deixa minha cabeça em paz.
me abandona.
meu coração já não aguenta mais essa tua intromissão,
essa invasão dos meus sonhos,
nessa aparente alegria que depois se transforma em tristeza,
que toma conta de mim toda noite.
eu não posso me controlar,
meus sentimentos afloram nestes sonhos terríveis,
que meu inconsciente insiste em me mostrar.
te vejo tão bela,
tão próxima, tão minha.
nada aconteceu,
nada nos separou.
nos vemos no final do dia .
nos encontramos em casa,
dormimos juntos.
escolhes a roupa que vais dormir.
nossos travesseiros voam pelo ar,
penas e espumas no espaço,
um salto até os galhos das árvores.
situação insólita,
rimos de tudo isso.
e me conformo pois,
separação não há,
distância nenhuma,
os encontros ficam para mais tarde.
agora,
nos joelhos me prosto,
aos deuses imploro "acabem com isso",
peço entre um soluço e outro.
não posso mais acordar assim.
ver a cama vazia ao meu lado,
esperança nenhuma de te ver aqui.
não me deixem mais sonhar.
os sonhos são mais doloridos do que qualquer outra dor que eu possa imaginar.
sonhos assim são a tortura da alma,
o sofrimento do coração e o abandono que me tira qualquer calma
E corro pela noite.
As gotas da chuva batem no meu rosto.
Não penso no vento que tenta me abraçar,
gelando meu pescoço e minha alma.
E depois de percorrer a rua escura,
folhas caídas no chão, amareladas e tristes
como eu, me vejo frente a tua janela.
Uma luz bruxuleante vem do teu
quarto.
Me ocorre que estás deitada,
tentando dormir, pensando em reinos
mágicos e mundos fora daqui.
Me encosto na árvore ao meu lado e,
apesar de molhado e gelado, penso apenas no teu
sorriso.
Queria que ouvisses meu pensamento
que tenta entrar pela tua janela.
Ouve meu murmúrio que é teu nome,
minha respiração que é minha alma
em busca da tua.
A chuva continua a ser minha única companheira.
A ela se misturam minhas lágrimas, que
desaparecem junto com aquelas que caem do céu.
Depois que a luz se vai, sem conseguir
ver teu sorriso, volto para a rua molhada e para
as folhas caídas, que agora como eu, também choram.
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