A Garganta da Serpente
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Eliane Rubim
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Resposta de Eva

filho-da-puta
das costelas que me concedeste
uma enfiei no cu do teu deus
a outra me masturbei

Mas em ti habitava a sífilis
herdada de tua mãe virgem
e do teu pai capado

Fiquei doente presa
no eterno
a luz babilônica
resplandeceu
devorei o mundo
gostei dos gozos profundos
Teu destino profanado
O único choro e gemido
que escuto
são os cá meu lado

Divino, porra nenhuma!
pecas em estar
cristalizado no ressentimento futuro
Toma de volta essas costelas
mal-amadas
Não careço de restos
para dar-me aos homens

 

 

A Cor da dor

Faltou o doer da perda
(azul tristeza)
Bate prazer, vermelho gozo
A memória derme, geme roxo

O insulto daquele rapaz bruto
não é pancada rasa
é dar de costas mudo
A memória cede, cor de choro

Maneira sinestésica para a violência
qual ri.
O azul é fase nobre
dos hematomas que não chegam a doer.

 

 

A(stro)nomalia

Por que foguetes
não encontram planetas?
Pedras?
Sujeira?

- Analisar o nono universo
Encontrado no meu segundo
dedo
Planeta Mofo

Quente
Úmido
Silencioso

"olá"
pára-raios descartáveis
Não habitável
(por mim)
não explicável
(ao sim)
ciência maçante

Por que dançarinas
se comportam à mesa?
Cega
Viva

Quando a janela se fechou
Usei outro espelho
Visões de dentro
do teu seio
São fedidos
- Os corredores que não vejo

Ventilado
Habitável
Perigoso

O alvo não está puro
O vestido da menina
Radia ouro
Ela está próxima
do canto
Para dançar

Por que as memórias
se preservam caducas?
Ácidas
Denúncias

Na cavidade lunar
Ficaram marcados
- todos passos elementares
Não tem cor
sorrisos falsos
(como tudo que assim o é)

Corrompido
Eloqüente
Genocida

Elongação entre mim
e os ditos buracos
O colar
Que guardaste em meu pescoço
"Esqueci de te contar"
o perdi
me foi roubado
pela goela do poço.

 

 

Recorte

O céu multicores
virou fotografia
mil pedaços (quebrados)
da beleza da dor
e ela dor mia (minha, só minha)

pássaros não voam
por esses dias
O movimento foge do absoluto.

 

 

O Cheiro do ralo

Com a cegueira
aprendi a amaciar minhas mãos
curar os calos
lavar os sonhos.

Paro por instantes
e tento ouvir os gritos.
São dores endurecidas
amaciadas pela cegueira.
Aprendi a cantar nossos hinos
de louvor à terra
de louvor ao Messias que peca

O belo sorri e chora.
Eu apenas contemplo
sem criar calos nas mãos.

O silêncio soprou
E eu não posso dizer mais nada.

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