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Dezembro Literário: Dois Lançamentos Instigantes
- Livros de Luís Giffoni e Jovino Machado -
Dezembro, mês de festas, presentes e livros. Dois escritores mineiros.
Duas superfícies da literatura: a crônica e a poesia. Dois lançamentos
instigantes: Retalhos do Mundo e Fratura Exposta. Edições com
distinções e um apurado rigor estético nas confecções.
Em cada uma a originalidade, o despertar, e palpitações incessantes/ritmadas
nas vozes de Luís Giffoni e Jovino Machado. Autores premiados, talentosos
e em destaque neste vasto mundo literário em terras brasileiras.
Retalhos do Mundo - Como reza Santo Agostinho: "O mundo é um livro,
e quem não viaja lê apenas uma página". O passar das
páginas anda em léguas, milhas marítimas e faz um arco
no ar: Himalaia, Andes, Sierra Nevada. Amazônia, Nepal, Patagônia,
Ladakh. Taj Mahal, Teotihuacán, Pashupatinath. Denpasar, El Chaltén,
Cidade do México. Retalhos do Mundo (Editora Pulsar, Belo Horizonte,
2005) leva-nos ao redor da Terra numa viagem em que culturas, história,
geografia, gastronomia, pessoas e situações inusitadas se mesclam
num texto leve e ágil.
Com bom humor e senso de observação, Luís Giffoni "eleva
a narrativa brasileira a novos patamares de talento" (World Literature
Today) e revisita lugares por onde andou, de grandes centros urbanos a cafundós
em vários continentes. Conta-nos como é a falta de ar no Karakoran
(Caxemira/China) acima de quatro mil metros de altitude e em Los Angeles (EUA)
durante o smog. Testemunha a morte de escaladores no Annapurna (Himalaia).
Quase morre durante uma nevasca perto do monte Whitney (Sierra Nevada/Califórnia/EUA).
Mergulha na beleza do mar de Bali. Acompanha mateiros no miolo da Floresta Amazônica.
Resgata tradições de astecas, indianos, norte-americanos, chilenos
e argentinos. Mostra o fatal encontro com uma tribo desconhecida de índios.
Atravessa os contrafortes das Torres del Paine (Chile), do monte Fitzroy (Patagônia
Argentina) e do Cerro Torre (Patagônia Argentina). Compara comportamentos.
Relembra livros e autores. Experimenta cardápios exóticos. Retalhos
do Mundo revela a diversidade da Terra e do ser humano - e convida o leitor
a participar de algumas aventuras.
Luís Giffoni nasceu em Baependi, MG. Reside em Belo Horizonte. Tem 16
livros publicados, dentre eles Infinito em Pó (Editora Pulsar,
2004), O Poeta e o Quasar (Editora Pulsar, 2003), A Verdade Tem Olhos
Verdes (Editora Pulsar, 2001), Adágio Para o Silêncio
(Editora Pulsar, 2000), A Árvore dos Ossos (Editora Pulsar, 1999).
Recebeu premiações e indicações da APCA - Associação
Paulista de Críticos de Arte, Bienal Nestlé, Prêmio Minas
de Cultura, Prêmio Nacional de Romances (e de Contos) Cidade de Belo Horizonte
e Prêmio Jabuti.
Retalhos do Mundo Autor: Luís Giffoni Editora: Editora Pulsar |
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Fratura exposta - "Este poema é um grito. Este poema é um
desabafo. Este poema é uma constatação de impotência,
um chamado, uma declaração de ódio e de amor. Este poema
não mede conseqüências, este poema não espera condescendência,
este poema não aceita condolências. Este poema é um pedido
de socorro, uma mensagem numa garrafa lançada dentro de um bueiro, uma
pichação debaixo de um pontilhão". Eis parte da apresentação
de Fratura Exposta (anomelivros, Belo Horizonte, 2005), feita por Joca
Reiners Terron. Bate asas como um corvo na nova obra de Jovino Machado a epígrafe
de Charles Baudelaire: "O prazer do amor gira em torno da certeza de fazer
o mal".
Um livro visceral, venenoso, vingativo e toda sorte maculada - uma coleção
de exclamações, que sorve até a última gota metafórica
disponível e inebriante para conseguir exprimir em palavras a sede enorme
para estancar o sangue e a procura incessante do autor em seu diálogo
com ela, e não ele, a Poesia em pessoa. Que nasce, "a poeta
voava pelos telhados/ sonhando com a capital da solidão/ a primavera
assassinava o inverno/ no céu surgia um pedaço de lua suja".
E, "morre na quarta-feira de cinzas/ a dançarina da ópera
limpa as feridas do sambista/ que abraça a cuíca fatigada de chorar
na pista/ inventando uma nova estação chamada melancolia".
Numa constatação - esperança das esperanças, sonhos
de uma noite de verão -, o poeta dialogo em deslocamentos criativos com
a sublime poesia expressionista alemã das décadas de 1910/20.
Um belo livro, ferino, delirante: "é uma pancada na cabeça
de um dinossauro/ é um arranhão distraído no breu das horas".
A máxima do autor, "dinheiro ganho com a poesia se gasta na orgia",
ressoa em brados de Clarice e Hilda, em suas águas profundas. Sem falar
na implacável Ana, a nebulosa Diadorim, Dolores, Nara, Elis. Redemoinho
desassossegado, back bay - a música de Biglione, uma constatação
de impotência, nas palavras de Joca Terron em sua síntese certeira,
na análise de Luciana Tonelli. O poeta impaciente, elegante em suas roupas
e cor predileta - o preto, em contraponto com a faca no fundo vermelho da capa
do livro, misturam lâminas e cortes em ecos profundos e lateja em Fratura
Exposta aquilo que é a sua força, o transtorno do revide que
se deixa invadir, bagunçar e atordoar ossos explícitos pela procura
fértil que no seu espanto é a sua assinatura.
Jovino Machado nasceu em Formiga, MG. Foi criado em Montes Claros e reside
na Torre dos Azulejos em Belo Horizonte. Nos anos de 1990 estudou letras
(UFMG). Atua como restaurateur. Publicou nove livros, entre eles Trint´anos
Proustianos (Mazza Edições, 1995), Disco (Orobó
Edições, 1998), Samba (Orobó Edições,
1999) e Balacobaco (Orobó Edições, 2002). Participações
em Dimensão (Revista Internacional de Poesia, Uberaba, MG, 1998),
A Poesia Mineira no Século XX (Imago, Rio de Janeiro, 1999), A
Cigarra-Revista de Poesia (Santo André, SP, 2000), O Melhor da
Poesia Brasileira - Minas Gerais (Joinville, SC, 2002) e na antologia poética
O Achamento de Portugal (anomelivros, Belo Horizonte, MG, 2005). Menção
honrosa na revista literária da UFMG (1991) e terceiro prêmio de
Poesia Falada de Campos dos Goytacazes (RJ, 2002).
Fratura exposta Autor: Jovino Machado Editora: Anomelivros |
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