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AMOR DO MAL
É jovem a face do mal
Macho ou fêmea não importa
Está sempre a minha espera
Com voz doce e sensual
Embebida em malícia.
É velha a mente do mal
Por excelência hermafrodita
Se diverte em me instigar
A brincar com o perigo
Seu intento primordial
É destruir minha vida.
(02/01/03)
Contradições
Fazer o quê, se dentro de mim
Habitam seres divergentes
Céu e inferno
Neste mundo incoerente
Abalado por contrastes
Amor e ódio
Adubam nosso ambiente
Falso, sensual, insano
É deles que nos alimentamos
Qual plantas venenosas
O lírio, alvo e puro
Sobrevive, indiferente,
À imundície do lodo
Minha essência é pura
Mas é a mente tortuosa
Quem comanda este corpo
Pecaminoso e decadente.
(13/01/03)
PROFANO
Vem, que estou a tua espera
Entre lágrimas e suspiros
Delírios
Anoitece
É a hora do vampiro
Minha carne estremece
Invade meu quarto
Com as cortinas cerradas
Te aguardo no leito
Ansiosa
Vem bafejar meu rosto
Almejo teu beijo sangrento
O pescoço longo e alvo
Como um cisne que fenece
E assim renasces
Noite após noite
Sacias meu vício
Roubas minha essência
Leva minha vida
É tua!
(21/10/02)
ESQUIZOFRENIA
Esquizofrênica sou
Não resisto, admito.
Pensamento partido
Sonhos, pesadelos,
devaneios.
Para que tratar?
Reconheço meu encanto
A todos apaixono, fascino
Se me tomam por musa
Agradeço envaidecida.
Mulher serpente,
Escrava e dominatrix
Exerço com gosto meu poder.
Estrela decadente
Atriz criativa, delirante
O rótulo não importa
Me empenho em meu papel.
Dedicada como amante
Mil personas integro
E se a todos confundo
Deixa pra lá
Não esmoreçam
Nem eu mesma me entendo...
(26/01/02)
UMA OUTRA FÊNIX
Sou Fênix, Rainha e Deusa
Mas hoje morri...
Prefiro hibernar
Meu reinado perene
Só a mim pertence
Não existem muralhas
Tampouco abismos
Renasci emplumada
Fartei-me...
Sou rosa, dália, margarida
e outras flores também
Sou mulher, sou gestante
Engravido
Aborto
Mas sou Fênix
Renasço
Gero tantos filhos quanto quiser
Sou Rainha
Altiva
Nada devo, nada temo
Sou Deusa
Adorada
Venerada por vivos e mortos
O tempo para mim não conta
Nada me importa
Por isso morri...
(19/10/02)
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