Texto de:
Cadorno Teles |
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A história de Edgar Sawtelle
- Um livro de David Wroblewski -
Para um autor que debuta na literatura, a expectativa para com a aceitação
da crítica e do público é um momento angustiante. Entretanto
para David Wroblewski parece que não foi. Seu livro de estréia,
A história de Edgar Sawtelle (The Story of Edgar Sawtelle,
tradução José Rubens Siqueira, 528 páginas), lançado
por aqui pela Intrínseca, é um surpreendente romance, pelas
ótimas criticas que recebeu dos principais jornais, como também
das palavras que o recluso autor de suspense Stephen King disse, em entrevista
sobre o livro "(...) Maravilhoso, misterioso, longo e prazeroso: leitores
que escolherem (...) entrarão em um mundo mais rico. Invejo a viagem
que farão. Eu não releio muitos livros, porque a vida é
curta demais. Vou reler esse".
Numa linguagem lírica e com um enredo inusitado, amparado em torno do
clássico de Shakespeare, Hamlet, o livro de Wroblewski adquire rapidamente
o seu próprio caráter original, em evocações fortes
e poéticas entremeadas na narrativa da vida de um menino mudo no interior
dos EUA.
A história se inicia com um prólogo bem desconcertante, tingido
pela ameaça de um veneno mortal, que um jovem soldado consegue na Coréia,
preparando os leitores para uma narrativa mágica sobre a infância,
o amor e com os mais sinistros elementos da vingança. O protagonista
do romance é um adolescente de quatorze anos, Edgar Sawtelle, que mudo
de nascença só se comunica com bilhetes. Sua família é
dona de uma fazenda remota no Wisconsin, onde seus pais são criadores
de uma raça de cães tão rara e difícil de definir
que gradualmente, devido há gerações de criadouro, se tornou
conhecida como os cães Sawtelle.
Vive sossegado, apesar da deficiência, seu talento especial em se relacionar
e treinar com os cachorros, surpreende cada vez mais seus pais, Gar e Trudy.
Tudo ia muito bem, até a chegada de um tio, Claude, os confrontos dos
dois irmãos e a morte repentina de seu pai. Logo o tio conquista a simpatia
da mãe, e Edgar se vê envolto num clima sinistro, seu mundo mudo
para sempre. Principalmente, numa noite, quando recebe a visita do fantasma
do seu pai, descobre da forma mais sombria o que realmente aconteceu e após
a tentativa falhada de provar o envolvimento do tio na morte do pai, decide
partir. Três cães são sua única companhia e alento.
Escondido na floresta, Como o Mowgli de Rudyard Kipling amadurece.
Contudo, o amor à mãe e aos animais, e a sede de vingança,
levam-no de volta a fazenda. Só que nada é como esperava e Edgar
terá de decidir entre a vingança e a preservação
do que sua família construiu. Notamos os elementos shakespearianos e
o confronto final, amargo e dramático, é detalhado com uma vivicidade
cinematográfica por Wroblewski.
Mesmo com algumas características muitas detalhadas e repetitivas, o
trabalho do autor é suave e cativante, muito bem estruturado. A construção
da história demorou dez anos, onde a coerência do texto e uma página
em branco são meros coadjuvantes na arte da possibilidade de criar do
escritor.
No fim de tudo, os cães de Edgar é quem fazem o show, as qualidades
antropomórficas, que seguem a linha de Mowgli, são extremamente
convincentes. Em entrevista, o autor explica que cada um deles tem um caráter
inexplicável: "um incremento de comunicação, compreensão
e habilidade" que ajudam à história de um menino mudo ficar
muito mais atraente e impressionante.
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A história de Edgar Sawtelle
Autor: David Wroblewski
Tradução: José Rubens Siqueira
Intrínseca
528 páginas
2008
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