A Garganta da Serpente
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Carmen Pimentel


Poeta solitário

No silêncio, na solidão das ruas
O poeta caminha sozinho,
Caminhando por entre brumas,
Sonhando, respirando melodias.
Por essa luz melancólica e frágil
Caminha soletrando ternuras,
Beija as últimas estrelas
Com seu espírito repleto de lua.
Carrega orvalho nos cabelos,
Nas vestes sonetos e plumas.
Com sua alma feita de auroras,
Bebe a noite que finda.
Entre fragmentos de sonhos,
Solitário caminha.

 

Aceitação

Poemas de amor eu escrevo.
Envio, se lê eu não sei.
Mas sempre escrevo.
Ele quase me enlouquece
Com esse desinteresse,
Essa estiagem, essa ausência.
A distância que ficou entre nós.
Amo tanto esse homem,
Já não me importo o vexame
Que às vezes me faz passar.
Escrevo poesias desesperadas,
Falo dos desejos que eu sinto,
Escrevo coisas indecentes, imorais,
Mas pouco adianta esse furor,
Os lamentos da minha ansiedade,
O grito do meu amor frustrado.
Minhas vontades infecundas
Só me deixam em ânsias loucas.
Escrevo poemas desesperados,
Coisas de amor que imagino,
Com minha alma angustiada
Tento aceitar o meu destino
E o peso que a vida me dá.

 

Volúpia

Nossos corpos se emaranhando,
A carne febril enlouquecida,
Em juras, promessas e gemidos,
A volúpia entrou em nós noite adentro.
Em ânsias quase num delírio
Fui te desfolhando como se fosse flor.
Teu corpo surgiu, moreno, quente e macio,
Estremecendo na alvura dos meus seios,
Me perdi no perfume dos teus cabelos,
Que eu cobria com beijos e cantos.
E tu, na doce agonia clamava por mim.
Poesia viva era o teu corpo nu,
Tua boca pedia as carícias mais loucas,
Teu corpo trêmulo de desejo arfava,
Se misturando às ondas do meu...
Provei a doçura do mel dos teus lírios.
Bebi a água da tua generosa fonte.
Eras um anjo mas também demônio,
Me conduzia sem pudor, sem escrúpulos.
Eu te contemplava desvairada em desejos
E tudo em nós era pecado e fúria.
Escorregávamos em rios de estrelas
Transbordando de desejos e luxúrias.
Em nossos corpos repletos de gozos
Teu ventre no êxtase era pássaro fremindo.
Nos lançamos por insondáveis abismos,
Na procura do prazer na febre da carne,
No triunfo da luxúria, em atos desvairados.

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última atualização: 01.12.08
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