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Carvalho
a prisão
de um ser em outro ser
a alegria
de fazer parte e ser todo
e não querer ser mais nada
a doce ilusão do amor eterno
(felizes para sempre)
e que orgulho quando é!
as contradições
os sapos
os vícios
o sexo
a dor
o ter
o ser:
você
Versos de Adeus
Assim gostaria que fosse
o nosso último adeus
Que seja simples
pra não deixar rancor,
Mas não tão simples
que não existam dúvidas
Pra que sempre se saiba
o quanto valeu
Mas é preciso também coragem
para que seja definitivo
para que possamos caminhar
e seguir sem medo
de uma nova vida
Não deveria existir dor
mas, se disso não podemos fugir
quero também o perdão
Pensando bem,
o perdão deveria vir
antes de tudo
porque no fim das contas, meu bem
nada foi mais forte
do que o bem
que fizemos um ao outro
Gostaria que fosse suave
lento
quase imperceptível
para não transformar o amor
em raiva
Para que a dor não leve
o que ficou de bom
Matar o amor lentamente
para não morrer de amores...
E assim ficamos...
nos versos subentendidos
de uma mágoa que nunca houve
nas saudades desentendidas
e profanas
que não deveriam existir
no amargo fim
que não pudemos evitar.
Interior
Uma varinha mágica
Um gênio, um amor
Um bilhete de loteria
Um insight que alterasse a história
Uma estória bem bonita
e cheia de mensagens subliminares
tão reveladoras que nem o autor conseguiria entender
Um comprimido que me tirasse desse mundo
fechado
contido
abafado
enclausurado
E me fizesse respirar de novo
Finalmente
Em paz
Areia de pedra
se eu fosse poeta
se soubesse escrever
escreveria um poema de uma só palavra:
saudade
uma palavra que já nasceu poesia
com essa palavra escreveria tantas outras
e estas
falariam de tempos idos
de felicidade, alegria
e de quando eu ainda podia acreditar
porque o sonho ainda era realidade
com as letras
desenharia um rosto
e com palavras conseguiria descrever
a explosão de emoções que pode estar contida
no exato momento do nascer do sorriso
mais belo
as frases,
estas seriam dedicadas àquilo que acontece
quando se confia no amor
se esse poema acabasse aqui
então não seria saudade
mas ele não acaba
exatamente da mesma forma
que o mundo não acaba
quando os amantes assim querem
o poema agora
é rasurado
pela vida
nele falta um pedaço
e depois do pedaço perdido
apenas uma palavra
que já nasceu poesia
Dorothy
novo dia na cidade de braços abertos
que se fecham,
esmigalham
o pouco que restava
ainda
insone
espero e procuro a cidade de pedras
que ainda estará lá
imutável em sua ebulição caótica
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