A Garganta da Serpente
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Cândido
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Tatuagens para toda a vida.

Traz a fúria felina do teu beijo
Pintada nos lábios de rósea cor
Traz a vontade de fazer amor
Como a púrpura cor do meu desejo.

Traz uma primavera de flores
Desnuda-te de roupas e tabus
Que são lindos os nossos corpos nus
Bailando a melodia dos amores.

Cola ao meu peito o teu seio macio
Sente o cheiro gostoso do meu cio
Num abraço sem conta e sem medida.

Trilhas de nossas línguas arrastadas,
Como marcas nos corpos bem vincadas,
São tatuagens para toda vida!

(11/11/2003)

 

 

No Caminho de Deus

Meu Senhor encontrava-me perdido…
A minha vida era uma encruzilhada
Vazia de amor, tão cheia de nada
Que até me abandonei desiludido.

Eu fui um barco em mar tão revoltoso
Sem timoneiro, as retrancas quebradas,
Mastros partidos as velas rasgadas
Sem um rumo nem esperanças de porto.

Me ofereceste a tua mão de amigo
Tens sido meu amparo e meu abrigo
Renovaste o meu pobre coração.

Desde que te trago neste meu peito
O meu caminho tem sido a direito
E vai sempre na tua direcção!

(23/11/2003)

 

 

Lábios descriminados

Pintas a boca de tão rubras cores
Que despertam a fúria dos meus beijos,
Avermelham as cores dos meus desejos
E libertam a essência dos amores.

Riscas, nos teus lábios, um traço lindo
Que mesmo nos momentos de tristeza,
Há ainda um assomo dessa beleza
Que nos leva a pensar que estás sorrindo.

Mas deixas os verticais ao abandono,
Como se não fossem do mesmo dono
As portas da entrada do paraíso.

Abre as tuas coxas, que o meu batom
Vais lhes desenhar num bonito tom
A verticalidade dum sorriso!

(17/11/2003)

 

 

O erotismo do amor

Com fios arrancados dos teus pelos,
Nos sítios do teu corpo mais perversos,
Teço o erotismo destes meus versos,
Como eco de resposta aos teus apelos

E com o tecido meio indecente
Que sai dos meus mais lascivos teares,
Vou costurar os lençóis que sonhares,
No puro amor que sei que também sentes.

E quem não entender os meus teares
Nem o pano dos lençóis que sonhares,
Não entende os meandros deste amor

Tecido em teares da falsidade,
Sem a lasciva da pura verdade,
O amor rasga-se em retalhos de dor.

(24/11/2003)

 

 

Tu lembras…

Tu Lembras um Castelo de Princesa
Erguido lá no alto como um grito
Com paredes de nacos de granito
E quantas vezes albergas tristeza.

És uma primavera de verdura
De ninhos de perfumes e de cores
Mas que já trazes no ventre das flores
A gestação do Inverno e da amargura.

Tu és como um palhaço, de fachada,
Que é feliz vendo rir a criançada
E vai esconder as lágrimas que chora

Eu sinto exactamente o que tu sentes
E minto a minha dor como tu mentes
Vem abraçar-me, meu amor… Agora!

(25/11/2003)

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