
a mulher que me amava
e que tanto ignorei
o quanto a amava também...
Trilhas Urbanas
Trilhei a pedra esculpida do tempo
em busca da nuvem branca da paz
rezei uma prece sem fim
em busca de um caminho a sós
mas na dúvida acabei em seus braços
foi leve o sonho que tive
e leigo meus objetivos
amei na forma bruta
sem contemplar o tempo
que passou lépido por nós dois
já caminhamos de mãos dadas
e nosso filho estava por ai
não sabia se sorria ou se fugia
nunca assumi grandes causas
nem tão pouco fui um eloqüente ditador
queria que você me abandonasse
queria chorar um pouco sua falta
e depois continuar a viver
nos mesmos moldes do passado
ao invés da soberba de todas as noites
migalhas, sobras do banquete de outros
todavia não estava triste
e isto é que me angustiava
a certeza de que amanhã tudo estaria igual
não haveria o incompleto a procura de outra
seria um corpo cansado debruçado sobre você
eu não me dispus a essa vida
casado, não sou uma pessoa feliz
sou apenas um inválido
um homem de poucas palavras
e muitas caminhadas
teria que partir
teria que dizer ao mundo
que o meu mundo não é aqui
que em minha estrada não há uma casinha
onde um dia o homem entre e não queira mais sair
é apenas uma noite
e meus passos me levarão logo ao amanhecer
os caminhos que sigo, não sei,
vou sem a prece de minha mãe
que sempre pede
que eu volte um dia
mas eu sei que nunca irei voltar
vou virar esquinas
e esquecer pessoas
vou amar e, contrariado
chorar a perca do que nunca me pertenceu
esquivo vou plagiar a noite
e escalar montanhas onde eu possa ver a lua de perto
no imaginativo vou viajar o mundo
e ser muito feliz....
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