A um Verme
Hediondo verme sanguinário,
Proveniente dos fluidos corporais
Forma vermicular horrenda,
Filho meu.
Que prazer tem você,
A devorar toda aquela carniça?
Não lhe passa pela cabeça,
Que teu futuro é ser devorado pelo caixão?
Você não pensa no porque da vida?
Não quer saber sobre todas as coisas?
Vive escondido, filosofando tua utopia.
Não se esconda, querido filho,
Não precisa se esconder para encontrar a podridão,
Pode encontrá-la aqui mesmo.
(17/05/2002)
A um Escarro
Querido escarro meu,
Que me escapa pela boca,
Que pula para o mundo,
Que vê o que eu vejo.
Volte para o teu lar,
Microdejeto espetacular,
Aí fora está frio demais,
Além disso, fede e é sujo.
Não veja a barbárie que acontece,
Não veja minha cara de perdedor.
Beije minha boca.
Circule pelos túneis de carne,
Conheça o pus e o catarro,
Escorra pela minha boca enquanto durmo.
(20/06/2002)
O Pombo
Querido pássaro mendigo.
Estatelado no asfalto,
Escapa-lhe o intestino.
Mas que fígado atrevido,
Saltitando na sarjeta.
Volte! Não deixe teu amigo!
Ah! Mas que sina de maldito.
Só lhe faltava essa!
Agora, coça-lhe o umbigo!
(22/07/2003)
Volúpia
Amortecimento dos membros.
Relembrando charcos sangrentos,
Que as bombas de todos os tempos,
Deixaram em meu pensamento.
O almirante de um barco embriagado,
Rumo ao gozo e ao naufrágio,
Levando a vida, alucinado,
Como doente em ultimo estágio.
(28/07/2003)
Anestesia
Meu pecado favorito é a luxuria.
Pode haver pecado melhor?
Eu gosto das noites de São Paulo,
as noites bacantes, embriagadas.
É
assim que esqueço de mim mesmo.
Sei que no dia seguinte
a vergonha virá cobrar o seu tributo,
mas as horas em que meu pensamento
permanece ignorante à derrota, valem a pena.
!!!
Liquido imundo que me acompanha!!!
Pago o tributo à vergonha,
aliás, tributo cobrado por intermediários,
acostumados, portanto, vergonha.
Nem ligam mais.
Mas
cobram sem falta.
(25/03/2004)