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Soneto do Amor Eterno
Desejo-lhe agora mais do que antes
e menos do que irei desejar
Desejo-lhe como jamais pude amar
para em matéria sermos amantes
Desejo-lhe, então, por necessidade
de ser chama de paixão ardente
Desejo-lhe não só no presente
mas por toda eternidade
Por que amo-te com tal infinidade
como quem só pode amar assim:
onde cada instante da realidade
acaba por se petrificar em mim
com tão profunda intensidade
que nada é capaz de lhe dar fim
Escrever
Fico eu perdido aqui entre palavras
só para poder lhe escrever poucos versos
mas são tantos que já lhe escreveram
que em minha tarefa, me torno controverso
Espero que a inspiração me venha
Pacientemente, para que eu possa lhe escrever
e tentar dizer em poucas palavras
todo o meu sentimento de lhe enaltecer
Não quero que ela seja só bonita
mas preciso que ela tenha significado
não só para mim, mas para você
e que por você seja ratificado
Em tantos versos tento me expressar
para que cada palavra possa lhe seduzir
não só por um dia, nem uma única
poesia
mas em todo sempre eu consiga lhe persuadir
Por favor, acredite que isso não é
fácil
todo dia tentar ser melhor do que o anterior
e ter a hesitação ríspida que para
você
eu possa ter sido somente inferior
E assim, tento continuar a minha vida
sem nunca ter essa categórica certeza
que não deixa que minha alma se sustente
nem que eu me livre dessa fraqueza.
Aquarela
Ah! Se eu pudesse entender
essa menina que escrevo
e quem sabe talvez careço
com todo o seu me envolver
Mas tantas vezes me deixa
assim, em grande tristeza
em um vazio de incerteza
a que sem saber me sujeita
E utilizo poucas rimas
como se fossem tinta
e todas as minhas lágrimas
Faço uma linda aquarela
um quadro todo pintado
dessa saudade minha e dela
Do Nosso Olhar (Eu e Você)
Nós, que nunca havíamos nos conhecido
e recebemos a flecha do cupido
quando nossos olhares se encontraram
Eu, que não consegui lhe tirar de minha vista
e passei a tê-la como idéia fixa
pois todas as minhas preocupações acabaram
Você, que estava toda encabulada,
enquanto ficava levemente rosada
e disfarçava ao brincar com a mão
E eu, que estava enfeitiçado
com a certeza de estar dormindo acordado
sem saber o que fazer nessa situação
E você, que as vezes retribuía o olhar
curiosa, ao também precisar se apaixonar
mas com medo de abandonar a solidão
E nós, que por vergonha fomos embora com pressa
e escondemos nossos sentimentos depressa
E nunca nos conhecemos.
Soneto Italiano
Se juntos nos tornamos amantes
Em simples e sincera unidade
Um adjunto de totalidade
O que fazemos, então, distantes?
Se nesse afastar limitante
Que nos condena a brevidade
Nessa nossa fatalidade
O que seremos, senão, hesitantes?
Ao lhe ter como mulher e amante
Em uma única existência adjunta
Mesmo nesse imenso estar distante
Nunca em separação absoluta
Mas nesse sentimento aceitante
De muito amar, que mais nos junta
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