A Garganta da Serpente

Anderson Dantas

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VEJA A CURVA

Veja a curva que faço ao longo de teu caminho

veja que avanço como para um vinhateiro guardado
por hirtas aranhas e sonhos do medo purpúreo.

sinta meus longos dedos e tímidos olhos chovendo,
Outono que o sol floresce com guitarras e lâmpadas de pranto.

veja o esforço que faço ao longo do teu caminho

ouça meu galope branco e minhas crinas às costas
golpeando, martelo de vento e assobios adejando

beba estes suores noturnos que derramei em tuas pétalas,
ainda que estas planícies em sonho, estes lábios no delírio.

e este vermelho e rijo corpo de artelhos e mares de anil,
centopéia de fogo, monstro das madrugadas febris

veja o sangue que alaga ao longo do teu caminho

cheire o vapor de meus pêlos, o hálito de minha flor,
e se deixe levar pelo meu abraço de nuvens e beijos de seda.

sinta meu espesso lago em tuas colinas chorando,
Outono que a distância entristece com violinos e lâminas de pranto.

Veja a curva que morre ao longo de teu caminho.


(Anderson Dantas)


voltar última atualização: 01/04/2007
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