A Garganta da Serpente
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Francisco Bernardo
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CAMINHO

Caminhava eu por um caminho,
a que uns chamam vida, outros destino,
quando junto á berma a vi, grande e frondosa,
(a árvore do amor),
protegendo sob os galhos uma rosa.

tão linda que logo do caminho saí,
suas pétalas carnudas toquei
e cheirando o seu perfume tão volátil,
me perdi.

e se virem, meus amigos, neste mundo,
um caminho sem o dono sobre si,
saibam que esse caminho já foi meu
e por ter visto a árvore do amor,
o perdi.
 
 
 

NAUFRÁGIO

Afogo-me em mil marés de saudade
que te trazem e levam com a lua
em mil molhos atraco o coração
e o amarro em pedaços de ti, nua

Os teus braços são minhas amuras
onde me apoio sobre o abismo negro e frio
e olhando-o num constante desafio
baloiço no amor, doces agruras.
 
 
 

FLÔR

Doce caricia de escrever
no teu corpo de mulher
um poço de sentimentos
onde os meus e os teus lamentos
breves murmúrios, se encontram.

E nas colinas que me ofereçes
onde rezo as minhas preçes
onde o suor é paixão
colho pétalas de amor
umas tiradas dos lábios
outras caidas no chão.
 
 
 

FENIX

Não temo a morte
pois é esse o valor da vida.
Não nascemos todos nós
para curar essa ferida?

Não morremos nós
todos os dias
abandonando o corpo vão
em prol das nossas fantasias?

Repousando na mortalha dos sonhos
fechados na noite fria,
esperando sem saber, a madrugada
revivendo com o nascer do dia.
 
 
 

LUAR

O fumo ondeia no ar
rodeando os picos áridos
das iris turvas que te contemplam.

Do lago limpido
de águas claras e macias que sustentas
transbordam duas lágrimas em flôr
que me apresentas
numa bandeja de prata
brilhante como a lua
que reflete a triste realidade
do amor esquecido.

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última atualização: 01.12.08
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