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O Sambista
Me perdi em um coração vagabundo
um desses de samba na alma
a cantarolar o mundo e tirar
das mocinhas a boa calma
Não há solução para o caso
Não há mais nada a fazer
É solto por demais o danado
até de Vinicíus dispensou parecer,
De fala mansa e lábios macios
se pôs a conhecer meus meandros
Ah...que carne bendita a minha
que não resiste a um malandro,
Mas conheço um bom boêmio
a sei que ele irei encontrar
com uma cachaça, gracioso e bonito
cantando o amor em mesas de bar.
Desalinho
Que o mundo suma, desapareça
demim e que leve consigo
aqueles que me desejam,
as lembranças e devaneios.
Quero estar zerada de tudo
de mim, de ti e do Alfredo.
Limpar a alma, o coração,
as mãos e a roupa do cesto
banhar tudo em cândida e sabão.
Ficar transparente e lívida
de tudo e assim cair no chão
para lamentar apenas os erros
que ainda não cometi.
Mar e azia
Veias pungentes, saltadas
mergulham no ardor da carne
Já é tarde, mas a madrugada
é companheira, tua e minha.
Olhos vedados, imersos em éter,
o peso da volúpia sobre mim.
Os pensamentos rareiam e
levam toda razão que tinha.
Longos dedos, língua úmida
olhos de eterno moleque que
brinca com meus sentidos.
Deliciosa impressão de mar
de dois corpos perdidos.
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