A Garganta da Serpente
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Fábio Y. Nakamura
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sonido
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e

volta, re-voltarebaterenascereverbera!

recua
ecoa
eco
eco
ec
e
.

 

 

Bixo Grilo

boca bixo grilo que só canta
encantado de vida solta
boca molenga de tanta tarde verde
nos longos dias dóceis de vento vivo
bixo solto, bixo do mato, bixo bom
bixo grilo!

 

 

Romance ideal (?)

Um dia vieram os romances
E muitas horas de deleite debruçado sobre prosas romanescas
Aventuras de açúcar e papel

Era tempo de heróis hipotéticos, hipnóticos, impossíveis
Era tempo de sonhar em livros
Era um século morno

...


hoje eu ligo o televisor
os olhos capturam!
tudo veloz voraz volátil - global
é zap zap zap:

novela

sangue - aos montes

bundas

auditório (muitas bundas!)

jornal

comida

fome

reality show!

hoje eu sou o herói
quero tela plana
e um controle remoto universal.

 

 

O esquecido

- Me ajudem

que meu filho é esquecido da cintura para baixo

e nem se lembra de si e da vida
caminha solto em lugar outro que não este
corre e brinca e cai e levanta e é feliz, sorri
mas então acorda e se esquece,

que meu filho é esquecido da cintura para baixo.

 

 

Bolinhas de gude

Em criança brincava com as bolinhas de gude,
Elas não rolavam o chão a brigarem no bate e bate barulhento
Tinha-as somente aos meus olhos e elas me davam alegria,
Quando meu olhar as atravessava com ímpeto infantil
A vasculhar planetas, asteróides, cometas e vazios imaginários,
Eu fazia dos vidros-bola, meus vidros-espaço-universal

As bolinhas de gude me faziam um medo feliz
E a felicidade era o deleite de horas paradas
A ter assim, todo o faz-de-conta orbitando em minhas sensações

As bolinhas de gude eram meninas como eu
E eram crianças lindas e desprevenidas
Vivendo e vivendo muito,
A vida que agora me faz visitas soltas e ligeiras
Em noites de sonhos puros.

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última atualização: 01.12.08
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