A Garganta da Serpente
ajuda
 
 
  versão para impressãorecomende esta página
Bruno Bontempo


A um Verme

Hediondo verme sanguinário,
Proveniente dos fluidos corporais
Forma vermicular horrenda,
Filho meu.

Que prazer tem você,
A devorar toda aquela carniça?
Não lhe passa pela cabeça,
Que teu futuro é ser devorado pelo caixão?

Você não pensa no porque da vida?
Não quer saber sobre todas as coisas?
Vive escondido, filosofando tua utopia.

Não se esconda, querido filho,
Não precisa se esconder para encontrar a podridão,
Pode encontrá-la aqui mesmo.

(17/05/2002)

 

 

A um Escarro

Querido escarro meu,
Que me escapa pela boca,
Que pula para o mundo,
Que vê o que eu vejo.

Volte para o teu lar,
Microdejeto espetacular,
Aí fora está frio demais,
Além disso, fede e é sujo.

Não veja a barbárie que acontece,
Não veja minha cara de perdedor.
Beije minha boca.

Circule pelos túneis de carne,
Conheça o pus e o catarro,
Escorra pela minha boca enquanto durmo.

(20/06/2002)

 

 

O Pombo

Querido pássaro mendigo.
Estatelado no asfalto,
Escapa-lhe o intestino.

Mas que fígado atrevido,
Saltitando na sarjeta.
Volte! Não deixe teu amigo!

Ah! Mas que sina de maldito.
Só lhe faltava essa!
Agora, coça-lhe o umbigo!

(22/07/2003)

 

 

Volúpia

Amortecimento dos membros.
Relembrando charcos sangrentos,
Que as bombas de todos os tempos,
Deixaram em meu pensamento.

O almirante de um barco embriagado,
Rumo ao gozo e ao naufrágio,
Levando a vida, alucinado,
Como doente em ultimo estágio.

(28/07/2003)

 

 

Anestesia

Meu pecado favorito é a luxuria.
Pode haver pecado melhor?

Eu gosto das noites de São Paulo,
as noites bacantes, embriagadas.

                       É assim que esqueço de mim mesmo.

Sei que no dia seguinte
a vergonha virá cobrar o seu tributo,

mas as horas em que meu pensamento
permanece ignorante à derrota, valem a pena.

                       !!! Liquido imundo que me acompanha!!!

Pago o tributo à vergonha,
aliás, tributo cobrado por intermediários,

acostumados, portanto, vergonha.
Nem ligam mais.

                       Mas cobram sem falta.

(25/03/2004)

519 visitas desde 7/07/2005
  menu   novidades nossos números ajuda
  a b c d e f g
h i j k l m n
  o p q r s t u
    v w   x y z

Legenda dos ícones:
  novo autor / novo poema
  autor atualizado
  autor em domínio público
  autor falecido
  trabalho premiado

última atualização: 14.11.08
1908 poetas hospedados

Esta seção está sofrendo ajustes para ampliar o espaço de poemas por autor. Por isto, você encontrará páginas no novo formato e páginas modelo antigo. Contamos com sua compreensão e pedimos desculpas pelos transtornos.

Copyright © 1999-2008 A Garganta da Serpente
Direitos reservados aos autores  •  Termos e condições  •  Fale Conosco www.gargantadaserpente.com