O ofídio cambaleante acorda depois do Natal: escamas ainda rasgadas, sonhos dolorosamente adiados.
Sobreviver a uma década foi uma das mais difíceis missões da serpente teimosa. Ainda há muitas faltas, muitas mensagens sem respostas (neste exato instante, 6951 e-mails só na Caixa de Entrada), muitas palavras aguardando publicidade, muitos projetos empoeirados na gaveta. Há pendências e há os recém chegados. Há os que fecharam os olhos para sempre, deixando literatura e muita saudade. E ainda há os que não puderam esperar ou compreender.
Mas sempre há uma estrela no céu que reacende a esperança. Há uma vontade brutal de continuar espalhando veneno e poesia por todos os cantos obscuros da web.
E o pinheiro do dia seguinte, que embarga a garganta emocionada, é iluminado pelo brilho de centenas de olhares que foram se acendendo em nosso caminho, trazendo o verbo indomável e a certeza de que a literatura vale a pena.