A Garganta da Serpente
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Eugenia Sánchez
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Ibicuí

Existe um lugar
Onde a vida não passa,
Onde habitam fantasmas
Que alegram minha alma
E me trazem de volta
Os bons tempos da infância.

Por mais que o progresso
Insista em matá-los,
Como bravos resistem
Mantendo vivos
Os sonhos mais loucos
Da laje segunda,
Onde habitam sereias
Que tornam mais doce
A vida real.

Lá onde o tempo não passa,
Onde a vida renasce a cada segundo
Trazendo de volta minha alma
No mundo de fora perdida.

 

 

Velho veleiro

Meu coração é um velho veleiro
Que ao sabor dos ventos
Do teu bem querer navega.

Por vezes garboso a singrar os mares
Com as velas infladas pelos carinhos teus,
Acredita que o oceano é pequeno
Pro seu imenso querer.

Porém, quando a calmaria chega,
Segue sem rumo em mar aberto,
Sonhando o dia de em teus braços aportar.

 

 

Ah! Coração...

Ah! Coração valente
Que em silêncio sofre a ausência do teu.
E segue apostando no sonho,
Guardando a esperança
De um dia ser parte do teu.

Ah! Coração destemido
Que se lança ao mar dos teus desvarios,
E na inquietude da tua alma cigana mergulha.

Ah! Coração delirante
Que bate pelo momento de encontrar o teu
E se embriagar com teus beijos,
E em tuas carícias perder-se.

Ah! Coração Poeta
Que acredita no sonho,
No encontro de nossas almas
Perdidas de tanto sonhar.

 

 

Amor das marés

Entrelaçado ao mar segue nosso amor.
Fluxo e refluxo,
Movimento contínuo das marés...

Na preamar,
Acariciada pela espuma suave
Que me envolve e aquece,
Minha alma sorri plena de ti.

Mas quando chega a vazante,
Levando-te para longe de mim
Meu coração sangra e
Em silêncio chora a ausência do teu.

Eterno ciclo da natureza sábia e cruel,
Que nosso destino uniu,
Ao fluxo e refluxo, ao amor das marés.

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última atualização: 29.08.08
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