A Garganta da Serpente
Ouroboros poemas sem fim
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ESCREVER


Porque minhas mãos
inquietas
precisam percorrer o papel
(vazio)
segurando
os sonhos entre os dedos
Dessa tinta escrevo
as noites
em que velo
a brancura da folha
como um mármore
funéreo
no limite do dia claro
à luz de uma flor
acesa



Nessa luta inconclusa
vejo a folha virgem em cisma
para que eu não durma e a vida,
incerta, surja


As sombras atravessam meu olhar
cortam meu desejo aflito
se não escrevo enlouqueço , assim percorro e explodo


escrevo ao apelo do incerto, escrevo porque procuro o meu destino, escrevo para me perder...


Meus dedos nervosos
buscam o instante,
o branco, o nada.
E depois, de letra em letra,
desafiam o significado da jogada.

Escrevendo palavras mudas,
enquanto ouço o som do silêncio.

E neste silêncio sem fim
Mostro quem eu realmente sou
Mostro a parte de mim
Que o silêncio encontrou

Escrevo com a alma que ninguém nunca conheceu
E com as palavras que ninguém nunca escutou!!
(fernanda pestana)

Escancaro o pensamento, desnudo minha alma e coloco-me como pauta do momento.


Ateh que venha o ocaso da palavra
Em silêncio escuto o barulho das flores que desabrocharão na primavera do próximo setembro


E assim vou vivendo,
Escrevo ao som do teclado
Que no passado foi pena
Penas que escreviam apenas
Hoje escreve-se, desenha,
Deixou-se apenas
As penas
Que pena...que pena


Pena de mim mesma
Pois Ecrevo a tristeza que me maltrata.
Minha Boca Amarga Pensa em parar e voltar para minha casa, Minha ninhada

Mas, um instante de insegurança me domina
Já não consigo ser quem penso
E me lanço em buscas sombrias
Numa viagem ao interior do meu eu
Para encontrar a escrita sagrada
O texto-fundante
De nossa existência
Que fará dessa descendência
Almejada a continuação
De nossa escrita de vida.

olhai que o poeta é o coveiro de si mesmo
e escrever é ir morrendo sempre
a cada roda do sol vamos escrevendo
as palavras rituais
que esgotam a nossa vida de carne e Fé

quanto terei de escrever ainda,
para que as coisas me sejam reveladas?

Qual o tamanho da perplexidade?

não existe preplexidade
apenas a bruma que vem
quando a nossa escrita
se afasta do nosso coração

mas como não se afastar
se quando a noite cai
o peito fica
em trevas e silêncio
e luz alguma nos guia?

Apego-me ,então,
à Luz Divina,
tomo o papel
e a caneta
em minha mão,
e elas fluem,
as palvras,
como chuva de prata,
benfazejas,
enviadas do CÉU...


de minhas mãos surgem as palavras,
que surgiram dos meus pensamentos,
entre os meus dedos se encontra o mais perfeito mensageiro,
a caneta e o papel,
tendo em mim a mais pura ansir]edade de me expressar,
os meus gritos não não se revelam,
os meus olhares são incompletos...
o que devo fazer?
me pergunto e não encontro a resposta,
então na minha frente tem um papel branco,
como o vazio da minha ânsia.
assim na forma natural do ser humano se expressar, pego a caneta que começa a deslizar com minhas mãos...
e o meu grito se fixou naquele vazio onde só tinha minha ansiedade!!!!!!!!!

E me pergunto: }Quem ou o que é este papel branco
que largado à minha frente
posto, indolente,
sobre a escrivaninha
na mão que é minha
se faz objeto de adoração?
Ah! quanta emoção
de olhar devotamente
para o papel-branco à minha frente
e num esforço de mente
na inspiração do ser
daquele simples papel
brotarem asas que ao céu
meu sentimento vai enaltecer.
Ah, papel branco
dedo manco
que sou eu!
Como fazer de você
meu papel puro e perfeito
jeito alegre, sem defeito,
um sonho a dois de amor?
Eu sou pequeno e frágil
mas com você ao meu lado
meu papel e meu pensar
escreverei lindas frases
num coração muito ágil
que sonha em sempre te amar!

Hoje
E
Lembre-se:
Eternamente
Nós!

Papel, com escrita de amor
nos acompanha, seja onde for!

Ah! Oh!
Entre uma dose
e outra, no papel
no buteco!
(Variável)

escrevendo rimas soltas, caídas
entre falas altas
bater de copos
e tocar de corpos
o poeta pede
leves iguarias
para não ter o que falar
sem chorar


olhai, que a essas palavras que escrevo
não tenho, talvez, o direito de chamar minhas...

mas, no negrume das noites, quando se apagam,
uma a uma, todas as estrelas do céu,

as palavras que plantei sob os meus passos,
tornam-se em pão de silêncio.

delas se alimenta o meu coração.

em pensamentos, pensamentos que transmitem o meu sentimento.
A milha luta deixa de ser com a linda e pura, folha virgem. Minha luta vem a ser contra meus pensamentos.
Penso que estou lutando contra meus pensamentos, e nessa incrivel batalha tenho um aliado muito forte, um dos mais fortes, ela se chama IMAGINAÇÃO.
Minha imaginação faz-me viajar, sentir o mais refrescante dos ventos, apreciar a mais bela das paisagens e ter as mais belas mulheres.
À partir dele, consigo vencer a batalha e dormir com a consciência leve, limpa e calma, mas no outro dia volta tudo ao começo.



Como não sei escrever
mando um beijo para ler
ao meu amor eterno
Nesta folha de caderno
bem grande e aberto
Muito sincero
apaixonado e sentido
de desejo comprimido
feito um golpe de carimbo
Talvez bonito assim
e lanceado de Jasmim
ira gostar de min

Minha escrita e perigosa
Tenho horror da idéia de me tornar piegas
(pensamento livre)

Não temo ser piegas
ser piegas é inevitável
É não sair na chuva
com medo do resfriado
(Denos Vesne)

Façamos eu e tu um trato:
com nossas vidas
ousemos tramar as teias
da composição
do mais belo poema
que já escrevi
ou que já escreveste...
Não nos demoremos...!
Vamos preencher de palavras,
de riso,
de alma,
as nossas vidas como um poema...
inocente,
indeciso,
ou sublime,
mas poema de vivo amor.

NÃO TENHAS RECEIO, ESCREVA. SUA HISTÓRIA,ESTÓRIAS OUTRAS QUE VENHAM COLORIR VIDAS, APONTAR ESPERANÇAS,TRAZER FELICIDADES. A VIDA, GARGANTA DE SERPENTE,VIBRA, ESMAGA,CRIA, RELIGIOSAMENTE CAMINHA, ARRASTA,ATROPELA,MAS ACONTECE. FUGAZMENTE...

Sim! Este é o trato:
Acordo de corações que se amam...
Façamos o poema nascer de nós
Desatando todos os nós
da insensibilidade e da miséria de amor.
Vamos por nesta ladeira ingreme uma passarela de flor
para que na escrita sublime de nossas almas,
debaixo do suave som do riacho e suas calmas
escrevamos nosso poema épico
que faça gerações se inspirarem
e de nosso amor lembrarem
Como quem segurou a caneta e não economizou tinta nem papel:
É este amor que nos levará aos céus
...de nossos sonhos!

A serpe se compraz em seus mais óbvios nós
e os dedos do prestidigitador
não ludibriam muito bem, como esperávamos...

Mas ser e crer estão em escrever.Escravos
do que dizemos somos
senhores do que ainda ocultamos.

basta de palavras,
arrancadas à turbulência
do pensamento:

- é no silêncio do teu gesto suspenso
que a minha poesia bebe,
entre duas jornadas,
o licor da vida, como água de um oásis...

... e essa água é o meu sangue.

Besta de palavras
vociferando
cúmulos de tropos
aos ventos quantos sejam.

A trajetória é trilha
do que não passa
resíduo e pegadas
de cascos fendidos

telúrica escritura.

Projetarei um texto confuso
algo obscuro diabolicamente complexo
Direto dos porões do aurélio
Quero confundir, dispistar e iludir
Que vejam meu texto e que digam:
"parece um manuscrito arábe"
Que nenhum pagodeiro
consiga roubar uma linha
Só eu e meu texto
no cérebro e na gavetinha

Não papel branco mas pardo como o meu olhar morto de ti.
Pardo o papel, absorvente o papel, farto o papel
Tal como todos os sonhos que vivi em ti.
Estás tão jazido e morto no meu peito
Como este papel pardo que não existe e que projecto em cima da escrivaninha que não tenho.
Nem sei quantas vezes desejei escrever em ti esta vontade de mim.
Mas perdi todos os sonhos e todos os papéis.
Escrevo sim. Num teclado frio, tão frio
Como a tua voz que ainda oiço e não reconheço
Como outrora a voz que me deu a mão pela vida fora.

Ruíram os pilares da morada,
Abriram-se-me falhas
Na medula rósea
Das lajes de mármore.

Não ouço o silêncio essencial,
Latejando nos vértices da pedra,
E a ansiedade anda rondando as raízes
Das sombras, à solta, pelos
Escombros dos pulsos.

Em vão, busco uma saída,
Para a respiração de uma espécie
De plenitude, para a emergência
Do sangue, nas calhas do imprevisível
Corpo, de modo a que regresse
Ao mesmo espaço inicial.

À morada matricial
Do silêncio. Do vazio:
Pólen da carne e do carmen.


In Violeta Teixeira, RESINAS DE ABULIA, Magno Edições, 2003





Não vos digo
Dos silêncios.
Das vozes.
Das máscaras.

Porque me sento
Nas bordas
Do onde calha,
E são eles
Que se dizem

Do límpido
E perverso jogo...
Só molho, na tinta,
As mãos.

Escrevemos,
Até as palavras
Serem carne,

E o poema
A foz
Do nosso gozo.


Inédito ( BOLORES DE AUSÊNCIAS)


Escrevo-me.
Queimo-me.

Queimo-me no
Brasido de cinco dedos,
No lume de sete luas.

Vivo e morro
E ardo-me na pira
Da poesia.

Acendam-se-me
Os círios ímpios dos
Ardores lunares.

Acendam-se, nos olhos
Dos leitores, os fachos
De luz da fantasia.



E livres, molhadas,
minhas mãos,
poemas, imprimem,
serpenteantes,
tortuosos,
úmidos,
fluviais.
Poemas suicídas,
cascateantes,
voluptuosos,
caudais.
Netunianos poemas,
salgados, ondulantes,
tempestivos, mortais.
Poemas gotejados,
aguados,
fugazes,
pluviais.

As minhas mãos
deixam bêbados poemas,
gravados,
vagabundos poemas,
poemas gozados
cravados selvagens,
espúrios,
bastardos,
imorais
nos muros
branquinhos,
em alvas paredes,
nas latas de lixo,
nas pedras dos cais,
nas calçadas, nas ruas
de asfalto cinzento,
em portas de igrejas,
bordéis,
catedrais.

Libertas, as minhas mãos,
tudo que tocam
vão tingindo,
borrando,
marcando,
estampando
com indelével cinabre,
a palavra Paixão.



Escrevemos,
Até as palavras
Serem carne,

E o poema
A foz
Do nosso gozo.


Inédito ( BOLORES DE AUSÊNCIAS)


Escrevendo liberto meus sentidos.
Solto as amarras que me levam a solidão.
Em verso,me descubro.
Me desnudo.
Me amo.
Sou mais mulher.
Sou coragem e fantasia.

Falta-me a tinta
Para o escrevo.

Faço-o, com seringas,
De soro e de sangue.

Escoo-me os pulsos,
E, exangue,
Morro-me, em cada
Parto poético.



Mas escrevo em sobre uma superfíciel imaginária com pinceladas a tinta de cor de edéia, de feiiço, de solidão, de espera...
Escrevo bem espaço, o que não cabe mais nem na matéria e se transcede a alma, a essência, a imaginação.
Escrevo na eminência de não poder me corrigir, nem deletar o que escrevi, para ue um um momento seja eternizado, registrado, e não manipulado face aos acontecimentos posteriores, pois o tempo não volta atrás.
Escrevo em minha consciência o que devo armazenar como experiência, intimament, escrevo para mim, a única pessoa a quem devo total fidelidade e assinatura reconhecida no carório mais poderoso: o da minha própria memória, eternamente minha, e de mais ninguém, portanto escrevo, de forma pós-moderna, sob o trejeito mais arcaico a humanidade: a desconfiança, exceto sobre mim mesma.
Escrevo para mim.

ESCRITA


Já não molho
Os dedos na tinta,
Mas nas lágrimas
Que não choro.

Todas as palavras
Sabem ao sal
Que me coalha a alma.

Saiba que aprendi com
Nizzar kabbani, poeta
Sírio, que a palavra e a
Lágrima são gémeas.

Atente, por isso, no alerta
Que lhe lanço: não me roce
A língua nos lábios
Destes poemas.



E de repente,
em qualquer situação
me inquieto a escrever
coisas do coração

A mente se cala
processa apenas a forma
do que o coração exala
e manda pro pensamento

E eu me julgava escrava
do que a mente dizia
percebo-me presa ao amor
que meu coração co-cria.



Porém, meu coração teima e se cala
e não fala mais da dor
ou do amor
só some com a vontade de explodir-se

E o papel continua em branco

MENINO DE RUA
Menino de rua
pele escura e nua
Grande guerreiro
Deliquente
Da cidade grande
Sobrevivente
Herói entre os mendigos
Vive desafiando o perigo
Tua oca é a estrada
Indio da mata civilizada
Perdido na Selva de concreto
Não sabe o caminho certo
Nem faz questão de aprender
Menino de rua
Futuro herói do moro
Da favela de tudo desprovida
Que de uma certa maneira é mais unida
Do que muitas comunidades sadias.

Não sou poeta. Não sei escrever palavras belas.
Sei apenas sentir, viver, chorar e amar.
As palavras fogem depressa, não posso contê-las...
A dor, a angústia e a saudade
estas teimam em ficar.

talvez eu queira,
não sei
entender o coração do poeta
talvez eu saiba,
mas triste assim
não queira

Secou a Pena

Secou a pena que escrevia versos
Para amigos e inimigos
Escrevia veros transversos
Escreveu alguns versos ambíguos.

Poucos foram retilíneos,
Perdiam-se nas curvas...,
Nas nebulosas turvas
De pontos longínquos.

Alcançaram uma certa lonjura
Só foram..., seguiram sem volta.
Talvez para não causarem revolta

"currente calamo”
(ao correr da pena)


Doces linhas em que escrevo:

Boas amigas, verdadeiras
São as únicas com quem consigo falar
Com toda a atenção do mundo
Escutam o que tenho para contar
São quem me acompanha
Nas noites sem dormir
São o meu refúgio secreto
Quando do mundo quero fugir
Obrigada por serem tão boas
Estarem aqui a toda a hora
Agora despeço-me: adeus!
Está na hora de ir embora

Olhando o horizonte vejo o sol tocando nas montanhas, de suave
uma brisa passa pela minha pele
entro em comunhão com a natureza
livre como um espirito que flutua durante os sonhos
felucidade e alegria espalar
por este planeta
precisa de se voltar a sentir com antes
antes de chegarmos e evoluir-mos
diversão amizade paz partilha
viver em harmonia e em sintonia

ñ se esqueçam de respirar..........

não se esqueçam de manter o ritmo, de utilizar todos os músculos e aproveitar bem todo o ar que vos invade... ele oferece energia à vossa mente...

E garganteando Serpentes, pico, mordo, mas não perco o ritmo. Vou rindo da vida e dançando com destino.



E assim vou escrevendo...
Como a tecer com novos novelos
sentimentos, vida e arte
Tudo isso faz parte de tantos em um só pensamento.

Com estas palvras vou tecendo
A minha teia,
Vou-me enredando
Fatalmente.

Ordeno o nascer,
O viver, o morrer,
Num caos.

Aproximo-te
De mim.
Afasto-me
De ti.

Com esse poder
Que nos invade,
Que reside na ponta dos nossos dedos,
Crio e destruo
Cada parte de mim
Continuamente.

num cosmo de palavras que nascem a cada deslizar, é como se fosse uma brincadeira de criar e desmanchar...
(tefi)

Há uma estrela a morar nos teus olhos Ás vezes, vejo-a pelo fim da tarde quando o rio se encontra preguiçoso com o sol ( que lhe acena adeus)
Outras vezes não..
Há alturas em que, de repente, sem mais nem menos, risca o céu todo
a traços de luz
como fazem as canetas dos poetas.

Na dança (in) sana das palavras
Pseudônimos
Verdades
E Ilusões
Escrita mágica dançante
a envolver-nos
neste universo flutuante
a concretizar-nos num painel virtual poetas dançantes
figurantes de si-mesmos
a todo instante convida-nos:
"uma vez mais"!

Uma vez mais
errante amante
da escrita
vulgarmente
peco na gruta
da palavra
que me alcança um verso ou quase nada
que me afaga
ou me mata
de conteúdo ou solidão
essa gruta é ingrata
mas que venha a ingratidão...











A pena e o pênis:
docilidade permanente,
dor saborável...

Por mais que busque palavras e as ponha no papel, ainda assim não se esgotam os sentimentos que brotam de dentro de mim. Como pode não ter fim esse turbilhão que nem sei de onde vem? Sei somente que vem de dentro de um ser pequeno e limitado pela impossibilidade de compreender como pode, do finito nascer o infinito?

"Nasci de uma inquietação, e cresço sob a observação de meus criadores, alheio ao comentário dos que tem a sua alma à vista.
Perpetuarei a minha estimativa, alvo da divindade conquisto e permaneço incógnita."

" Estou a espera de uma unidade do passado, a qual permaneço em constante pensamento presente, tal qual a musica de nossa consciência danço, e manipulo meu futuro, estrondo de prazer, cheiro de cor que penetra a libido e faz querer sempre..."

Querer, mais que bem querer
Buscar na mente o seu bem estar
Justo a lembrar o que se quer ver,
Sentir quando não se poder ver,
Amar mesmo sem entender,
Mas tudo, enfim, pelo seu bem querer.

Não posso esquecer da pena e do papel!
Visto que sem eles, não consigo expressar vida...
Sirvo-me deles para proclamar libertação !
Mas, contraditoriamente, sinto que também estou aprisionada a eles...
É como se apenas conseguisse entender a simbiose da vida, por entre as linhas que insisto em escrever...

" Relapsos são os assassinos que exercem a sua função de forma incompleta, deixam a sobra de esperança em uma vítima que compele a vingança.
Eis o ciclo, tem-se um novo fim, sem destino e data..."
(Thomas Souza)

papel, linhas,
traçados onde inscrevo
os versos do meu destino.

perdição.

Cultura Dita e Escrita

Encontro de velhos vocábulos;
Vírgulas, pontos e reticências
Estão lá em rotos incunábulos
Ou num libreto da Renascença.

Ao escrever a palavra é esfera,
Rola no tempo em que e escrita,
Mas o sentimento dela prolifera
Numa prosaica prosa proscrita.

Assim é só mesmo a palavra -
Às vezes corta como um punhal,
Às vezes cresce como lavra,
Outras carregam o lastro do mal.



INATINGÍVEL

Por não haver coragem bastante
A palavra vaidosa foi engolida,
Morria assim a esperança gestante,
E a inaudita tampouco pôde ser lida.

O perdão pedia a palavra;
A palavra pedia o perdão,
Mas se o perdão na boca se trava,
A palavra não atinge o coração[...]

Os olhos também sabem dizer
Palavras que só o coração entende,
Senão o coração não saberia ler
A palavra que a boca pretende...

Todavia, fecharam-se todas as portas,
Nem a luz entrava, nem o som saía;
E assim as palavras foram mortas
E aos pés da esperança o perdão jazia...

“PARCERE SUBJECTIS ET DEBELLARE SUPERBOS”
(perdoar os que se sujeitam e submeter os orgulhosos).
Virgílio


Mas no entanto
sobressai-se a esperança
pois na escrita é pra frente que anda.
A lei de Say já dizia: atrás da oferta
vem a demanda

Minha escrita é a cópia infiel
do que (me)dita o nada.

Duas manias agora tenho:
De perto, descrever-te;
De longe, rever-te;
Duas rugas no meu cenho...



Que seja pra sempre bendito
Todo pensamento d’amor,
E que seja escrito, lido ou dito,
A priori, enquanto vivo for...


Já não me basta o sorriso dourado do sol
O navegar macio das marés
Ou o chão eterno que por sobre piso
Pois se te vejo, já não te reconheço mais

Escreva, escreva ...
com seus sonhos
e sua mente
por entre a neblina do tempo até o raiar da Eternidade...
Antes que a noite da loucura
deixe encarcerada a sua mais insana vontade de amar.

Do que eu sinto,
Eu nunca falo;
Também não minto,
Mas tento jogá-lo
Numa frase escrita,
Num poema que grita.


Escreva o que eu te digo:
_Eu nunca, nunca e jamais,
_Repito: nunca me desligo
De você agora, e nunca mais...



Gostaria de saber escrever uma poesia; falar de amor, paixão e dor. Não adianta, o papel continua virgem à minha frente, as idéias não casam, o lápis desejoso, aguarda ancioso.
Palavras desfilam na mente, imagino sonetos, rimas, quadras... Envolto nesta utopia viajo pelo mundo da ilusão.
Retorno! não encontrei o que buscava, o papel continua inviolado.
Penso, penso... jogo o papel pra lá, o lápis pra cá(...). Um lampejo ! preciso ser rápido: com a ponta fina sedenta de versos, cravo o lápis na alvura do papel, palavras brotam e o rasga de prazer. Nasce assim, uma estória de amor...

ESCREVER

Escrever, sempre escrever...
É como ver! é como viver!...
Aos poucos está escrevendo;
Ao poucos, se vê vivendo...

Vai-se vendo na escrita,
Às vezes, de voz baixa,
Às vezes, muda ou grita;
Por vezes, tudo se encaixa.




CONTINUANDO A ESCREVER

Trazendo-se as palavras esparsas pra bem perto,
Causa-se um desastre ou monta-se um castelo.
Às vezes nada se encaixa, nada parece dar certo;
Tem vezes, até sem querer, nasce um poema belo.



Poema esse que revela meu coração, meu amor por te.
Mas escrever não adianta nada, porque de você não sei nada!
Só sei que és meu amor, mas não sei se sou o teu.
Queria que me tomasse no crescer de um beijos louco, gesto forte, devastando a imensidão de meu amor que se perde na dor de não te ter.
Vem aliviar a dor que dilacera meu coração chei de paixão, vem unir o sul e o norte do meu corpo que deseja torna-se um com o teu.
Desejo louco, que não passa um pouco,envadindo meu coração, me deixando confusa,me fazendo fugir de mim para encontrar a te.
Como se a lua encontrasse o sol, como se o seco podesse unir-se ao molhado permanecendo seco.
Assim me sinto em relação a te. Sei que está longe e ao mesmo tempo perto de mim.
Escrever não adianta nada , mesmo enchendo o papel com letras,palavras que se transformam em frases, não dá para expressar o que sinto agora,por isso meus olhos choram.
Choram por não te ter, por não te ver, só te querer.
Vem me dar prazer,de viver, de escrever, entender que não posso permanecer só, que você pertence a mim e eu a você , bem sorrir , me dar um mundo de prazer, não se escondar , vem entender o meu coração, com você tudo fica melhor, vem libera teu amor vai ser a vez de sermos feliz!



Quero escrever um nada
Apenas umas linhas
Logo elas vem... Não... Partem em revoada
Como as andorinhas.

Lápis-amigo da vida inteira-/Troquei-te pelo computador./Acho quefizbesteira,/
Esqueci-me do teu valor:/Da tua maciez no papel,/Do teu corpo roliço entre os dedos;/Do teu filtro para o meu fel,/Da tua paciência com meus medos.



A escrita é uma extensão nítida do meu pensamento.
Dimensões se desdobram, pois a escrita agora já não acompanha tão ávida a minha mente.
Digitar rápido é preciso para não perder o sentimento que embala o meu pensar.
O papel agora serve-me de apoio para as idéias não decaptar; mas na hora de desenvolver, o teclado é que me serve de alicerce para o meu amor pelas letras proclamar.

Nas cartas que eu te escrevia
Na minha imaginação te via,
E ficava por horas escrevendo,
E por horas eu ficava te vendo.

Porquanto na carta eu me desse
Por estar ciente, eu me iludia
Quando um beijo eu te pedia
Fechando os olhos numa prece.

E sentindo tanto a minha prece
Uma borboleta que subia
Dando voltas, de repente desce.

E eu distraído na minha veneta,
Com os olhos fechados, não sabia
Quem me beijava era a borboleta...



Borboletas azuis voando em meus sonhos , tortos , ventos e velas corações ao mar navegar sempre foi preciso depois de bom vinho tinto ao som de blues , emquanto a cidade dorme tranquila me distraio contando estrelas tolo e só... sozinho.

a baba que sai do pênis, o suor das entrepernas, o gozo de quem quer procurar o outro, entre as próprias pernas

Dois dias ele não escreveu:
Dia em que nasceu;
Dia em que morreu...
No primeiro, emocionado, porque foi parido;
No segundo, só dormiu, porque havia morrido

E ele sempre escrevia de cor,
Quer dizer de coração puramente;
Era alegre, e morria de pena e dó;
Porque ia escrevendo na mente.


Escrever é o que me acalenta...
A pena desliza
suave e lenta
numa folha
branca e lisa...
E em palavras,
ameniza
a sofreguidão
de um peito amargurado...
imaginando ser elas, as palavras, carícias
Em teu corpo
Por minhas mãos
tão desjado...

Para Helder com Amor)

Escrevi tudo sem te ver, no escuro,
E escrevi nada, ao te olhar luzente;
Escrevi muito mais do que procuro,
E escrevi bem menos e mais reticente...


Caí na armadilha,
Naquela armadilha incerta,
porém nefasta,
Que tolhe, que colhe minhas lágrimas
E recolhe-me à ânsia absurda
(e abusada)
De simplesmente escrever
Como a crivar no papel branco e nodoso
As reminiscências de um amor
que vive da letargia
De simplesmente ser sem razão.
De simplesmente ser...
Apenas!


Escrevi nada sem te ver...
Tão escuro!...
Escrevi tudo ao te olhar...
Tão Luzente!...
Escrevi muito mais
do que o obscuro;
E escrevi um pouco
menos reticente...




Escrevo com a tinta do tempo,
utilizo a pena da vida,
maculo o papel em branco,
onde meus pensamentos se transformam,
em sinais, símbolos e ícones...
para traduzir algo que...
capto não sei de onde !?
Que uma vez revelado começa uma jornada infinita.
Meus pensamentos tomam formas e voam para o infinito.
Minha escrita eterniza meu ser, meus pensamentos.



gargantas da serpente...
medos e esperanças..
animam o corpo do reptil em sobradados e macambuzios
em Uilcons Zé Glaucos Pinducas e Pivas
em serpentes na rede
mundial do Bush
em guerras em surdinas
nas aventuras
da esperança em ritmo de coração
SANGUE
E EMOÇÃO
poemas...

Aprendi a ESCREVER numa escola do SUBÚRBIO.
Havia uma certa TERNURA naquela escola, e apesar da SOLIDÃO, que já sondava
a PERIFERIA de minh’alma, havia A PROCURA; uma tendenciosa intimidade
com a PAIXÃO... Também, acontecia algo especial, que até hoje, às vezes, de MADRUGADA,
invade-me a alma..., e me leva a pensar no CAOS dos que padecem na própria PELE,
dos que sofrem tanto ou mais do que eu, e sofrendo, não podem ESCREVER o que sentem...


Palavras pesadas
Idéias distantes
Tetos e paredes prensantes
nas incertezas do saber

Palavras pesadas
Idéias distantes
Tetos e paredes prensantes
nas incertezas do saber

[As palavras constroem os templos.
Se poemas, constroem templos inabaláveis]

O escrever tem olhos na boca da palavra, e são mão que edificam o mundo.

Escrever os sonhos,os mais intimos segredos.Escrever com a alma no imenso livro da vida.
Escrever como se fosse a unica forma de sobreviver.

Se ele lhe falasse sem palavras
ela o entenderia corretamente...
Poderia escrever-lhe sem letras,
que ela colocaria as palavras;
porque ela habitava de cor e mente
cada nicho seu e todas suas gretas.


O ato da escrita pode transladar a existência do imaginário mais real e mais obscuro que se possa tocar.

... ... ...
A escritura, lavrada em cartório,
No dia que firmaram um contrato
Era de júris, mas era ilusório...,
Descompôs oralmente no destrato.

Sem a reiteração e sem mais rima;
Sem cantar louvor ao amor, a laudes;
Sem a nota série harmônica prima;
Sem a escrita, eram duas fraudes.
... ... ...


se eu fosse um poeta,eu escreria grandes historias de amor,se eu fosse um poeta eu escreveria a nossa historia de amor no ceu para todo mundo ver,se eu fosse um poeta eu lia a mensagem do por do sol para ti meu amor.

-~~~~-~~~~-~~~~-
Bebido o vinho,
Afogou a garrafa
No azul marinho
E puxou a tarrafa.

Era seu parabéns,
Mas não tinha bolo,
E nem tinha vinténs;
Só o mar pra consolo...

E no seu diário
Escreveu segredos,
Fez versos contrários
Aos modos e medos.
... ... ...


No meio da noite
deu fim a vida
Escreveu no diario
Solidão maldita !

... ... ...
Acordou numa ilha
Com saudade da mulher
Com remorsos da filha
Sem prato, garfo,
colher...
... ... ...

Saiu caminhando
olhando o mar .
Ficou recordando,
vontade de amar !
Continuou andando
até se afogar.....

... ... ...
Escrito no diário de bordo...

E vendo de perto a morte
Nadou para não se afogar;
Nadando, tinha que ser forte,
Pois, o mar queria lhe tragar...

Um dia escreveu um conto
Acerca dum mar de “sereias”,
Acreditava “nelas” a ponto
De salvarem-no, nas areias.

Tossiu graças à boca-a-boca
Sobrevindo de uma surfista
De extrema beleza louca;
Era a sereia altruísta...

Escreveu assim, dessa forma...
... ... ...

Aquela sereia tão louca
De escamas coloridas
Tacou-lhe um beijo na
boca
E disparou na corrida!



... ... ...
E nadando naquela praia,
finalmente, se algum dia,
caso a sorte não o traia,
vai ancorá-la na baía,

pois, ansiosamente ele prevê
como agarrar a sua sereia.
Lê malícia escrita que ateia
seu fogo, e vê certos filmes na TV.
... ... ...

Agora todos os dias
Fica olhando para o mar
Esqueceu trabalho e familia
Vive apenas a sonhar
Vive apenas do sonho
De novamente encontrar
Aquela mulher meio-peixe
E seu desejo matar
Possuir aquele corpo
Aquela boca beijar
Fazer muitas loucuras
E voltar com ela para o mar !

... ... ...
Leis E Mandamentos Netuno

Bem, os mares têm suas leis
Que há muito foram escritas,
Quem fez e escreveu!?... acreditas?
Foi Netuno quem assim as fez:

1 - Lançai ao mar o que é do mar;
2 - Não provoqueis nele a fúria;
3 - O mar tem sua própria cúria;
4 - Sede pro mar como é o ar.
(e muito, muito mais...).

Foi escrito o que é lícito
Fazer e desejar dentro do mar;
O amor está implícito:
Sereias podem no mar amar [...]
(fora do mar jamais...).
... ... ...


Netuno que me perdoe
Mais não posso obedecer
Sou louco por essa
sereia
E, nem quero saber
Se ele criou as leis
Com certeza eu vou
quebrar
Quero essa sereia
comigo
Quero essa sereia amar
Da furia não tenho medo
Por duas vezes quase morri
Se consigo essa proeza
Porque dela desistir!




Diário de bordo escrito em .../.../......
...
desolação, estupidez, fracasso....
sonhos, são como rastos de ternura,
decepções, tolices, tempo escasso...
Navegarei meus sonhos na lonjura...

Levam-me os nós, somente os atados
num quarto de hotel...nus, reticentes ...
Sou as páginas que escrevo dados
de desolação, estupidez crescente,

Sei do fracasso..., estava escrito...
Imutável inexorável destino....
No meu livro, (um paperback) grito
SOCORRO! berrado com desatino...

É curioso que a capa suja
contenha uma folha branca, limpa
(como espuma) não escrita; cuja
tal brancura faz levantar a grimpa.

Navegarei sem ajuda da “maruja”...
... ... ...

... ... ...
Pela fenda de uma caixa
Enfiei um rol de escrita,
Por fora, escrevi na faixa:
“Confidencial e restrita”.

Esqueci, que era de sonho
Aquela matéria escrita
E em sonhos não se acredita,
Mas, se eu não os guardo, não os sonho...
... ... ...

Eu guardo todos meus sonhos
Não numa caixa fria
Guardo no coração
Deixo a caixa vazia
Tenho um grande sonho
De ficar só com voce
Ser como antigamente
Voltar novemente a viver
Esse é um sonho antigo
Que quero realizar
Temos lutas diferentes
Não podemos juntos ficar
Mais mesmo com tudo isso
Nunca deixo de sonhar

... ... ...
Escrevi uns sonhos alvissareiros,
Irrealizáveis no mundo concreto,
Pois, vivi com eles anos inteiros.

Mas certa noite, sob o travesseiro,
Bem redobrado, e muito discreto,
Sufoquei o papel interesseiro.

Tive o intuito dum plano secreto:
Deixá-lo ali como mensageiro
Permanente, cativo e direto.

Tenho tido progressos incompletos,
Indizíveis, talvez medianeiros;
Enfocando assuntos circunspetos...
... ... ...

O que me faz escrever
È a tentativa de viver
Sem ter que morrer

... ... ...
Millor Fernandes escreveu:
“Viver é desenhar sem borracha.”
... ... ...

Revolução

Nós, os loucos, plantamos.
vocês, os normais, comem.
Eles, os reacionários. crfiticam.
Pena que não passa disso.

... ... ...
Escrevia pra não ficar louco...,
E escrevia sempre, todos os dias.
Escrevia sempre mais do que lia;
Há muito, passou a escrever pouco
... ... ...

E.. acabou solitario e louco..
Amigos...tinha poucos
Escrevia cartas..que não mandava
Fazia mimicas..não falava
De ninguem se aproximava
Se fechou, virou..nada !


... ... ...
Mas dentro dele ainda tinha
A viva tinta vermelha
Que escrevia as modinhas;
O mata-borrão que espelha
Nos bares em ladainhas
Entre os ébrios e renegados,
Quando aqueles correm parelhas,
Com os poetas e os advogados...
... ... ...

Flávio:

Escrever é poder comunicar-se de maneira calma e plena, podendo assim ordenar pensamentos e ser melhor entendido.

... ... ...
Escrever, escrever e escrever...
Longas frases, e fazer de uma a eleita,
E depois, decorá-la antes de lhe dizer
Uma coisa estúpida, estúpida, mas perfeita,
Da paráfrase eleita: _“Eu Amo Você”...
(Something Stupid…or Somethin' Stupid..)
... ... ...

O beijo é o maior desejo de um romance ao iniciar.
O beijo é o que irradia amor e simpatia por um sonho real.
Quem beija por ventura nãp sabe a loucura de uma paixão. Não vê qu a malvada fraquesa destróia a pureza de um coração.

>.>.>. >.>.>. >.>.>.
Escreveu um Haicai
Leve como uma nuvem
Que no céu esvai.
>.>.>. >.>.>. >.>.>.

.<.<.< .<.<.< .<.<.<
O Haicai caiu do céu
Todo molhado de chuva,
E escrito em um véu.
.<.<.< .<.<.< .<.<.<

>:>:>: <:<:<: >:>:>:
Quando o Haicai caiu
Era primavera de abril
Ou outono de abril.
<:<:<: :>:>:> <:<:<:

Saiu caminhando, olhando a praia. Saiu chorando, com vontade de beijar! Continuou vivendo, até casar...

ser e crer
estão
no escrever

ao infinito
infinitivos e ruídos
uivos de Ginsberg

e nobres tintas

E viva a beleza
de voltar a escrever
dias depois de morrer...
(Regina Martins)

*
*
*

O que a gente escrever
ou o que a gente disser,
pode ter a densidade do chumbo
ou a leveza do beija-flor...
*
*
*



CIDADE NO ESCURO





Desligaram o semáforo das minhas ideias, causaram uma confusão de pensamentos. Hoje, quando penso em ir pra esquerda me aparece um caminhão de dúvidas, um carro cheio de reticências e uma moto com um ponto final e um ponto de exclamação.
Quando penso em virar o retorno, corta-me pela frente uma caminhonete com uma palavra dirigindo. Fim era o nome dela.

E tudo se confunde...

Curvas que antes era feita com a maior das tranquilidades, agora me vejo aqui, sem saber se acelero ou se reduzo a velocidade.
O vai e vem da cidade está acontecendo no escuro e o semáforo dos meus pensamentos está sempre piscando atenção na minha cabeça.

E tudo se confunde...

Assim que acabei de atravessar a avenida parei no sinal vermelho, ali permaneci por muito tempo. Parado, em estátua sublime. Até que resolvi furá-lo, entrei no mundo da liberdade, o mundo da cor verde. Siga, prossiga, pise no acelerador e atropele as ignorâncias encontradas no caminho.

E tudo se confundiu...



Thiago Elloard.


Beija minha mente lentamente e atentamente
Viaja pelos meus canais neurológicos
E chega aos meus dedos pondo no papel o que tens para mostrar

Mas se tudo que encontrou foi você mesmo,
beije-se...
sua busca terminou!
Mas se tudo que encontrou foi eu,
então certifique que errar é garantido,
acertar faz sentido,
tentar acalenta a mente!!!!

O mundo ferve,
As pessoas
Qual serpente
Enroscadas
Uma as outras,
Em cálculos,
Acordos,
Dívidas e concessões.

Sinto o ranger de seus dentes,
Traduzido em slogans
E grandes ofertas.

Me descubro,
Longe.
Numa planície calma,
Me lanço em vôo rasante,
Driblo meus medos,
Preconceitos
E vôo.

Fundo,
Reinvento a alegria
Nem ato simples
De êxtase
E gratidão.

Soubesse eu palavra

Ou ação

Capaz de transformar

Não em sim,

Feio em belo

Fome em fartura

Ódio em amor



Caso a possuísse

Trataria rápido de distribuir a todos

Sairia pregando

Mesmo certo

Que muitos não iriam crer



E zombariam,

Fariam tudo

Para contestar

Pois seus valores

Suas crenças

Seus interesses

Seriam por ela

Questionados



Como não a possuo

Chamo provisoriamente

De Fé.


uni versus

Silmara, Silvério, Sandra

Renato, Manoel, Antonio

Pedro, Carlos Fabiana

Chico, Tonho

Francilene


Rosa, Margarida Angélica

Luíza

Cristiene. Solange

Amélia Fernando Sylvio

Ricardo, Silvaneide, Jô


José, Roberto, Maria

Raul Odette Augusto Luza

Flavia Rubens Walquíria

Walter Tereza

Frederico, Reynolds


Rinaldo, Raymundo

Evandro, Sergio,

Denis

Eder

Tereza, Cristina,

Aninha


A cura

Sangue corrente corre em minhas veias
esquenta o meu coração ao te beijar
ao te sentir suspirar, bem de perto.
Arrepio só de pensar
beija minha boca, me faz suspirar.
Minhas garras se prendem ao teu corpo nu.
As pernas se entrelaçam e nem por ver as horas passar
A cada toque, uma morte
A cada sentido, um ouvido
nossos sangues se fundem, a verdadeira metamorfose do desejo.
As portas se abrem em plena luz do luar
nossa apresentação ceifa logo ao amanhecer
e toda noite é noite de esplendor do nosso amor.


O deus do ateu é o amor que eu sinto
E beijo sem ver.
Ó deus vulgar, religião com que minto,
Te espero sem cre

ESCADARIAS

Desci da ladeira
Saí da sacada
Tirei o sapato
Subi na cadeira
Corri pela rua
Revi meu retrato
Bati na parede
Do meu quarto branco
Sorri ao meu filho
Soletrei meu nome
Esqueci da fome
Cortei meu cabelo
Perdi meu chinelo
Lembrei do caminho
Pintei uma estrela
No papel carbono
Voltei da sacada
Da minha janela
Lembrei do caminho

Cai no buraco
Caí do cavalo
De lado , de bruços,
Barriga pra cima
Cai da escada
Perdi a lembrança
Lembrei do caminho
Contei a distancia
Estou tão sozinho...
Hoje é quinta feira
Do mês de janeiro
Depois vem setembro
E traz muito frio

Lembrei do retrato:
Perdi no caminho
Rolei da escada
Não tenho caminho
Não tenho a sacada
Na qual bocejei
Não tenho o meu filho
Não tenho o cavalo
Que não cvalguei.



SOU o poeta. Sou como perfume etéreo:
Harmonizo-me com tudo
E vago entre chiqueiros e jardins;
Incenso,pairo sobre o azedume,
Sinto o sol, contamino-me com o lodo
Do rio; roço o orvalho dos capins
Ergo-me mais e lentamente me espalho
Como um parasita vil. Olho o bingo
De gente feliz e fezes de mendigo
Na praça onde os velhos jogam baralho.
Assanhado como vento na camisa,
Eu toco nessa coisas como brisa
Leve,e nutrido,ainda sinto fome.
Sobre o laranjal e o cravo triste
Corro, e fico alegre e triste;acho um nome
Na esquina, alimento um catavento
Humano de agonias,rolo no esgoto
e me esfrego nas flores, e ,então de vento,
Volto eu, cão hidrófobo no cio
Trémulos dedos riscando este todo
Iluminado e vão,e ardente e sombrio.

2-

Pobre pedra no meu peito
Reluzente no seu caço

Diferente a cada feito
E oscilante no espaço

Agoniza no seu leito
Suspirante, frio, lasso...

Delirante e sonhador
E recontando o próprio passo

Sorridente e sem calor
Pela flor com que me caço

Sem amor, sem luz, sem cor
E da propria dor palhaço.

3-

O vento que fala nas folhas
Me cala e me fala

A manhã é que é falha.

O mundo são folhas
(Antes navalhas)

Tudo o que cala me fala na alma

Minha alma se cala
No vento que fala nas folhas
E fala nas folhas que cala.

4-

AMOR: imensa palavra de quatro letras,
Entre uma ânsia de are um beijo
Que irônica utopia conserva, pois.
Para, enfim conhecer-te de igual
Para igual ante o meu coração
Como eu queria que custasses todo um parágrafo
Ou como uma enorme palavra de origem grega
Que só se pudesse pronunciar difícil e lentamente,
Para que assim, desmembrando-te aos poucos
Sílaba após sílaba e desunindo letras
De uma palavra incrivelmente enorme
Eu pudesse encontrar alguma coisa útil
Onde coubessem o seu nome e o
Meu nome escritos..

5-

Áspera esperança
Esperança víscera
Véspera espera

Prostra-se, presta-se
Ao meu vácuo meu vício

Espora-me tempo,
Dispara...

Áspera espera
Dispara,
Vespera!

6-

Sentenças


Dois e dois são iguais à três
Dois corpos no mesmo espaço
Bebi vinte copos de autopiedade
Da minha garrafa de vinho vazia
Da natureza, tudo se destrói,nada se transforma
Cem dedos das suas mãos vazias rasgaram uma carta em branco
Das minhas mãos sem dedos

Nada tira do meu pensamento esse erro
Em torno da minha cabeça como um torno

Nada tira esse torno
Em torno do meu pensamento

Um corpo em movimento, até que alguém o pare
Chama-se: inércia
Um dia dura 24 meses

A chuva desmorona casas e alaga as ruas,
Mas o que há em mim não lava

Por quê dois e dois são iguais a três
Dois e dois são três
Sempre serão três
Dois e dois são três

7-

Considere a ilusão como alimento que comemos;
E nos sentimos muita fome,que a ilusão tem gosto
Porém não sustenta nem nutre.
Portanto emagrecemos muito desde que nos conhecemos.

8-

Água

As pessoas que tem sede bebem água
A água serve para quem tem sede matar a sede
Mas,para quem tem muita sede,
E desejo
Fica o beijo
A quem o deseje

Para os muito solitários fica a chuvinha enjoada das tardes de domingo
A chuvinha enjoada das tardes de domingo fica para os muito solitarios
Tal como esta sala que tão bem se casa com o silencio
Como flores mortuárias para o teio, como a cova do defunto
Como a esmola aós mendigos.

Todo mundo tem alguém que ama para ser amado
Todo mundo que quer ser amado tem alguém que ama
Por que quem ama e é amado tem uma vida que é vivida
Todo mundo que quer ser amado tem alguém que ama
E todo mundo que ama tem que ser amado,tem que ser amado
Por que ama, por que ama, e ,por que ama tem que ser amado.

Por que quem ama sente muita sede
Muita sede
E desejo
À quem deseje
como beijo

9-

Mar

Entre o amor e a morte
Contemplei o mar
Imenso,silencioso,
Murmurava morno
E ondulava e ia e vinha
E eu menino mudo e
tu menina,tinha
Como eu tinha
O dom de não estar no mundo.

E tudo era tão muito
que eu não via
Contemplava o mar
Que ia e vinha
amor e morte
Em minha alma como num letargo
Maravilhoso,amargo,
como uma mentira.
Imenso,silencioso
murmurava morno
Leve na imensidão.

Como um novo deus
Me deu uma morte,
e uma religião
de amar o mar nos olhos seus.

10-

Batismo

Tem seu nome esta flor que não sei o nome
Flor que não sei o nome
Esta flor tem seu nome.

Essa flor de todo dia
Em meu caminho todo o dia
Tem perfume de inverno
esse perfume de ilusão de inferno
Este perfume eterno
Do meu caminho todo dia

Baldia e branca, de uma brancura de clareza fria
Pétalas baldias
Patelas nervosas de manha de sol,verão nervoso
Que lembrei quando você sorria,
Cheia de invernos,baldia
D uma brancura de clareza fria,
De ilusão de inferno.

Perfume eterno
De ilusão tardia.
Perfume eterno de uma flor baldia
Branca e nervosa,
Baldia e fria
Que sorria
como você sorria
Pétala nervosa e baldia
Do meu caminho todo o dia

Que me vigia
Desperta na pétalas
pétalas dispersas
Como o seu sorriso a te fazer diversa
Baldia flor de uma manha perversa
E que me chama o nome.

Tem o seu nome
Esta flor que não sei o nome
essa flor que não sei o nome
Tem o seu nome.

11-

A arvore do mangue

Brancos frutos, frutos cinzentos,
vis frutos podres
De tronco torcido,
Nuas de galhos,magrelos
E negros
De galho espinhado na copa..
Senhora e irmã de cem pombas azuis,
Indo e vindo ,girando.


ÁGUA DO LAGO

Move leve, água do lago
Move leve, cheia de lodo
Move leve, lago de água verde
Lago de água podre, move leve
Água suja do lago,água turva,
água verde de pestes,
Com resto de mortes,
Com mortos nas margens.

Íntimo Letes
Cheio de mortes nas margens
Lago de água verde
Cheio de pestes e gentes.
Lago nojento ,água do lago
Turva e verde,água de mortes
Nas margens do lago
Águas de pestes,move suave,
Lento, nojento
Move leve, água do lago
Cheia de lodo,move leve
Move leve
Lago de água verde

Move leve
Move leve
Move leve
Agua do lago.



15-

16-


Vítima última íntima
No meu peito a apodrecer
Por que em não morrer
insiste
infantilmente triste
A gemer
E eternamente morrendo
Na ingenuidade azul de uma infância
Fica excitado de ânsia
E orgasmo
E pasmo
Gofando a angústia e crendo?

17-

Não canta, não chamo
Não venha, chegamos
Não tenho,não temos
Perdemos, não fomos,

Não nos mordamos!

Que queremos? Onde fomos?
Que queremos se não somos?
Aonde fomos?
Não queremos, não sonhamos.

O que queremos não levamos
Não choramos
Quando nos vimos, estranhamos,
Nem sabemos mais quem somos...

Não nos mordamos!

18-

O ventos traz muitas vozes
Vivas vulgares vadias
Pretas brancas coloridas,
Como flores que não tem jardim.

De todas as vozes varridas
Pelas veias da cidade
E que flutuam nas calçadas
Ásperas, aflitas, preguiçosas

De todas as vozes vazias,
Ouço a tua voz no vento
E as vezes vou, passando o dia,
Surdo ao martelar do tempo.



19-

Olha a chuva que te molha
Olha
E que seca e vai embora

Olha a multidão agora
Que hoje canta e logo implora
E chora

Olha aquela rosa
Que envelhece e que desfolha

O vento leva as folhas secas sem memória
Varre sempre o que não há
agora

20-

Tecendo atalhos
Somos os falhos
Somos os filhos
somos retalhos
Nos somos tão vivos
Nós somos tão falhos
Somos os filhos
Somos os velhos retalhos
Somos de pão e trabalho
Para comer,trabalhar
Inventamos baralhos,
Para jogar
Inventamos navalhas,
Para cortar

Pra se esconder inventamos cortinas.

Buscamos atalhos,
Somos os filhos
Tão frágeis,tão falhos,
Velhos retalhos.

21-

NÓS. É, nós que coremos da chuva,
Nós,que vomitamos sábados
E profetizamos segundas
( Jesus! Estradas retas são monótonas...)
Nós,tão cristãos na risada insegura
Nós do cambio automático,
Da matemática segura

Nós da avenida do bar do café
Sem culpa remida,sem lar e sem fé.

Nós de concreto e lajota
Todos em volta,sem idas nem volta

Nós que comemos domingos
Nós da segunda chuvosa
Da manhã fria e crua

Nós que corremos,
Pra onde é que vamos
Nós que corremos da chuva?

22-

Quem temo lhos que não veja
Pois está diante de nós.

Perante nós a incerteza,
Da cor da nossa tristeza.

Quem tem olhos que não veja

O branco ardente da razão
E toca em nós a solidão.

Quem tem olhos que não veja,
E que que não seja nada não.

Que ninguém levante a voz
Ninguém veja,
Ninguém seja,
Poi está diante de nós.

23-

Varre o vazio
Suave e lento.
Vacila e cai no vazio
vela-me vento
Leva o vazio

Traças do tempo,eu não sei,
Eu não sei se choro ou se rio

Traga as areias e
Leva as montanhas


No vento incerto
E no frio

De tempo e de vento,o deserto
E de frio


Varre o vazio
Suave e lento.
Leva-me vento
e vela o vazio.

24-

PELO VALE

ELA ESTÁ MORTA!- EU DISSE
AO SAIR NA MINHA PORTA
E O VALE,COMO SE EU NÃO VISSE
RESPONDEU-”ELA ESTÁ MORTA!”

A TARDE AGONIZAVA EM CINZA E OURO
NUVENS DE PRATA AVERMELHANDO E ROXO
ADOECIA O CÉU COMO NUM AGOURO,
O FRIO,TRISTE E DOLOROSO....

E EU SEMPRE TRISTE PELO VALE:
-”MORTA!MORTA! ELA ESTÁMORTA!”

EO ECO REPETINDO COMO NAS NOVENAS:
-”MORTA” E O CÉU INCHADO, CHEIO DE ECZEMAS,
E OS CRAVOS PERFUMANDO TODO O FRIO -”MORTA!”
E O MURMURARTRISTE DO RIO-”MORTA!”

TUDO GRITANDO COMO SE EU NÃO VISSE
E EU REPETIA AINDA TRISTE -”ELA ESTÁ MORTA!”
E AS ARVORES SACUDINDO LEVE OS RAMOS,
E OS PÁSSAROS EM MELANCÓLICOS ARRANJOS:
-“MORTA!MORTA!MORTA!MORTA!”

E A NOITE TODA SE ESPALHANDOEM LUTO,
MEU CORAÇÃO DE LUTO
E AS ESTRELAS NA AMPLIDÃO REMOTA
E O PESAR TRISTE DOS ANJOS:

-”MORTA! MORTA! ELA ESTÁ MORTA!”











-25

LADY MACBETH

Despeja teu líquido amarelo, Lady Mcbeth
No meu copo de vinho, de tua garrafa de tristeza
Amante pervertida do meu sonho ralo, és já tão velha,
Pois, e andas a arrastar o teu vestido longo e negro.
Agoniada de uma dor aguda, histérica, olha-me
E magoadíssima suspira, dando o veredito:

“ É teu destino, para que eu vivesse,meu amor imenso
Que para sempre eu te abraçasse em minha dor
E fique tu só, a noite e a semana toda,à ouvir teu rádio
Com as moedas a contar para o teu vinho.
Para que me ames,quero-te apenas só,sozinho,
Como ao fim do recreio o aluno só no pátio.”

“E como Campo Grande fria em tarde de domingo,
Ou como velha solitária a mendigar no bingo,
Tu me amarás como o sapo ao seu lodo
E como flor rara de mangue,
Devoto de mim serás como ao quente do teu sangue
Anêmico: e como um caracol enroscarar-se todo
Na amargura do seu quarto onde me deitei lasciva
E num beijo lento e forte,como chama viva
Sombrio e tateante, palpitante ,pasmo
há de descrever-me em parte pelo teu orgasmo.”


-26

Meu pobre Lázaro, coração morto
Tal como um cego ansioso de luz,
Ansioso esperas,calado,absorto,
Que ela te ordene, como jesus,
Perderes a paz e o conforto.

-27

O deus do ateu e o amor que eu sinto
E beijo sem vê.
Ó deus vulgar,religião do que minto,
Te esperto sem crer.






28-

FOTOGRAFIA

Castanho e preto e preto e branco
Dois e lindos vivos dois e lindos
São macios lindos sérios
Castanhos pretos brancos dois
Rosado rosto indo raso rindo
Belos lábios dois vermelhos lábios
Lábios vermelhos dois e lindos lindos
Dois vermelhos e os cabelos vários pretos
Langues pretos e castanhos belos como os lábios
E o nariz perfeito

Castanhos pretos olhos olham olhos
Pretos negros brancos dois e dados ébrios
Apaixonadamente negros.

29-

O lago gelado e liso
Detrás de cada sorriso
A raiva que ruge e que ferve
Na alma
E o frio para que serve?

Leve é o breve no vento
Da alma que treme na frase
Que trava e que fica no leve e no breve
Treva e luz que se sorve, se serve
Na trava

Lava escorrendo em rio
Calor e frio
Lado ´alado
Raivoso e gelado
Todo e lodo
Lindo e louvado
E inacabado.

30-

Ruge uma fúria vermelha
E branca, minha saudade canta,
Como que estanca a solidão na base.
Meu coração estala minha canção estrela,
Colorindo a frase.
Evai florindo,vai florindo,
Vai fluindo na caneta aflita;
Como que flutua e grita.
E minha alma vai subindo,vai subindo,
Torna a renascer sublime;
O coração sugere,
No sigilo a alma gira,
Parece que acredita
E vai rugindo,contorcendo,rindo...
Parece que estanca solidão na base, tanta
Ou quase que surge e que levanta,
E se separa, parece que estala
Minha canção estrela
Colorindo a frase.

31-

Visões geladas, fugidias graças
Visões de nostalgias,
Eu sou a embriagada traça,
e vejo a lua em toda a luz vadia.

Visões de cânticos e de salmos bíblicos,
Santas lembranças da financia, brancas,
De cristos magros e de santos magros, doentios.
Visões de ajoelhados e de aleijados,rijos
E convulsos,demão postas, mortos de frio.

Viúvos, viúvas, crianças, velhinhas e velhinhos.
Velhinhas alvas de mantilhas pretas,
Pobres homens novos e mulheres novas,
Lamentos, gritos, aleluias, glórias,
Namorados suplicantes da cova no cio.

Pecadoras e pecadores, mendigos de benção,
Fantasma do vício,
Geladas visões nostálgicas, confusas...

Cristos de gesso,hóstias sagradas, óleos ungidos,
Santa luz das aleluias!, nos lábios, nos olhos,
Velhos ilusórios ritos;
Branca luz dos santos evangelhos,
Religião original dos meus olhos.

32-

Noturnamente
Mente noturna
Urna escura mente

Mente-se turva
Torna-se mente
Noturnamente.




33-

PRESENÇA

A solidão ferida,
De sorriso lagartixa
Na parede equilibrada.

A solidão princesa,
Na cadeira nesta sala
Respondia, interrogada.

A solidão acesa,
A solidão branquinha,
Boba, boba aqui parada

A solidão calada,
A solidão alheia,
Quita, quieta,indesejada.

34-

MEIO DIA

Eu não penso em nada quando
Penso em mim somente;
Exceto nesse vinho que só mente
Para mim quando está se acabando.

Se quiseres saber o que agora penso,
Olha, eu poderia julgar que sou feliz,
Que do seu móvel velho eu sou o verniz
Sob o sol intenso,

Que vai brilhando e morrendo
Como o vinho do meu copo me glorificando,
Como o vinho do meu copo se acabando,
Como um lençol que o vento vai movendo.

Ritmado e lento, hipnotizado
( Agora ponho mais vinho no meu copo)
AH! é só a mim mesmo que topo,
Como o sol do meio dia parado.







35-

SIMBIOSE

A eletricidade percorre a infelicidade dos fio,
E tenros e frios, pendurados,
Negros, marrons e cinzentos, três quatro,
Dez pássaros histéricos gritam, chilreiam,
Espalhados ao espaço polidos das linhas de pipas,
Plásticos, papéis sacudidos,
Em frias bandeiras agressivamente coloridas.

Como conforta meu cérebro comparar meu cérebro cheio
Com aquilo que vejo, e penso comparar-me todo
`Aquilo que vejo e penso, como ser o que sinto.

Rio um sorriso encardido.
E todo o ambiente que vejo: o desarranjo
Das casas, o tédio das arvores feias, a bizarra
Confusão dos becos,
Eu comparo em meu sorriso.

Eu sinto a pele suja
De toda terra mal colorida que vejo
úmida, contaminada e imunda.

Entre o intestino e o coração eu sinto algo
Do matagal baldio,
Do matagal errante, entrelaçado,
enfeiando a vista.

E também me parece que, num cano aberto de esgoto,
Fedidamente como hálito matinal,
Preguiçosamente como verme vil,
Entre urina, sangue, sêmen, fezes,
Vejo sair minha alma arrastada.

36-
TRINTA MOEDAS

De tua face branca ao por-de-sol de teu olhar
Alguma coisa de meu sangue ainda cintila.
E até no gosto escarlate no te lábio,
E na frieza azul de tuas mãos.

Quanta inocência de anjo, em teu vestido cor de fogo,
Brincando com o vento como duas crianças rubras.
E se eu descobrisse, da delicadeza de tua pele,
O punho podre de teu coração de sangue estagnado
A parcela certa de pureza e de luxúria,
De tua carne cor de dor e de pecado


Eu lamberia cada víscera do teu corpo
E com ânsia extrema de guloso,
Eu morderia, como cão raivoso,
Duas crianças de teu busto cor de rosa.

E lavar o teu cabelo, minha doce madalena,
Em meu sangue de sarnento;
E por trinta moedas de orgasmo,
Ver-me todo no teu corpo.

37-

SELVAGEM

Sádico monstro que devora a minha alma,
E que se parece comigo.
Chama intrusa na minha calma
Com seu orgasmo selvagem
À torturar minha mente
Como um espelho demente
Que refletiu minha imagem
De covarde homicida
E de ladrão idiota
De um crime que se nota
Como a corda de um suicida
Que uma mão amarrou.
Ferida esperança
Que se espatifou
De uma triste lembrança
A me definir
Hiena que me afaga,
E como uma lâmpada me apaga,
E me faz dormir.

38-

Teu grito,meu grito, lascivo vermelho,
Um tiro, respiro, te beijo.
Cem mortos, feridos, cem pássaros, coitados
Perdidos.
Vermelho veneno fêmea, velha e menina
Pássaro vermelho no peito
Incandescente tarde escarlate; lasciva cínica
Menina, víbora incauta, assassina, assina
Teu nome no meu coração.






39

ERA UM JARDIM


Era um jardim
Em cima do solo sujo
Em baixo do céu azul

Tinha uma rosa e um jasmim
Passeava um caramujo
Lento, e um vento sul

Ao redor do jardim
Úmido sempre de luz,
Cintilante de sereno.

Deu meio dia...meia noite por fim
As flores tornaram-se pus
Com pétalas de veneno.

Doeu-me coração e rim.
Toda a sorte de insetos surgiu,
Rastejaram sepentes.

Que demônio estranho sorriu
Quando caíram-me todos os dentes?

Quantas patas eu tinha
Quando tropecei
E o sonho na estrada enterrei?
Quantas patas eu tinha?

Em que labirinto da estrada enterrei,
Em que labirinto da estrada,
Em que labirinto!
Em que!...
Em que labirinto da estrada enterrei o meu sonho?
A mesa de jantar onde sempre esqueço o que como?

O meu sonho
Que espaço que há entre ele e mim?
Há um jardim que era...
Era um jardim,
Em cima da terra suja
Embaixo do céu azul.






40-

O que me nega
Me cega
A mão na queda
Parte o seu silencio
Como o latido de um cão

Dizes sim e
Dizes não.
Meu silencio,
Tua culpa,
Tua ira teu, perdão

O que não te nega
Te cega.
E voas no silencioso
Gozas no vento...
Teu sorriso,
Negação

Guardo o meu silencio para o te perdão.


Fim de Uma Noite Fria e Úmida

Não enxergo um palmo a minha frente
O uivar dos lobos atrás dos morros ouço derrepente
Me sinto confuso
Cada passo que conquisto
Nesse mato molhado
Me asseguro que vou conseguir, se eu não for o alvo do que tem por vir
Minha preocupação é redobrada
Meu cãozinho, ou as pernas
É escuro, ouço sua respiração ofegante
É pedreira, sinto em um tropeço
Aqui é o lar delas
Estou delirando
Mas não senti a canela formigando
Mas sei que vi o vulto delas passando
Me cai o suor
O frio não congela
Meu pobre cãozinho
Se livrou dessa
Me lambe o rosto
Meu delírio louco
Se passou por elas
No ninhos das cobras
Serpentes Venenosas
Me livrei por uma poça
Cheia de lôdo
Senti não mais sóbrio
Pelo dia que clareou
Em um buraco eu cai
Meu joelho dobrou
O chá da minha noite
Me desnorteou
Quando vi várias delas, umas dormindo, outras esperando
Medo nenhum no mundo,maior ja passou
Só me resta o conto
Para que ao contar por um ponto
Um veridico assombro
O coturno me livrou !

PALAVRAS



Escrevo linhas sobre crianças;
Escrevo sobre as praças;
Escrevo sobre o Mar;
Escrevo sobre sombras;

De repente alguma coisa mudou;
A banda passou a tocar uma nova canção;
Escrevo palavras duras;
Escrevo verdades nuas, cruas;
Escrevo meus sonhos;
Escrevo minha alma.

As mãos não conseguem deter;
O ziguezaguear de idéias que transbordam como um vulcão
outrora extinto;
Quando escrevo sinto o gosto, o cheiro;
Lembro de pessoas, de lugares que não existem;
Às vezes penso estar louco;
Mas não importa, tudo vai bem.

Quando escrevo o mundo se transforma;
Consigo sintetizar emoções em linhas;
Como uma brincadeira séria;
Como reflexo no espelho;
Quando escrevo parece que viro do avesso;
Quando escrevo volto a ser criança.

Olhem! A banda toca uma nova canção...



escrevo os contos de minha alma ao som de minha livre mão e emoção,
e escrevo os peomas que ainda não são,
e escrevo a minha vida em letra e pingos;
sem ponto finais

Amém!

para mim que a tanto tempo tanto faz qualquer coisa como coisa alguma, amém! amém ao que eu não sou e ao que eu finjo que seria, e a essa a ilusão de me ser. como um incógnita compreensiva de tão incompreensível e verdadeiramente real como minha vida explodindo em êxtase de não ser, que caminha ao meu lado, como a própria sombra que não tenho – porque não me encontro na realidade real dos seres composto –, que me leva ao talvez ... – isso!
E de tão cheio de estar vazio me frijo nesse respirar e me dilacero nele também e solto-me Danilo... solto-me! a qualquer modo que o tempo passo me acompanhar. E de muito espaçoso, como um gás que ocupa o universo todo, de minha intima náusea escondida na alma o meu não querer existir faz existir uma válvula de escape,na qual deixo-me menino, deixo-me escapar ate que o meu por vire nada...

me inspira a frio este momento e tanto faz se o verbo me acompanha ou não – quem dera poder ver -me no espelho com esse olhos que guardo no bolso – olhos que não sangram –, mas que vive e que pousam por algum desejo de imagem que há dentro de mim.




Se

Se é que há poesia em mim:
Ela é a do silêncio e
do perdão e
da última hora e
de “quem sangra” como quem sorri,
de quem morre... – enquanto a vida sobrevive a mim!
De quem não é nem o que não deveria ser;
De quem não come chocolate enquanto a alma de tão seca arrota pedras;
De quem frustrou a próprio chance de frustrar a chance por pura rima de sofrer;
De quem acompanhou só onde os olhos alcançaram e o muro nunca deixou a visão ir além;
De quem a vida...ai meu Deus –, esquece!
Mas se há poesia em mim... – imensamente muito obrigado!

Teima

No varal de qualquer tema é que me prego
Escrevo em tema livre e em versos burros
Neles não há métrica muito menos rimas
e nem encanto ou figuras de linguagens

me escuro no vento para ir em busca das palavras
e busco da ‘anulidade’ , inspirações para os meu... – porque não poemas? E não convido nem um Drumonnd ou quem que seja a assistir televisão neste espelho!

Contradição e tradição, ambigüidade e qualidade e daí? O reino é meu: sou eu o carro, sou eu a ave, sou eu regra e estou de olhos fechados. Certa vez ouvir falar das águas doces de um certo rio. Caiu um gota em mim... – nunca mais foi o mesmo!

Suas linhas




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