A Garganta da Serpente
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Claudia Sleman (Rahna)
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HEMATOPOÉTICO

Espremo versos
E rimas...
E sonhos...
Entre meus dedos hirtos
E disformes
E tudo o que brota
É este sangue espesso
Com o qual tinjo
Todas os muros
Que me cercam...
Todos os rostos
Que me fitam...
Todo o dia
Que me envolve...
Todas as flores
Pelo chão...
Tudo se torna rubro, então:
Os versos...
As rimas...
Os sonhos...

(- E este ar quase irrespirável...)

 

 

HORAS MORTAS

Luzes apagadas...
Um cheiro de mofo
enche todo o ar.
O relógio se
arrasta tedioso
pelas horas pardas.
E meus olhos não
param de chorar.

O cinzeiro cheio
das cinzas de mim
mesmo. Rebotalhos
do que já se fora.
Cinzas de um amor
de mim apartado.
Sonhos de cetim
que embora se foram.

Sentado no velho
sofá, olho para o
nada, assistindo a um
filme do passado.
Nada mais me importa.
Sou um ser fatigado
que vive só. Apenas
destas horas mortas.

 

 

AÇO

Eu sou o ferro e o fogo
Com que se forja
O aço da lâmina
O aço do corte
O aço do amor
O aço da morte
O aço da ironia
O aço do Ódio
O aço do temor
O aço da elegia
O aço da bravura
O aço do dissabor
O aço da ternura
O aço da covardia
O aço do terror
O aço da amargura
O aço das palavras duras
O aço de toda dor
Eu sou esta liga ainda fumegante
Que habita em mim...Está em tudo o que faço..
Eu sou o ferro... Eu sou o fogo...
O próprio aço!

 

 

A VOZ DO SILÊNCIO

Não entenda este meu silêncio como
Vazio... Ausência...
Aguce a audição e perceberás
Ruídos em efervescência
Rumores...
Os mais diversos ecos... Sons...
Ouça o silêncio...
E escutarás apressado, batendo,
Um coração.
Este silêncio esconde um turbilhão
De sentimentos...Desejos... Lamentos...
Com todos os sentidos, sinta o silêncio...
E saberás o que ele oculta,
Com muita precisão.
Porque dentro deste silêncio
Há um grito longínquo... imane...
Que não se cala... Não silencia...
Que se perde na imensidão...
Sinta... Perceba... Escute...
Se à voz do silêncio, prestares atenção,
Ouvirás claramente o teu nome...

 

 

ESTRADAS

Por estas estradas de terra
Passam meus pensamentos,
Meus pesares, meus lamentos
E esta dor, que ao final me espera.

Por estas estradas tortuosas
Minhas lágrimas se perdem.
E estes meus olhos sempre cedem
A visões de sílfides enganosas.

Por estas estradas imensuráveis
Vão-se todos os meus dias,
Meus anelos, minhas alegrias
E estas dolências intermináveis...

Por estas estradas infinitas
Encontro minha face obliterada,
Estas minhas frágeis mãos cansadas
De buscar-te no tempo...Vencidas...

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