A Garganta da Serpente
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Christiane Odete de Matozinho
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excessivamente lasciva em verde fluorescente

lembrar dele é arrepender-me do que não fiz
do que não quis
deveria ter permitido hipérboles
caberia
não permiti
arrependida anos luz- um ano
percebo que devia ter dado o excesso
dado ao excesso
chistes, pistas, beijos e paixão.
meu mal é sempre essa porra de razão.
meu bem é ele.
ele está em outra
está com outra
e chama essa outra de "meu bem"
não sei do excesso deles mas o meu não é bem assim.
o meu excesso é ser o seu mal
seu bem
seu tédio
seu médio
sua puta
sua escuta
sua casta
que o mata
ser o reverso, poros que disparam adrenalinas e versos vermelhos, certezas, levezas,
fardo que se carrega nessa lesa vida.
ser a sua argila, o seu concreto, versos duros que quebram quando batem naquele seu nariz duro de estátua.
ser reticência nessa reminiscência que ele virou em mim.
mas o meu excesso ainda espera
enquanto ele exercita a sua continência nela, outra.
o aguardo inteiro com olhares green- day a transbordar em minhas sardas castanhas e pés colados embaixo da mesa.
inteiro.
só eu.
só meu.
daquele água ainda beberei
mas não enquanto ela estiver naquela bacia.

 

 

Sempre obtuso cheio de cantos e obscurescências.
Sempre com explicações para tudo como um prosaico-ortodoxo-froidista
Sempre extenso, explicativo, quase redundante
Não caio mais nos teus labirintos de palavras
Nem nas desculpas e nos seus álibis
Que meu nó é simples á espera de dedos simples
E lá vem você com seu trator prolixo a tentar massacrar minha inteligência
Chega de papo que pra mim isso é conversa pra boi dormir
Ou como você prefere, "prosopopéia flácida para acalentar bovinos".

 

 

ideograma invertido com "B" maiúsculo

eu mesma,
ontem,
meio gueixa sem queixas,
orientei seu coração .
erra mais não ,
erra mais não ,
olhos semi cerrados pra te enxergar melhor,
menino grande que me cabe folgada ,
pra te ver ocidental com previsões acidentais.
eu sou proposital ,
eu sei ,
eu sei .
pode ser que isso não passe de um ideograma .
pode ser ,
mas eu já tatuei em mim .
tatuei achando ser.
engano se dá quando se lê .
preciso de um dicionário japonês
e um atlas dos homens do mundo pra te "fazer rodar" em alto, bom e certo som.

E você sabe o que isso significa.

Se você quiser eu escrevo. ...
mas com as unhas,
nas tuas costas,

sem problemas pra mim que não sou japonesa.
sem soluções pra ele que não é japonês.
e sem papo-hai kai, por favor, que hoje eu sou mais palavrório que nunca.

 

 

E ele foi embora hoje.
Foi pra longe
onde olhos nem tangem.
Eu não sei onde é.
Levou minha mala na maior cara-de-pau,
disfarçada naquela cara-de-mau.
Foi embora e levou seu nariz de estátua
que decorava minha vida
em aromas e geometrias exatas.
Deixava sempre as curvas para mim,
onde seu corpo embricava em garatujas
ao tanger curvas e ângulos retos.
Ele foi embora com a barba e tudo.
Com as pestanas longas,
com os pavios curtos,
com as verde ocular,
com as minhas, minhas cores.
Levou meus ódios , levou meus amores.
Estou vazia.
Estou nublada.
Inacabada.
Levou até as minhas ousadias e irreverências.
Estou clichê.
"Que merda é você"
Quando disse isso a ele , era só pra pedir:
"Fica...Faz isso comigo não.
Pede pra eu ficar contigo,
ou pede pra eu ir junto.
Só não me pede pra permanecer ou seguir assim:
vazia, sem tapetes barbudos a irriçar minhas sutilezas,
nublada sem olhares green-day a colorir pardas luminescências,
parnasiana sem seus versos duros a me penetrar poeticamente
argila torta na idéia morta do escultor que foi embora.
Volta.
Me deixa cuidar da sua porta?"

 

 

"pare de fumar fumando"

sozinha, guardo migalhas da tua presença.
a bituca do seu cigarro no cinzeiro
é mais feliz que minha boca,
que anda infeliz
por não ter tocado a sua

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última atualização: 14.11.08
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