A Garganta da Serpente
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Felipe Ribeiro
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"La Rosa"

Sorrisos onomatopéicos
duma pálida rosa
abri-te então as pétalas
em orvalho, em orgasmo
goza

Fiz-te a copa meu ninho
esqueci-me de esquecer
que rosas tem espinhos
aceito que assim há de ser

ela gemendo gemidos cálidos
a olhar-me quem sou dentro e fora
depois como nada ocorrido, seus lábios
me beijam e vão embora

 

 

"Não feche tua porta para mim"

Sozinhos nascemos
assim crescemos
e aprendemos a não confiar
em ninguém

A inocência perdemos
nos sentimentos vemos
lamentos e veneno, tememos amar
vivemos sem

E agora vem você pedindo que eu abra minha porta
na minha retina apenas resquícios duma visão torta
onde tudo é exatamente o que parece ser
cada homem uma ilha, entre quatro paredes a viver

Não olhamos para trás
não olhamos para dentro
não nos lembramos mais, quer saber
o que estou vendo?

Uma criança chorando por que você não a escuta
na solidão serena de quem finge ser surda
Porque tudo que te machucou quando o universo eram
só jogos e gritos no quintal
Uma criança chora em você, porque você ficou igual

Sozinhos nascemos
assim crescemos
o resto escolhemos
Sim!
Não feche sua porta para mim

 

 

"Assassinos do silêncio"

Assassinamos o silêncio em rimas a cada segundo
tirando dele o espaço,pondo poesia no mundo
Silêncio são como dragões entre entulho
pureza que queima entre névoa de barulho
Nós caçadores que quando o achamos
De tanto buscá-los sai um grito: "EU TE AMO"
aí eu choro porque não mais o há
fico sozinho a ouvir tudo e tanto sem nada escutar

 

 

"Perguntas e Respostas"

Perguntaram-me sobre que são minha poesias
não são sobre as coisas, mas as coisas em si
questionaram ao palhaço por que chorava e nunca ria
Disse compreender as piadas que conta
Indagou-me por que da não rima, aquele que me lia
a rima é para mim a exemplificação da utopia
onde há só consonâncias em justaponto
mas sabemos o poeta e o palhaço que na vida não é
assim
O poeta é operário
o advogado o contrário
a poesia está crítica
e o palhaço que consegue rir
seguiu sua ascensão social pelos palanques da política
a revolução permanece porvir
como o pão de cada dia
Perguntaram-se do sentido disto tudo?
Eu também não me perguntaria

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