A Garganta da Serpente
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Fernando Moraes


(sem título)

A rosa da morte,
a rosa negra,
serpente do deserto,
sobre o túmulo.
Sob a cova,
os ossos e a carne débil.
O cheiro pútrido do homem,
se confunde coma roda de urubus.
A mulher de preto chora,
a bolsa esconde a arma.
Os que estão ao seu lado choram,
suas mentes escondem a conspiração.
os demais não choram,
sob estes não tenho nada a dizer.

 



VER (IMAGINAR)

Creio não ser capaz de ver,
mas, apenas imaginar o mundo.
Inventar cada curva ou reta,
inventar seu problemas,
fantasiar com suas virtudes (quais?)
concebê-lo todo.
No mundo onde não sou rei (nem o quero ser),
não passo de um pedante moribundo,
um bêbado que vê (imagina), ouve, fala.
Concebido para morrer, assim como todos,
eu sou e deveria ser visto (imafinado) como igual.
Na verdade esse rei (o qual eu nunca vi),
deveria ser deposto, que seja assassinado.
Que venham os anarquistas e vejam (imaginem) isso.

 



LÍRIOS

Os lírios já estão mortos,
os dedos, mesmo que paralisados tocam as cordas.
Os intermináveis campos,
os quais não sei se só existem em minha mente.
Sempre num entardecer ensolarado,
com um vento brando o direcionando,
e duas pequenas garotas deitadas.
No céu cinza, que parecia chorar,
de forma secreta, me respondia a razão de tudo e de todos
Nos campos não havia flores,
as pequenas garotas estavam mortas, e o campo negro.
Sou diferente, sou rejeitado.
Os lírios já estão mortos, o velório.
As duas pequenas garotas se levantam, a redenção.
Eu em sento na terrae vejo o fim do interminável campo.
Duas pequenas garotas correm em minha direção,
cada uma possui uma arma,
elas a apontam para mim,
e atiram.
Talvez agora esteja vivendo um sonho.

 



SUICÍDIO

As rosas sangravam seu odor,
e homens sangravam seus pulsos.
Os espinhos ferem o ar,
que com rispidez atravessa o mundo.
Da janela quadrada o sigo até meus olhos enxergarem apenas folhas caindo.
Eu corto meu pescoço com um fio de cabelo. Abro minha alma.
A seiva jorr da árvore e toca o chão duro.
Bebês choram.
Eu grito!!
As pessoas distribuem seu amor.
Vendem em garrafas de vidro,
ficam ricas e morrem de ódio.
Na estrada, um crânio,
já enraizado muda a paisagem.
A grama é roxa,
como a terra verde e o céu negro.
Estrelas cinzas.
Meu dia é dor.
O piano anuncia,
talvez o sol nasça esta manhã,
talvez eu esteja morrendo.
As virtudes que possuo, são tragadas pela terra.
As caixas empilhadas,
marrons e sujas. Me sinto melhor assim.
As pedras vertem sentimentos,
da profundidade que estão são sensíveis.
As rosas não as cortam.
negras, do suor da terra, do tempo.
As veias já secaram,
todo o sangue se espalhou pela sala.
No corredor,
os crânios formas fileiras,
e os tiros já foram dados (cabeças abertas).
Quando será o próximo suicídio?

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