Texto de:
Cristian Luis Hruschka |
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O prazer da leitura
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Quem, quando criança, não passou pelo martírio de ler
Lucíola ou O Cortiço? Respeitada a importância dos mestres
José de Alencar e Aluísio de Azevedo para a literatura brasileira,
de valor inestimável, ler obras de tamanha grandeza aos treze anos não
é tarefa fácil. Nessa idade a gente quer brincar e se sujar. Subir
em árvore e tomar banho de rio. No entanto, fadados a estudar desde cedo,
com a obrigação de tirar boas notas, não resta alternativa
exceto ler e fazer inúmeras fichas de leitura.
Ana Maria Machado, escritora com mais de cem livros publicados, a maioria deles
voltados para o público infanto-juvenil, nos ensina em "Como
e por que ler os clássicos universais desde cedo" que a imposição
da leitura dissemina o horror ao livro. Para ela "ninguém tem que
ser obrigado a ler nada. Ler é um direito de cada cidadão, não
um dever."
Nada mais certo. A leitura deve ser uma ato de prazer, de contentamento, de
cumplicidade. O leitor precisa se entregar ao livro, explorando-o, decifrando-o,
apaixonando-se. Segundo a autora, a leitura é "um transporte para
outro universo, onde o leitor se transforma em parte da vida de um outro, e
passa a ser alguém que ele não é no mundo quotidiano."
Em ritmo de conversa, chegando a dar a impressão de que conhecemos Ana
Maria Machado de longa data, "Como e por que ler os clássicos
universais desde cedo" nos insere em um mundo de fantasia e aventuras.
Dividido em capítulos pontuais, a autora inicia sua jornada versando
que um clássico permanece sempre atual, perene, longe da efemeridade
de escritores superficiais, que entendo muitas vezes serem produtos da mídia
e da propaganda. Versa sobre os clássicos gregos e sua influência
em outras obras, tal como fez de forma magistral Monteiro Lobato em O Minotauro
e Os Doze Trabalhos de Hércules. Fala sobre a Bíblia e as lendas
do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda. Sobre O Senhor dos Anéis
(J. R. Tolkien), e o magnífico Dom Quixote de La Mancha (Miguel de Cervantes),
que com suas aventuras "questiona o certo e o errado, o direito e o torto,
mas também faz com que nos emocionemos com a dimensão da solidariedade
humana e da compaixão pelo semelhante, com a sede de justiça e
a ânsia do bem."
O livro ainda aborda os contos de fadas, em grande parte histórias passadas
de geração para geração e que depois foram compiladas
em antologias. Nesse campo se destacaram Charles Perrault - que imortalizou
Chapeuzinho Vermelho, O Gato de Botas, Cinderela - os irmãos Wilhem e
Jacob Grimm e Hans Christian Andersen, talvez o mais importante de todos, conhecido
como o "pai da literatura infantil".
O texto também faz honrarias a autores como Jack London (Caninos Brancos,
Chamado Selvagem), Robert Luis Stevenson (A Ilha do Tesouro, O Médico
e o Mostro), Rudyard Kipling (O Livro da Selva), Alexandre Dumas (Os Três
Mosqueteiros, O Conde de Monte Cristo), Daniel Defoe (Robinson Crusoé),
James M. Barrie (Peter Pan), e Lewis Carrol (Alice no Pais das Maravilhas).
Fala da importância de Mark Twain, Edgar Alan Poe, Arthur Conan Doyle,
Charles Dickens, J. D. Salinger, H. G. Wells, George Orwell e Aldous Huxley.
Entre os brasileiros, destaque inquestionável para Monteiro Lobato com
Reinações de Narizinho e o fantástico universo do Sítio
do Pica Pau Amarelo. Enfim, extensa é a lista de autores e livros citados
por Ana Maria Machado.
A autora igualmente atenta para a forma que devemos ler, para a qualidade de
nossa leitura. Não basta apenas passar os olhos sobre o livro, de maneira
despreocupada e desatenta. É necessário uma leitura contextualizada,
uma leitura crítica. Devemos reter na lembrança as aventuras e
informações passadas pelos livros para que possamos evoluir e
nos tornar mais humanos, sociáveis e intelectualizados. A leitura é
indispensável. Povo que não lê é povo submisso, engessado.
Um livro agradável, devendo ter destaque em todas as bibliotecas nacionais,
seja pela riqueza de informações ou pela capacidade de incentivar
a leitura e importância dos clássicos na juventude brasileira.
Como e por que ler os clássicos universais desde cedo Autora: Ana Maria Machado
Ed. Objetiva
145 páginas
Ano: 2002 |
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