O DIA DE CHUVA
Cai silente e mansamente
O tempo nublado, destila
O líquido sagrado nos campos,
Nas cidades, demoradamente.
Os verdes campos rejuvenescem
As cidades são lavadas das
Imundices do dia-a-dia
Os homens compadecem.
As matas virgens alimentam,
As habitações adquirem o mofo,
Taciturna torna-se as pessoas.
Chuva e brisa nos acalentam.
Meditamos sobre a vida,
É a oportunidade de pensar.
Viajamos e com muito sol,
Assim sonhamos com a jazida.
Na rede embalamos o sonho
De viajar, rezar e viver.
Sol, o do sonho.
Cai chuva, dia enfadonho.
Deixamos a correria, tudo para
ver as gotas descerem do céu
Plúmbeo, ritmicamente caem.
A tarde chega e o sol não escancara.
Noite fria e negra,
Ecoa um forte trovão.
Clareia toda cidade e campos.
Cessa a chuva, pois é a regra.
AMOR ESCONDIDO
O princípio flores e promessas
Risos e afagos.
Juras e pagas e nunca confessas
A verdade sobre a vida.
A vizinhança percebe
Comenta em tom de critica.
Sofro como a plebe
Sem fome e vontade
Carinhos e afagos
Beijos e carícias mil
Prevejo o futuro como os magos
A dor latente é sofreguidão
Dos dias que não passam
Das noites infindas
Da lassidão que nos amordaçam
Inerte caminha para a morte.
Enfadonha torna-se a sorte
Bela e inteligente
Não é da gente e solerte
Tenta levar o relacionamento.
Os cabelos negros reluzem
Com a tintura cara
Ama e beija e nos reduzem
Ao amargo companheiro.
Flores e amores, efêmeros;
Como o vento do norte
Vagam quentes e ligeiros
Assim é o amor escondido.
Amor
Encontrei você!
achava que havia vivido muito,
ai descobri que nada conhecia.
Encontrei você!
batendo forte meu coração,
corando minha face,
tropeçando no meu caminhar.
Pensava que o amor era paz!
É calor, é dor, é clamor!
enorme paixão,
é sentir você
é ser meu amor, enrolando seus cabelos
É ter,
É ser...
Encontrei você!
Quando sempre lhe procurava!
Procurava ontem, achava que era você.
sei que você é o meu grande amor.
É como água esguichando nas pedras,
é forte, cria formas e arestas.
Encontrei você!
Não é saudade que tenho
quando viaja,
É sua ausência, é falta de ar,
é o vazio é a sua falta é você...
Encontrei você!
Quero te amar
E viver...
A CHUVA
Cai a chuva mansa e fria.
Pela janela ouço o som
Destilando pela esguia
Calha, à água num só tom.
Límpida e pura
Como o véu claro;
No seu rosto sem amargura
Triste e sem amparo!
Fina, lava as folhas,
As flores e ramos;
As dores e nossas falhas.
As flores vingam e chamam, vamos.
Num vai e vem
Grossa e ruidosa;
Fina e fria vinda do além
Escancara escandalosa.
Retrato da saudade
O silêncio, a luz, o bálsamo,
Nos céus a estrela,
Espectro de uma vela,
Na linha do horizonte calmo;
A luz da branca lua,
Na calada da noite nua,
Canta ao som da doce flauta,
Resplandece seu cabelo que flutua,
No triste arrebol,
As ondas bailam,
No calor ouço o som no caracol,
o retrato a luz refletia.
Meus lábios, meus olhos
Silentes, ganham a emoção;
A saudade bate no coração,
A luz brilha e lateja a comoção.
Amo como se ama a luz,
Como o silêncio, o mar o céu,
A vida o amor que me reduz,
E conduz ao sabor da flauta, sua tez seu véu.