A Garganta da Serpente
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Felix Dictaeus
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o eu que escreveu
aqui tecido morreu
aqui escrita e velada
uma vida à procura
de uma leitura
que já cedeu

se lida cada letra
do seu corpo vibra
arde a vida tingida
aqui noutro coração
porque vida alimenta vida
emoção comove emoção

se lido segue o inscrito
redivivo
não lido seu tecido expira
absorto

 

 

o mar de mel
o meu no seu
o mal do eu
o mel no sal
a mão do ver
o meu no céu
o seu no véu
o sim do ter
o não do sol
o som de ser
o meu o seu o céu o mar
   o ar
      o ir
         o vir
            sentir
               calar

 

 

nada apaga essa vaga palavra: navalha
clara que dança balança em alva
rápida manhã de pensares leves
que nem aquele vento quente que vem
e temem estepes perfume agreste
enternece cintila silencia o mito
do dia: via febril que vira a sina
do fogo oco da noite no longo fosso
nos olhos no rosto no dorso do tolo
crepúsculo flutua luz lúgubre que
reluz no lúdico túmulo de tudo

 

 

olhar
de dentro
pra fora
(interesse)

olhar
de fora
pra dentro
(indiferente)

olhar
de dentro
pra fora
adentro
(passante)

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