A Garganta da Serpente

Anderson Dantas

  • aumentar a fonte
  • diminuir a fonte
  • versão para impressão
  • recomende esta página

ESPELHO
(um soneto reflexivo)

A água é uma chama molhada.
Estamos sós com tudo aquilo que amamos.
NOVALIS

Já Anderson não sou!... À cova escura
Meu olho espreita, evadindo-se no vento
E à luz retorna, eterno fogo, meu tormento.
Desfaço-me em lâmina, dor vermelha e impura.

Ninguém distingue tal víbora sombria
Foi carvão, carne ou maresia, amada louca.
Mulher, cadela ou arpão, aguda asfixia
Um cintilar rubente, um leve pousar na boca.

Não me arrependo: nem pela má rima
Minha mísera língua esquecida em juventude
Que flores alaram-me a vida por uns instantes?

Nenhum dos deuses eu fui... foi a concretude
Apunhalando-me!... Ah! Não me amem, mutilados
Levo meus versos, lavro minha alma posta em tiras.


(Anderson Dantas)


voltar última atualização: 01/04/2007
5675 visitas desde 01/04/2007

Poemas deste autor:

Copyright © 1999-2017 - A Garganta da Serpente